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Vida & Saúde

Bem-estar, ciência e comportamento.

Comer vegetais e proteínas antes de carboidratos ajuda a controlar glicose
Geral28 de out.

Comer vegetais e proteínas antes de carboidratos ajuda a controlar glicose

Uma nova estratégia alimentar, que consiste em consumir vegetais e proteínas antes dos carboidratos, tem se mostrado eficaz na redução da elevação da glicose no sangue em pessoas com diabetes tipo 2. A técnica, que sugere iniciar a refeição pela salada e carnes, ovos ou frango, deixando alimentos como arroz e massas para o final, ajuda a controlar os níveis glicêmicos ao retardar a absorção dos nutrientes pelo organismo.Estudos científicos e diretrizes de órgãos de saúde indicam que essa organização do prato interfere diretamente na forma como o corpo absorve a glicose. Segundo o endocrinologista Igor Trotte, a presença de fibras, proteínas e gorduras boas no início da refeição desacelera o esvaziamento gástrico. "O estômago não entrega toda a refeição ao intestino de uma vez. A presença de gorduras e proteínas estimula sinais hormonais, incluindo o GLP-1, que podem tornar essa passagem mais lenta", explica o especialista. Como resultado, o carboidrato chega ao intestino de forma gradual, o que suaviza os picos de açúcar no sangue.Como colocar em práticaA nutricionista clínica Thainara Gottardi sugere uma sequência simples: começar pelos vegetais, seguir para as proteínas e deixar os carboidratos por último. Na prática, isso significa montar o prato com saladas, folhas e legumes crus ou cozidos na primeira etapa. Em seguida, devem vir as fontes proteicas como carnes, peixes ou ovos. Por fim, são consumidos os carboidratos, como arroz, batata ou massas.Além do controle imediato da glicemia pós-prandial (índice de açúcar no sangue logo após a refeição), essa organização alimentar oferece vantagens adicionais para o comportamento. O consumo prévio de fibras e proteínas estimula os hormônios da saciedade, auxiliando na redução da fome excessiva e do desejo por doces, pois a resposta glicêmica se mantém mais estável.Cuidados e limites da estratégiaApesar dos benefícios claros no controle da glicose, os especialistas ressaltam que mudar a ordem dos alimentos não é uma solução definitiva. O endocrinologista Igor Trotte pondera que as pesquisas atuais são de pequeno porte e ainda não comprovam que essa alteração isolada seja capaz de prevenir complicações de longo prazo ou reduzir a necessidade de medicamentos e insulina sem acompanhamento médico.Pacientes que utilizam insulina nas refeições precisam ter cautela ao alterar a velocidade de absorção dos alimentos. É fundamental atenção na contagem de carboidratos e no momento da aplicação para evitar episódios de hipoglicemia. Outro ponto de atenção é a digestão: embora segura para a maioria, pessoas com condições como gastroparesia, refluxo grave ou doenças inflamatórias intestinais necessitam de orientação individualizada sobre a textura e a ordem dos alimentos.Profissionais de saúde lembram que a técnica deve ser vista como uma ferramenta complementar a um estilo de vida saudável. Isso inclui a prática regular de atividades físicas e a escolha de alimentos pouco processados, sem negligenciar a quantidade total de carboidratos consumidos ao longo do dia.

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Mulheres negras têm mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior
Geral28 de out.

Mulheres negras têm mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior

Mulheres negras no Brasil registram uma taxa de mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior do que mulheres brancas. A constatação é de um levantamento inédito do Instituto Nacional de Câncer (Inca), divulgado nesta terça-feira (27/10) no Rio de Janeiro, durante evento do Outubro Rosa.A publicação, intitulada Disparidades raciais na incidência do câncer de mama, aponta que, embora a incidência da doença seja maior em mulheres brancas, as negras sofrem com índices de mortalidade mais elevados. Essa diferença é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo características biológicas dos tumores e desigualdades no acesso à saúde.Diagnósticos tardios e subtipos agressivosA coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca, Márcia Sarpa, explicou que o diagnóstico da doença em fase avançada é mais frequente entre as mulheres negras, ocorrendo em 60% dos casos, contra 50% entre as brancas. Isso impacta diretamente as chances de sobrevida.Adicionalmente, o estudo revela que mulheres negras têm maior incidência do subtipo câncer de mama triplo-negativo. Este é considerado mais agressivo, de difícil detecção e tratamento, com maior potencial de metástase.Fatores socioeconômicos e de acessoAs disparidades também estão ligadas a fatores socioeconômicos, como dificuldades de acesso aos serviços de saúde, e a situações de estresse decorrentes das condições de vida. Elementos relacionados à ancestralidade também podem contribuir para essa diferença.O diretor-geral do Inca, Roberto Gil, ressaltou a necessidade de construir políticas públicas que promovam a equidade no acesso aos serviços de saúde para todas as populações. Ele enfatizou o papel crucial da prevenção para evitar que o problema se agrave.Prevenção e hábitos saudáveisO documento do Inca também defende a importância de reduzir fatores de risco modificáveis, como obesidade e o consumo de bebidas alcoólicas. O incentivo a hábitos saudáveis, como boa alimentação, prática de atividade física e aleitamento materno, é apontado como fundamental.Segundo estimativas do próprio Inca, cerca de 17% dos casos de câncer de mama poderiam ser prevenidos com a adoção dessas práticas saudáveis.

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Síndrome de Gorlin-Goltz: Mulher com 73 cânceres de pele relata luta e esperança
Geral28 de out.

Síndrome de Gorlin-Goltz: Mulher com 73 cânceres de pele relata luta e esperança

Aos 62 anos, Hilaria Mireski enfrenta as consequências da síndrome de Gorlin-Goltz, uma condição genética rara que a fez desenvolver 73 cânceres de pele, perder um olho e ter o nariz completamente consumido pela doença. Ela fala e respira pela boca, tem dificuldades em mastigar e sente o mundo de forma alterada, vivendo há quase uma década em quimioterapia contínua.A síndrome, que afeta genes responsáveis por frear o crescimento celular, faz com que as células se multipliquem descontroladamente, levando à formação de múltiplos tumores. Hilaria teve seu primeiro carcinoma basocelular aos 33 anos, um tipo comum de câncer de pele, mas que em seu caso se tornou invasivo e irreversível. A radioterapia, que durou quase duas décadas, esgotou as possibilidades de tratamento local, levando à investigação genética que diagnosticou a síndrome de Gorlin-Goltz.O impacto da síndrome e os tratamentosA síndrome de Gorlin-Goltz ocorre quando genes que atuam como freios nas células apresentam defeitos, permitindo que o sinal de crescimento celular, conhecido como "hedgehog", fique permanentemente ativado. Isso leva à formação de tumores, que podem levar décadas para se manifestar plenamente. No caso de Hilaria, a exposição solar ao longo da vida, como menina de roça e ao varrer ruas por dez anos, agravou a condição, somando mutações às predisposições genéticas.O tratamento atual inclui quimioterapia e um comprimido diário obtido por via judicial, que visa bloquear o sinal descontrolado. No entanto, a cura definitiva, que envolveria a terapia genética para corrigir o defeito nos genes, ainda não existe. A medicina foca em prevenção e acompanhamento contínuo, com o risco de novos tumores persistindo.A luta pela reconstrução e a força nas redes sociaisA perda do nariz e do olho foi um processo devastador para Hilaria, que precisou de acompanhamento psicológico para aceitar a retirada. Por um ano e meio, ela se escondeu, usando curativos para disfarçar as feições. A virada veio quando decidiu expor sua realidade em transmissões ao vivo no TikTok, buscando acolher outras pessoas em tratamento.Apesar de ter enfrentado ataques cruéis online, Hilaria conquistou mais de 400 mil seguidores no Instagram, inspirando muitos a superar a depressão. Ela relata que as mensagens de apoio a machucam menos que a doença. Atualmente, ela aguarda a possibilidade de reconstrução facial, com um cirurgião plástico que promete refazer seu nariz, embora o olho não possa ser reposto, apenas disfarçado com uma prótese.Um novo recomeço e a esperança no futuroLonge das redes sociais, Hilaria vive um recomeço pessoal. Casou-se em outubro com Adão Pereira, que conheceu no hospital onde ambos acompanhavam tratamentos. Ele se tornou um companheiro essencial em sua jornada.A cirurgia reconstrutiva, prevista para novembro, visa melhorar sua qualidade de vida, mas não trata a causa genética da síndrome. O oncologista Stephen Stefani ressalta que, embora a ciência avance rapidamente, a cura para a síndrome de Gorlin-Goltz ainda está distante. Para Hilaria, a esperança reside na possibilidade de reconstruir seu rosto e continuar inspirando outros com sua força e resiliência.

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SUS precisa de planos para garantir tratamento de câncer em crises
Geral28 de out.

SUS precisa de planos para garantir tratamento de câncer em crises

A crescente carga do câncer no Brasil, que já é a segunda principal causa de morte, e a maior frequência de crises como pandemias e desastres naturais exigem que o Sistema Único de Saúde (SUS) se prepare para garantir a continuidade do cuidado oncológico. A interrupção ou o adiamento de consultas, exames e tratamentos podem ter consequências graves para pacientes, especialmente para aqueles que já enfrentam barreiras econômicas, territoriais e sociais. A experiência da pandemia de Covid-19 e das inundações no Rio Grande do Sul em 2024 evidenciou a necessidade de resiliência no sistema de saúde.Resiliência, nesse contexto, significa a capacidade de antecipar ameaças, absorver impactos, adaptar a organização dos serviços e recuperar suas funções sem comprometer o acesso da população. Não se trata apenas de restabelecer o funcionamento dos hospitais após uma emergência, mas de preservar todas as etapas essenciais da jornada oncológica, desde a prevenção e o diagnóstico até os cuidados paliativos. Essa perspectiva foi debatida em um workshop nacional realizado no Rio de Janeiro em dezembro de 2025, organizado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA).Cinco prioridades para fortalecer o controle do câncerAs discussões resultaram em um artigo publicado no periódico The Lancet Regional Health – Americas, que aponta cinco prioridades para fortalecer o controle do câncer no Brasil e no SUS. A primeira é incorporar a assistência oncológica aos planos de preparação e resposta a emergências, definindo quais serviços devem permanecer operacionais e como reorganizar os fluxos assistenciais. A pactuação entre União, estados e municípios é crucial para a executabilidade dessas medidas.A segunda prioridade é fortalecer e integrar os sistemas de informação em saúde, que atualmente são fragmentados. Dados interoperáveis ajudam a identificar pacientes com tratamentos pendentes e a redistribuir a demanda. A terceira é proteger a infraestrutura e a força de trabalho, incluindo hospitais, serviços de radioterapia e laboratórios nos planos de contingência, além de preparar profissionais para atuar em condições excepcionais.A quarta prioridade é planejar a recuperação da assistência com foco na equidade, priorizando pessoas com maior risco clínico e tratamentos interrompidos. Por fim, a quinta é garantir mecanismos de financiamento flexíveis para situações de emergência, permitindo a mobilização rápida de recursos e a ampliação temporária da oferta de serviços. Essas prioridades visam fortalecer mecanismos existentes e integrar a resiliência ao planejamento regular da saúde, reafirmando o compromisso do SUS com a universalidade e a equidade.Preparar o sistema para proteger vidasA implementação dessas prioridades depende de compromissos concretos, como responsabilidades institucionais definidas, recursos adequados e mecanismos de avaliação. A participação de pacientes e da sociedade civil é essencial para identificar barreiras que indicadores administrativos podem não revelar. Diante do aumento previsto de casos de câncer e da ocorrência de crises simultâneas, planejar a continuidade do cuidado oncológico antes da crise, protegê-lo durante a emergência e aprimorá-lo na recuperação é fundamental.Um sistema de saúde preparado para enfrentar crises não apenas responde melhor às emergências, mas também amplia sua capacidade de oferecer cuidado oportuno, coordenado e digno à população. A experiência acumulada na atenção primária e nas políticas nacionais de controle do câncer oferece uma base importante para esse avanço.

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Proteína BACH2 pode abrir caminhos para tratar anemia falciforme e talassemia
Geral28 de out.

Proteína BACH2 pode abrir caminhos para tratar anemia falciforme e talassemia

Uma pesquisa genética com mais de 28 mil pessoas identificou um mecanismo crucial para o tratamento de doenças hereditárias do sangue, como a anemia falciforme e a beta-talassemia. O estudo, publicado na revista científica Nature e com participação de pesquisadoras brasileiras da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), revelou o papel da proteína BACH2 na regulação da hemoglobina fetal, uma forma de hemoglobina presente durante a gestação e que pode amenizar os efeitos dessas doenças.A proteína BACH2 atua como um "freio" na produção de hemoglobina fetal. Ao reduzir a ação dessa proteína em células cultivadas em laboratório, os cientistas conseguiram aumentar a produção de hemoglobina fetal. A imunologista Ester Sabino, da FMUSP, explica que já se sabia que níveis altos de hemoglobina fetal durante a vida uterina melhoram o quadro de anemia falciforme. O aumento promovido pela descoberta da atuação da BACH2 pode, portanto, ajudar a amenizar os efeitos dessas doenças.Como funciona o mecanismo identificadoA hemoglobina é a proteína nos glóbulos vermelhos responsável pelo transporte de oxigênio. Durante o desenvolvimento, a hemoglobina fetal é substituída pela forma adulta. Em pessoas com anemia falciforme, a hemoglobina adulta tem funcionamento anormal, deformando os glóbulos vermelhos. Já na beta-talassemia, há produção reduzida ou ausente de uma parte da hemoglobina adulta.Aumentar a produção de hemoglobina fetal é uma estratégia terapêutica de interesse para essas condições. O estudo investigou os mecanismos genéticos que regulam essa produção e identificou a BACH2 como um fator que a restringe. Uma variante genética associada a níveis mais altos de hemoglobina fetal demonstrou reduzir a expressão de BACH2. Experimentos em laboratório confirmaram que a redução ou inibição dessa proteína também aumentou a expressão da hemoglobina fetal.Análise genética e experimentos funcionaisPara investigar os fatores genéticos, os pesquisadores analisaram dados de 28.279 pessoas de diferentes ancestralidades, identificando 91 associações genéticas. Uma dessas regiões revelou uma variante ligada a níveis mais elevados de hemoglobina fetal e à redução da expressão de BACH2. "Em estudos genéticos, para que se chegue a descobertas, é necessário um grande número de pessoas, de populações de lugares diferentes", analisa Sabino.A partir dessa pista, a equipe realizou experimentos funcionais para confirmar o papel direto da proteína na regulação da hemoglobina fetal. A combinação de dados genéticos e experimentos funcionais foi essencial para relacionar a variante identificada à atuação de BACH2. Os resultados reforçaram a relação e esclareceram o mecanismo biológico.Combinação de estratégias e próximos passosO estudo também explorou a relação entre BACH2 e BCL11A, outro regulador conhecido da hemoglobina fetal. Os experimentos indicaram que essas proteínas atuam por mecanismos independentes. A redução simultânea de BACH2 e BCL11A resultou em um aumento da hemoglobina fetal superior ao obtido com a redução de cada uma isoladamente, sugerindo que atuar sobre diferentes mecanismos pode ser promissor.Apesar do potencial, a descoberta ainda precisa de avanços. Os pesquisadores alertam que os experimentos em laboratório não garantem segurança ou eficácia em pacientes. "Esse é só o primeiro passo. Depois que a gente entende esses mecanismos, é preciso testar inicialmente em modelos animais e, depois, realizar estudos em humanos para só então desenvolver um tratamento seguro", finaliza Ester Sabino.

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Retinopatia diabética: CBO lança campanha para alertar sobre perda visual
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Retinopatia diabética: CBO lança campanha para alertar sobre perda visual

Uma em cada três pessoas com diabetes no Brasil tem o risco de desenvolver retinopatia diabética, uma das principais causas de perda visual evitável entre adultos em idade produtiva. Para conscientizar a população sobre a doença, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançou a campanha “24 Dias pelo Diabetes”, que se estende até o fim de novembro. A iniciativa visa alertar sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da condição ocular.A retinopatia diabética ocorre quando níveis elevados de açúcar no sangue, ao longo dos anos, danificam os pequenos vasos sanguíneos da retina. Segundo a presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, as alterações podem evoluir silenciosamente, atrasando o diagnóstico. "Estamos falando de uma doença que cega, mutila e tira muitas pessoas do mercado de trabalho", afirmou, destacando o grave impacto na saúde pública e nas políticas econômicas e do INSS.O que diz a pesquisaUm estudo publicado em 2024 no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, intitulado "Retinopatia Diabética: uma revisão sistemática, do panorama da doença ao tratamento", aponta que a retinopatia diabética (RD) é uma das principais causas de perda visual em adultos entre 25 e 74 anos. A condição resulta da hiperglicemia crônica, que danifica a retina e pode levar a hemorragias e descolamento de retina. A detecção precoce e o manejo adequado, com exames como a fotografia do fundo do olho e a tomografia de coerência óptica (OCT), são cruciais para prevenir a perda visual. O tratamento envolve controle sistêmico da glicemia, pressão arterial e lipídios, além de terapias como injeções anti-angiogênicas e fotocoagulação a laser.Riscos e PrevençãoOs dados do CBO indicam que a retinopatia diabética atinge entre 24% e 39% das pessoas com diabetes no Brasil. O risco aumenta com o tempo de diagnóstico da doença; após 20 anos, cerca de 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 60% com tipo 2 já apresentam algum grau de retinopatia. No entanto, com diagnóstico e tratamento precoces, o risco de cegueira pode ser reduzido para menos de 5%.A orientação do CBO é que pessoas com diabetes incluam visitas regulares ao oftalmologista em sua rotina, mesmo na ausência de sintomas. O exame de fundo de olho, que pode incluir a dilatação das pupilas, é fundamental para identificar alterações precocemente. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retinopatia Diabética, do Ministério da Saúde, recomenda o exame no momento do diagnóstico para diabetes tipo 2, cinco anos após o diagnóstico para adultos com diabetes tipo 1, e até cinco anos após o início da doença ou no começo da puberdade para crianças e adolescentes.Para gestantes com diabetes ou que planejam engravidar, a avaliação oftalmológica é necessária a cada trimestre da gestação e no primeiro ano pós-parto. Pacientes sem retinopatia ou com forma leve costumam ter acompanhamento anual, enquanto casos moderados ou graves exigem revisões mais frequentes.Cuidados Essenciais e AssistênciaFora do consultório, a prevenção da retinopatia diabética passa pelo controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial. O CBO lista hábitos saudáveis como o consumo de fibras, verduras e legumes, a redução de açúcar, sal, embutidos e ultraprocessados, a evitação do fumo e álcool em excesso, a manutenção de um peso saudável, sono adequado e momentos de lazer.No Sistema Único de Saúde (SUS), o atendimento inicial ocorre em unidades básicas de saúde ou pela Estratégia Saúde da Família, com encaminhamento para especialistas via regulação municipal ou estadual. Em planos de saúde, o paciente agenda consulta com oftalmologista credenciado, com cobertura prevista pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para diversos exames e procedimentos oculares."O que a gente quer é ampliar o acesso e fazer com que os pacientes sejam examinados, para que possamos acompanhá-los por meio do médico, do endocrinologista e também do oftalmologista", concluiu Maria Auxiliadora.

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Fome aumenta no emagrecimento por reação fisiológica, dizem especialistas
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Fome aumenta no emagrecimento por reação fisiológica, dizem especialistas

O aumento da fome durante o processo de emagrecimento é uma reação fisiológica natural do organismo, e não um sinal de falta de disciplina. Conforme o corpo perde reservas de energia, ele ativa mecanismos para tentar recuperá-las, o que pode intensificar o apetite, diminuir a sensação de saciedade e reduzir o gasto energético. Essa resposta do corpo torna o emagrecimento e, principalmente, a manutenção do peso mais desafiadores.A endocrinologista Mariana Munhoz, do Delboni, explica que essa é uma resposta fisiológica que exige estratégias que considerem as necessidades individuais e estabeleçam hábitos sustentáveis a longo prazo, em vez de depender apenas da força de vontade.Hormônios grelina e leptina: os reguladores da fomeDois hormônios desempenham um papel central na regulação do apetite: a grelina, produzida pelo estômago, que estimula a fome, e a leptina, produzida pelo tecido gorduroso, que sinaliza a saciedade. Durante a perda de peso, os níveis de grelina tendem a aumentar, enquanto os de leptina diminuem, pois sua produção está ligada à quantidade de gordura corporal. Essas alterações hormonais contribuem para o aumento do apetite e dificultam a manutenção do peso perdido.Claudia Schimidt, endocrinologista do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, ressalta que o organismo interpreta a redução das reservas de gordura como uma potencial perda de energia que precisa ser compensada. A queda da leptina envia sinais ao cérebro de que as reservas energéticas diminuíram, o que intensifica a fome. Essas adaptações fisiológicas podem persistir mesmo após o alcance do peso desejado.Estratégias para controlar a fome no emagrecimentoO objetivo principal no controle da fome durante o emagrecimento é torná-la manejável, sem comprometer a nutrição e a qualidade de vida. Munhoz sugere que as estratégias sejam personalizadas, considerando o estado de saúde, a rotina e as necessidades nutricionais de cada indivíduo.Algumas medidas práticas incluem:Priorizar alimentos ricos em proteínas e fibras, como ovos, peixes, carnes, feijões, frutas, verduras e cereais integrais, que promovem maior saciedade.Evitar dietas excessivamente restritivas, que podem intensificar a fome e prejudicar a manutenção dos resultados.Garantir uma boa qualidade de sono, pois a privação de sono pode aumentar o apetite e o desejo por alimentos calóricos.Praticar atividade física regularmente para preservar a massa muscular e melhorar a saúde metabólica.Buscar acompanhamento profissional de médicos e nutricionistas para definir uma estratégia individualizada e avaliar outras intervenções necessárias.Medicamentos e a gestão da fomeMedicamentos agonistas do receptor de GLP-1 são uma opção terapêutica para a obesidade, quando indicada clinicamente, atuando na regulação do apetite e na sensação de saciedade. Schimidt esclarece que o objetivo não é eliminar completamente a fome, mas ajudar o paciente a reconhecer a saciedade, fazer escolhas alimentares adequadas e gerenciar a vontade constante de comer, o chamado "food noise".Esses medicamentos visam reduzir o pensamento excessivo em comida e aumentar o autocontrole sobre a vontade de comer. No entanto, não são indicados indiscriminadamente para todos que sentem fome durante o emagrecimento, exigindo avaliação médica criteriosa.Diferença entre fome e compulsão alimentarÉ importante distinguir o aumento da fome fisiológica da compulsão alimentar. A compulsão alimentar é caracterizada pela perda recorrente de controle sobre a alimentação, com episódios de ingestão de grandes quantidades de comida em pouco tempo e a sensação de incapacidade de parar. Esses episódios podem vir acompanhados de culpa e vergonha.Munhoz orienta que, em casos de suspeita de compulsão alimentar, é fundamental procurar avaliação profissional. O tratamento pode envolver uma abordagem multidisciplinar, com acompanhamento médico, nutricional e psicológico, conforme as necessidades de cada pessoa. Compreender essa distinção é crucial para um tratamento individualizado, sustentável e seguro.

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Anvisa suspende lotes de medicamentos contra câncer e de reidratação
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Anvisa suspende lotes de medicamentos contra câncer e de reidratação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da venda, distribuição e uso de lotes de três medicamentos nesta quarta-feira (28). A resolução foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).As medidas afetam os medicamentos Simbeva e Abevmy, indicados para o tratamento de câncer colorretal, de pulmão e outros tumores em estágio avançado. Ambos os produtos tiveram lotes recolhidos voluntariamente pelas empresas Laboratório Teuto Brasileiro S/A e Biocon Biológicos do Brasil Ltda., respectivamente, após a confirmação de resultados fora de especificação para o teste de endotoxinas bacterianas.Medicamentos para Câncer com Problemas em TestesOs lotes recolhidos dos medicamentos Simbeva (25 mg/ml – 16 ml) e Abevmy (25 mg/ml – 16 ml) foram identificados como BF25008896 e BF26002105, respectivamente. As farmacêuticas comunicaram à Anvisa o recolhimento voluntário como uma medida preventiva após a detecção de resultados insatisfatórios em testes de endotoxinas bacterianas.A Anvisa, por sua vez, suspendeu a comercialização, distribuição, exportação e o uso desses lotes específicos para garantir a segurança dos pacientes que utilizam esses tratamentos oncológicos. O recolhimento voluntário é um mecanismo onde a empresa, ao detectar um desvio de qualidade, comunica à agência e solicita a retirada imediata dos produtos do mercado.Solução de Reidratação com Partículas EstranhasA mesma resolução da Anvisa determinou o recolhimento e a suspensão do lote M 0465 26 da Solução de Ringer com Lactato – Sol Infus IV CX 20 – Envol Bols Plas PVC Trans Sist Fech X – 500 ml, fabricada pela JP Indústria Farmacêutica S/A.O motivo para a medida foi a identificação de partículas escuras de tamanhos diversos em suspensão no conteúdo da bolsa, conforme laudo emitido pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL), referência nacional em vigilância sanitária. A análise fiscal indicou resultado insatisfatório no ensaio de descrição/aspecto do produto, que é utilizado para reidratação do organismo.O que é o Recolhimento VoluntárioO recolhimento voluntário é um procedimento adotado por empresas farmacêuticas quando há indícios sólidos ou comprovação de desvio de qualidade em seus produtos. Ao comunicar a Anvisa, a empresa pode solicitar a retirada imediata dos lotes afetados, o que agiliza a identificação do problema e a divulgação de alertas aos consumidores e profissionais de saúde.Esse mecanismo também pode ser acionado diante do cancelamento do registro de um medicamento por questões de segurança e eficácia. A Anvisa fiscaliza e determina as medidas necessárias para o enfrentamento do problema sanitário, incluindo a destinação adequada das unidades recolhidas.

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Planos de saúde devem cobrir mamografia digital sem restrição de idade
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Planos de saúde devem cobrir mamografia digital sem restrição de idade

Entidades médicas brasileiras divulgaram nesta semana um documento com orientações para garantir que pacientes tenham acesso à mamografia digital, um dos principais métodos de rastreamento e diagnóstico do câncer de mama. O objetivo é evitar que planos de saúde neguem o procedimento ou interpretem o pedido de forma equivocada, o que tem ocorrido devido a falhas no preenchimento das solicitações.O documento foi elaborado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Segundo o CBR, desde 1º de outubro, os planos de saúde são obrigados a oferecer acesso à mamografia digital sem restrição de idade ou gênero, desde que haja indicação médica.O que mudou na coberturaAnteriormente, a cobertura obrigatória para a mamografia digital era restrita a mulheres na faixa etária de 40 a 69 anos. Com a resolução normativa da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), essa barreira foi removida. Agora, idade e gênero não podem ser usados isoladamente para negar o exame, caso ele seja indicado por um profissional de saúde.A mamografia convencional já possuía cobertura para qualquer pessoa, mas a modalidade digital, que armazena imagens em formato eletrônico, era a única com restrição etária. O armazenamento digital facilita o acompanhamento da evolução clínica e a avaliação por diferentes especialistas.Como garantir o acesso ao examePara evitar problemas na autorização e garantir que a modalidade correta seja realizada, as entidades médicas orientam os médicos a serem mais específicos em seus pedidos. Sempre que a indicação for para a mamografia digital, o pedido deve registrar expressamente “mamografia digital”, e não apenas “mamografia”.Além disso, a solicitação deve informar a finalidade clínica do exame, como rastreamento, investigação diagnóstica, controle de alteração mamária ou acompanhamento de tratamento. Um pedido justificado e objetivo permite que o estabelecimento de saúde identifique o procedimento corretamente, reduz falhas nos fluxos de autorização e evita que a modalidade digital indicada pelo médico seja interpretada equivocadamente como uma mamografia convencional.Responsabilidade dos planos e clínicasAs orientações também se dirigem a clínicas, serviços de diagnóstico por imagem e operadoras de planos de saúde. Esses prestadores de serviço e as operadoras devem atualizar seus pedidos, formulários, sistemas e fluxos de autorização para incorporar a nova regra e garantir a cobertura conforme a legislação.A mamografia é considerada um dos métodos mais eficazes para o rastreamento, diagnóstico precoce e acompanhamento do câncer de mama, sendo fundamental o acesso facilitado ao exame para a saúde das mulheres.

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Anvisa aprova combinação de imunoterapias para mieloma múltiplo
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Anvisa aprova combinação de imunoterapias para mieloma múltiplo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso combinado de duas imunoterapias, o teclistamabe e o daratumumabe subcutâneo, para o tratamento de pacientes adultos com mieloma múltiplo recidivado ou refratário que já receberam ao menos uma linha prévia de terapia. A decisão representa um avanço significativo no tratamento de um câncer da medula óssea que, historicamente, era abordado quase exclusivamente com quimioterapia.Essa evolução terapêutica é fruto de anos de pesquisa clínica e de uma maior compreensão da doença, permitindo o desenvolvimento de tratamentos mais precisos e capazes de proporcionar controle prolongado e maior qualidade de vida. As imunoterapias, como os anticorpos biespecíficos, são moléculas desenvolvidas para atuar de forma direcionada, aproximando as células de defesa do organismo das células cancerosas e ativando uma resposta imunológica potente.Como funcionam as novas imunoterapiasOs anticorpos biespecíficos funcionam como uma "ponte" entre o sistema imunológico e as células do mieloma. Ao se ligarem simultaneamente a uma proteína na superfície das células do mieloma e às células T (responsáveis pela defesa), eles ativam uma resposta imune direcionada, levando à destruição do tumor. Essa ação torna o ataque mais preciso e potencializa a capacidade do corpo de combater a doença.Resultados do estudo MajesTEC-3A aprovação da Anvisa foi baseada nos resultados do estudo MajesTEC-3. A pesquisa demonstrou que aproximadamente oito em cada dez pacientes tratados com a combinação de teclistamabe e daratumumabe subcutâneo permaneceram vivos e sem progressão da doença após três anos de acompanhamento. Além disso, a combinação apresentou uma redução expressiva no risco de progressão da doença ou morte quando comparada ao tratamento padrão.O estudo contou com a participação de pacientes brasileiros, e o Brasil foi o segundo país, após os Estados Unidos, a autorizar essa nova terapia. Esse fato ressalta a contribuição do país para a geração de evidências científicas que orientam decisões terapêuticas em nível internacional.Avanços na sobrevida e próximos desafiosA evolução no tratamento do mieloma múltiplo é notável quando comparada a décadas passadas. Até os anos 1970, a sobrevida mediana de um paciente era de cerca de 20 meses. Atualmente, segundo o relatório Cancer Statistics 2026 da American Cancer Society, a sobrevida relativa em cinco anos aumentou de 32% para 62%. Essa melhora é atribuída às imunoterapias e outras inovações que ampliam as chances de respostas profundas e duradouras.O hematologista Edvan Crusoé, diretor da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), destaca que o desafio atual é garantir o diagnóstico precoce, o encaminhamento oportuno ao hematologista e o tratamento baseado em evidências. A colaboração entre médicos e pacientes é fundamental para que os avanços científicos se traduzam em benefícios concretos para a qualidade de vida e o controle prolongado da doença.

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Anvisa suspende venda de linguiça da KF Embutidos por bactéria Listeria
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Anvisa suspende venda de linguiça da KF Embutidos por bactéria Listeria

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da fabricação, venda, distribuição, propaganda e consumo do lote 21/08/2026 da linguiça de carne suína defumada da marca KF Embutidos. A decisão, publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (28), foi motivada pela detecção da bactéria Listeria monocytogenes em análise microbiológica, um microrganismo que pode causar a listeriose, uma doença considerada grave pela Organização Mundial da Saúde (OMS).O que é a bactéria Listeria monocytogenes?A Listeria monocytogenes é uma bactéria encontrada no ambiente, como solo e água, com potencial para contaminar alimentos. Uma de suas características preocupantes é a capacidade de se multiplicar mesmo em baixas temperaturas, como as de refrigeradores. A OMS aponta embutidos, queijos macios e pescados defumados a frio como alimentos de alto risco.A bactéria causa a listeriose, uma infecção que, embora rara, pode ser severa e até fatal para grupos de risco, como grávidas, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido (pacientes com câncer, transplantados). Em gestantes, a doença pode levar a aborto espontâneo, natimorto ou complicações graves para o recém-nascido, como baixo peso, septicemia e meningite. Para outros grupos, pode resultar em sepse e meningite.Medida e recolhimento voluntárioA Anvisa explicou que a suspensão atinge exclusivamente o lote 21/08/2026, fabricado pela Fábrica de Embutidos Zanetti Ltda. A agência determinou o recolhimento voluntário do lote, uma medida preventiva em que a própria empresa retira os produtos do mercado e comunica à Anvisa em até 48 horas para acompanhamento.A empresa KF Embutidos informou que já adotou todas as medidas necessárias, realizando o recolhimento integral do lote envolvido e comunicando os órgãos competentes. Segundo a nota da empresa, após procedimentos de verificação e medidas corretivas, novas análises laboratoriais apresentaram resultados negativos para Listeria monocytogenes nas amostras analisadas.Recomendação aos consumidoresConsumidores que possuam o produto em casa devem verificar o número do lote na embalagem. Caso seja o lote 21/08/2026, a orientação é não consumir a linguiça e entrar em contato com o local de compra ou com o fabricante para obter informações sobre a devolução. Pessoas que apresentarem sintomas após o consumo devem procurar atendimento médico, especialmente se pertencerem a grupos de maior risco.A resolução da Anvisa não menciona se houve registro de pessoas doentes associadas ao consumo do produto. A fiscalização estadual, por meio do Serviço de Inspeção Estadual (SIE), já autorizou oficialmente a retomada da produção da KF Embutidos, conforme comunicado pela empresa.

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Anvisa suspende propaganda de suplementos para controle de glicose
Geral28 de out.

Anvisa suspende propaganda de suplementos para controle de glicose

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a propaganda dos suplementos alimentares em gotas Glifit e Glicofit, fabricados pela empresa Vita Nutriom Saúde & Bem Estar Ltda. A decisão foi publicada na Resolução-RE nº4224, de 26 de outubro de 2026.Segundo a agência reguladora, as propagandas veiculadas na internet apresentavam indicações terapêuticas, alegações funcionais e de saúde consideradas “não aprovadas e enganosas”. Entre as alegações citadas pela Anvisa estavam “O autêntico regulador de glicose”; “Controle rápido dos níveis de açúcar no sangue”; “Melhora a sensibilidade à insulina”; “Mantém o pâncreas limpo e funcional” e “Eliminando os picos de glicose”.Alegações proibidas para suplementosA Anvisa destacou que a legislação sanitária brasileira proíbe que suplementos alimentares façam alegações de tratamento ou cura para doenças, ou que prometam benefícios que vão além de sua função de complementar a dieta.Entre as alegações que não são permitidas para suplementos alimentares estão:Perda de peso (emagrecimento);Aumento do foco e da concentração;Aumento da imunidade;Melhora no desempenho sexual;Melhora de sintomas relacionados à tensão pré-menstrual ou à menopausa;Tratamento para doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson; para transtorno do espectro autista; para câncer; e para fibromialgia, entre outras.Infração sanitária e crimeA agência reguladora ressaltou que a publicidade enganosa com alegações terapêuticas não aprovadas constitui infração sanitária. Além disso, a prática pode configurar crime previsto no Código de Defesa do Consumidor.A suspensão da propaganda visa proteger os consumidores de informações falsas e garantir que os produtos alimentares sejam comercializados de acordo com as normas sanitárias vigentes.Esta não é a primeira vez que a Anvisa toma medidas contra suplementos alimentares. Recentemente, a agência proibiu a venda de outros produtos, como picolé com melatonina e suplemento de proteína, além de testes de glicemia de origem desconhecida.

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Prati-Donaduzzi lança primeiro genérico de buspirona no Brasil
Geral28 de out.

Prati-Donaduzzi lança primeiro genérico de buspirona no Brasil

A farmacêutica brasileira Prati-Donaduzzi anunciou o lançamento da primeira versão genérica da buspirona no mercado nacional. O novo medicamento, um ansiolítico que se destaca pelo menor risco de dependência em comparação com os benzodiazepínicos, já começou a ser distribuído em farmácias e está em processo de entrega para consumidores em todo o país.A buspirona é indicada para o tratamento do transtorno de ansiedade generalizada e para o controle de sintomas de ansiedade que podem estar associados ou não a quadros de depressão. Pertencente à classe dos ansiolíticos não benzodiazepínicos, o fármaco atua no sistema nervoso central, regulando a liberação de serotonina, um neurotransmissor crucial para o controle das manifestações psíquicas e físicas da ansiedade.Preços e disponibilidadeO novo genérico está disponível nas dosagens de 5 mg e 10 mg, em embalagens com 60 ou 90 comprimidos. Os preços máximos ao consumidor (PMC), definidos considerando a alíquota de 18% de ICMS, são de R$ 81,35 para a caixa de 5 mg com 60 comprimidos e R$ 97,37 para a embalagem com 90 comprimidos. Para a dosagem de 10 mg, os valores máximos chegam a R$ 145,97 (60 comprimidos) e R$ 174,37 (90 comprimidos).É importante notar que esses valores representam o limite permitido para venda em farmácias. O preço final pode ser inferior, dependendo dos descontos oferecidos pelos estabelecimentos. Além disso, os valores máximos podem variar entre os estados devido às diferentes alíquotas de ICMS aplicadas.Diferenciais e usoUm dos principais diferenciais da buspirona é o seu menor potencial de causar dependência química quando comparada aos benzodiazepínicos tradicionais. Assim como outros medicamentos para ansiedade, como alguns antidepressivos, a buspirona exige receita médica e deve ser utilizada sob orientação de um profissional de saúde.Atualmente, além da nova versão genérica lançada pela Prati-Donaduzzi, já existem no mercado medicamentos similares com o mesmo princípio ativo, como o Ansitec. A chegada do genérico visa ampliar o acesso a tratamentos eficazes para transtornos de ansiedade.

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Fãs idosos do BTS encontram comunidade e propósito em shows e fandom
Geral28 de out.

Fãs idosos do BTS encontram comunidade e propósito em shows e fandom

O grupo sul-coreano BTS, que se apresentou em São Paulo em novembro de 2023, tem atraído uma base de fãs surpreendente e dedicada: mulheres com mais de 60 anos. Essas fãs, que se autodenominam ARMY, encontram no grupo uma fonte de alegria, comunidade e propósito, desafiando estereótipos sobre o envelhecimento e o consumo de cultura pop.Eliette Amaral, de 63 anos, conta que o convite para uma festa de fã-clube em 2022 foi o ponto de partida para sua imersão no universo do BTS. Inicialmente envergonhada por ser a mais velha, ela logo descobriu um grupo de amigas com interesses em comum. "É um bando de mulheres apaixonadas por sete meninos", resume. A aposentadoria e um período de depressão após a Covid-19 a levaram a buscar refúgio em doramas e, posteriormente, na música do BTS, cujas letras abordam temas como depressão e autoaceitação.Acolhimento e combate ao etarismoPara a neuropsicóloga Veruska Vasconcelos, especialista em gerontologia, o fandom pode oferecer um tipo de reconhecimento que nem sempre é encontrado na família. "Na família, aquela mulher talvez seja reconhecida principalmente como mãe, avó ou cuidadora. No fandom, ela pode ser reconhecida pelo que gosta, sabe, compartilha e descobre", explica.Vasconcelos aponta que o etarismo, ou seja, o preconceito contra idosos, muitas vezes estabelece limites sociais para o entusiasmo, sugerindo que envelhecer significa abrir mão da curiosidade e da diversão. A participação no fandom do BTS, para essas mulheres, representa uma forma de quebrar essas barreiras e reafirmar sua vitalidade e seus desejos.Júlia Fernandes Soares Augusto, de 86 anos, descobriu o BTS por indicação do neto e se apaixonou instantaneamente. A realização do sonho de ir a um show, acompanhada pela neta Beatriz Horta, de 28 anos, gerou um vídeo viral e experiências inéditas para ambas.Impacto terapêutico e novas experiênciasEm Itapeva, interior de São Paulo, Maria Helena Loureiro dos Santos, de 67 anos, diagnosticada com Alzheimer em 2023, encontrou nos vídeos do BTS uma forma de acalmar seus episódios de agitação. "Eu acho que o BTS está acalmando a vó", relatam as netas. A filha, Luana Loureiro Leme, de 43 anos, considera o grupo um apoio terapêutico para si mesma e para a mãe, que se acalma ao assistir às apresentações.Embora a especialista Veruska Vasconcelos seja cautelosa ao afirmar que o fandom melhora a memória ou previne demência, ela reconhece que aprender letras, idiomas e usar ferramentas digitais mobiliza habilidades cognitivas. A neuropsicóloga também alerta para riscos como gastos excessivos e golpes, mas ressalta que o interesse musical não deve justificar vigilância ou restrição da autonomia.Eliette, que planeja fazer sua primeira tatuagem de baleia (símbolo de uma música do BTS) após o show, vê essa nova fase como uma libertação. "Naquela época era muito difícil uma mulher ter tatuagem. Agora eu estou me libertando", afirma, exemplificando a renovação e o empoderamento que o fandom proporciona a essas fãs.

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Empresária relata raiva e dificuldade no luto após morte da mãe
Geral30 de out.

Empresária relata raiva e dificuldade no luto após morte da mãe

A empresária Karla Felmanas compartilhou em entrevista no programa “Na Palma da Mari: Entre Mulheres” os complexos sentimentos vivenciados após a morte de sua mãe, Claudia Marques, em 2009, vítima de câncer de mama. Após 12 anos de luta contra a doença, Felmanas revelou que, por muito tempo, sentiu uma intensa raiva de pessoas que ainda tinham suas mães por perto, descrevendo o sentimento como bizarro, especialmente por ela própria ser mãe.A ausência da mãe, descrita como uma pessoa muito especial e querida, gerava um sentimento de profunda injustiça. "Eu tinha muita raiva de quem tinha mãe", confessou a empresária, que teve dificuldade em se conformar com a perda.O Dia das Mães como um gatilho de dorPara Karla Felmanas, o Dia das Mães se tornou a data mais dolorosa do calendário por muitos anos. Ela relatou que demorou a compreender que também era seu dia como mãe e que seus filhos tinham o direito de comemorar. A empresária confessou que, mesmo sendo mãe, a data não era feliz e que seu desejo era estar com a mãe."Até hoje não é um dia feliz para mim, mesmo sendo mãe. É um dia que eu gostaria de estar com a minha mãe", declarou, evidenciando a persistência da dor e da saudade.A complexidade do luto e a coexistência de emoçõesA psicanalista Monica Pessanha, presente no programa, explicou a complexidade desses sentimentos. Segundo ela, datas especiais como o Dia das Mães têm o poder de resgatar a dor do luto, mesmo quando a vida segue em frente. A especialista destacou a dificuldade de lidar com a tristeza misturada à alegria que pode ser observada em celebrações.Pessanha também abordou a questão da culpa ao sentir alegria durante o período de luto. Ela explicou que, ao perder uma referência afetiva, conquistas e momentos felizes — como o nascimento de filhos ou o crescimento profissional — coexistem com a tristeza inerente à perda."Nós somos uma mistura. A gente é o somatório de todas as emoções, e em cada momento a gente resgata uma ou outra", disse a psicanalista. Karla Felmanas concordou, acrescentando que, em sua família, as conquistas eram vistas como uma forma de homenagem à mãe, o que ajudava a amenizar a culpa por sentir momentos de felicidade.O episódio completo do programa “Na Palma da Mari – Entre Mulheres” está disponível no YouTube do CNN Pop e foi exibido na CNN Brasil no sábado (17), às 22h45. A temporada já contou com a participação de outras personalidades como Fernandes Paes Leme, Izabella Camargo e Fátima Bernardes.

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Zé Felipe aluga mansão de R$ 24 milhões em Goiânia para filhos
Geral30 de out.

Zé Felipe aluga mansão de R$ 24 milhões em Goiânia para filhos

O cantor Zé Felipe, 28, alugou uma mansão de R$ 24 milhões em Goiânia, com 1.150 metros quadrados construídos em um terreno de 2.100 metros quadrados. A mudança, anunciada nesta quarta-feira (28), visa acomodar seus três filhos com a influenciadora Virginia Fonseca — Maria Alice, 5, Maria Flor, 4, e José Leonardo, 2 — e a rede de apoio familiar, que inclui as avós Poliana Rocha e Margareth Serrão.A mansão, localizada no Residencial Aldeia do Vale, fica no mesmo condomínio onde Virginia mora com os filhos e a mãe. O cantor está revezando suas estadias entre o Brasil e Miami, nos Estados Unidos, onde desenvolve um projeto profissional.Detalhes da mansão e repercussãoA casa conta com 6 suítes, sendo a principal com 150 metros quadrados. O imóvel é mobiliado, decorado, climatizado e possui elevador e sala de cinema. No exterior, há uma piscina com telão de LED, espaço gourmet e um pomar.Um dos detalhes que chamou a atenção dos fãs foi o tamanho da cama do quarto principal, que ocupa a totalidade de uma das paredes do cômodo. A especialista em personalização de casas, Marcia Stevanato, compartilhou o resultado da organização do dormitório nas redes sociais, o que gerou comentários sobre as dimensões da cama.Internautas reagiram com surpresa, com comentários como "Nunca vou entender uma cama desse tamanho" e "Fico imaginando que ele nunca vai conseguir rodar a cama toda". Houve também quem especulasse sobre uma possível reconciliação com Virginia Fonseca, com a frase "Cama grande do jeitinho que o Zé e a ‘Vívibora’ gostam. Na minha mente só vem reconciliação".Espaços para os filhos e famíliaO quarto principal foi decorado em tons de branco, bege e detalhes em madeira, com almofadas personalizadas com ilustrações de Zé Felipe e dos filhos, além de poltronas. As crianças também ganharam espaços próprios na casa para quando ficarem com o pai.A escolha do imóvel, segundo o corretor de imóveis João Vitor Araujo, foi pensada para oferecer conforto e estrutura para os filhos e a rede de apoio familiar, incluindo as avós maternas e paternas, e os funcionários.

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Juliette realiza festa de casamento luxuosa em Recife com famosos como padrinhos
Geral30 de out.

Juliette realiza festa de casamento luxuosa em Recife com famosos como padrinhos

A ex-BBB Juliette, 36, realizou na noite desta quinta-feira (29) uma segunda festa de casamento com o atleta Kaique Cerveny, 28, em Recife, Pernambuco. A celebração luxuosa aconteceu dias após uma cerimônia mais intimista realizada no Cariri paraibano, estado natal da cantora. O evento em Recife reuniu diversas celebridades, que foram convidadas para serem padrinhos do casal.O que mais chamou a atenção na internet foram as sequências de famosos passando pelo corredor do altar. Entre os nomes que assumiram o posto de padrinhos estão os cantores Anitta, Chico César, Elba Ramalho, Gilberto Gil com Flora Gil; os atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso; e a influenciadora Bianca Andrade, entre outros. A parte musical da cerimônia também contou com a participação da cantora Liniker, que homenageou os noivos cantando a música "Caju".Festa luxuosa no Instituto Ricardo BrennandNas redes sociais, Juliette compartilhou detalhes da festa que aconteceu no Instituto Ricardo Brennand, um dos cartões postais de Recife. A cerimônia foi realizada ao ar livre, em um jardim, onde foi montada uma passarela branca para a entrada dos padrinhos e dos noivos. A decoração apostou em tons claros, com o corredor ladeado por flores de algodão.A cantora optou por um visual simples para a cerimônia, indo sozinha até o altar. Ela segurava um enfeite feito de crochê, uma herança deixada por sua avó Maria. O vestido escolhido pela ex-BBB apresentava um busto estruturado e uma saia em duas camadas. Para completar o look, Juliette escolheu um cabelo com ondas e maquiagem leve.Cerimônia intimista no CaririA união oficial do casal já havia sido celebrada em uma cerimônia intimista na última terça-feira (27), em Cabaceiras, no Cariri paraibano. Diferente da festa em Recife, esta celebração aconteceu em um cenário árido, sobre pedras, com os convidados sentados no chão.Na ocasião, Juliette e Kaique vestiram branco. A cantora usou um vestido com pedaços de crochê feitos por sua avó. Em um vídeo divulgado, Juliette expressou sua emoção: "Eu estou aqui vestida de ancestralidade, trazendo as nossas famílias para celebrar o que só começa. Eu peço a bênção da minha avó Maria, que também está aqui. Peço a bênção de todos os nossos ancestrais que nos regem e que nos protegem, a bênção de Deus: a energia maior que nos fortalece", disse.Kaique Cerveny também fez uma declaração à noiva, contando que sentiu algo especial desde o primeiro abraço. Para acompanhar o momento no Cariri, o celebrante foi o cantor Juzé, que também tocou violão na entrada dos noivos.

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Caverna Desmoronada no PETAR é reaberta após 15 anos fechada ao público
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Caverna Desmoronada no PETAR é reaberta após 15 anos fechada ao público

A Caverna Desmoronada, um dos atrativos do Parque Estadual Alto do Ribeira (PETAR), em Iporanga, interior de São Paulo, foi reaberta ao público na última quinta-feira (29), após permanecer fechada por 15 anos. A decisão de reabrir o espaço foi tomada após um extenso trabalho de pesquisa e avaliação das condições da caverna para garantir a segurança e a preservação ambiental.O longo período de interdição permitiu que cerca de 100 profissionais, incluindo pesquisadores e técnicos da Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), realizassem análises detalhadas. Foram avaliadas características geológicas e ambientais, áreas de fragilidade, riscos potenciais, impactos da presença de visitantes e condições gerais de segurança. Com base nessas conclusões, foi elaborado o Zoneamento Ambiental Espeleológico (ZAE), que definiu os setores aptos à visitação e aqueles que necessitam de maior proteção ou conservação.Um Roteiro Desafiador e ImersivoA reabertura da Caverna Desmoronada oferece aos visitantes um roteiro que combina trilha e exploração subterrânea. O percurso totaliza cerca de 10 quilômetros de trilha, com uma parte subterrânea de aproximadamente 900 metros. A visita completa, considerando ida e volta, tem duração média de oito horas, proporcionando uma experiência imersiva na geologia e na natureza do local.A nomenclatura "Desmoronada" se deve à própria formação geológica da caverna. O interior é marcado por enormes blocos rochosos, resultado de antigos processos naturais de abatimento do teto, que criaram grandes salões, galerias irregulares, desníveis e passagens acidentadas. Ao longo de milhares de anos, a ação da água subterrânea também contribuiu para esculpir corredores e ampliar as galerias, moldando o cenário único que os visitantes poderão agora explorar.Opções de Visitação e RequisitosA caverna apresenta duas modalidades de visitação para atender diferentes perfis de aventureiros. No circuito tradicional, a entrada e a saída ocorrem pela mesma abertura, oferecendo um acesso mais direto. Já o circuito de travessia é mais desafiador, iniciando pela ressurgência de um rio – onde águas profundas emergem à superfície – e prosseguindo com uma escalaminhada (combinação de caminhada e escalada em rocha), culminando em uma saída por outra entrada da caverna.A visitação na Caverna Desmoronada ocorre de segunda a domingo. É fundamental ressaltar que a visitação exige reserva antecipada e o acompanhamento obrigatório de um monitor ambiental credenciado. Essa medida visa garantir a segurança dos visitantes e a preservação do ecossistema sensível da caverna, permitindo que o patrimônio natural seja usufruído de forma sustentável.

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Banana Cavendish geneticamente modificada é aprovada na Austrália e Nova Zelândia
Geral28 de out.

Banana Cavendish geneticamente modificada é aprovada na Austrália e Nova Zelândia

Uma nova esperança surge para a produção global de bananas com a aprovação da QCAV-4, uma variedade de banana Cavendish geneticamente modificada para resistir à Raça 4 Tropical (R4T) do fungo Fusarium. A aprovação para consumo humano foi concedida na Austrália e Nova Zelândia, marcando um avanço significativo no combate a uma praga que ameaça a sustentabilidade da fruta mais consumida no mundo.A banana Cavendish, que substituiu a variedade Gros Michel após sua dizimação pelo mal-do-Panamá na década de 1950, tornou-se a base da indústria bananeira global. No entanto, a R4T, uma cepa agressiva do fungo Fusarium oxysporum, surgiu em 1990 e passou a atacar as plantações de Cavendish, causando perdas significativas em diversas partes do mundo. O fungo pode permanecer no solo por mais de 20 anos e não possui cura química eficaz.O que é a Raça 4 Tropical (R4T)?A R4T é uma variante particularmente virulenta do fungo Fusarium oxysporum, responsável pela Murcha de Fusarium, popularmente conhecida como mal-do-Panamá. Essa doença fúngica ataca o sistema vascular da bananeira, impedindo o transporte de água e nutrientes essenciais para a sua sobrevivência. A R4T é especialmente perigosa por sua capacidade de infectar e destruir a variedade Cavendish, que domina o mercado global.No Brasil, a R4T ainda é considerada ausente, mas representa uma ameaça econômica e ambiental significativa, exigindo medidas de vigilância e prevenção.Por que as bananas são tão vulneráveis?A reprodução das bananas por clonagem resulta em uma baixa variação genética entre os frutos. Embora isso garanta a uniformidade, torna toda a população de uma determinada variedade suscetível às mesmas doenças. Se uma planta é infectada, toda a colheita pode ser comprometida.As mudanças climáticas também agravam a situação. O aumento das temperaturas e eventos climáticos extremos afetam países produtores, reduzindo colheitas e destruindo plantações. Relatórios indicam que até 2080, 60% das áreas ideais para o cultivo de bananas podem ser perdidas devido a essas alterações.A esperança na ciência e na genéticaA pesquisa científica tem buscado soluções para a crise iminente. Na Austrália, a Universidade de Tecnologia de Queensland desenvolveu a variante QCAV-4, que demonstrou resistência à R4T em testes de campo. Após cinco ciclos de cultivo, a incidência da doença nas plantas QCAV-4 foi significativamente menor em comparação com os controles não modificados. Agronomicamente, a QCAV-4 é comparável à Cavendish tradicional, mantendo características como peso do cacho e ciclo de produção.Outra frente de pesquisa, a iniciativa Yelloway, anunciou o desenvolvimento de uma banana Cavendish totalmente fértil. A fertilidade permitiria a criação de novas variedades por meio de cruzamentos, aumentando a diversidade genética e a resistência a doenças, o que poderia ser uma alternativa sustentável a longo prazo.O que diz a pesquisaUm estudo publicado na Plant Biotechnology Journal em 2025 detalha a aprovação regulatória da QCAV-4, uma banana Cavendish geneticamente modificada (cv. Grand Nain) resistente à Raça 4 Tropical (R4T) do fungo Fusarium. A variedade foi aprovada para produção comercial e consumo na Austrália. Em testes de campo, a QCAV-4 apresentou uma incidência de doença significativamente reduzida (2%) em comparação com os controles não GM (66% a 84%) após cinco ciclos de cultivo. A avaliação agronômica indicou que a QCAV-4 é comparável à Grand Nain convencional em termos de peso do cacho, rendimento e tempo de ciclo, exceto pela resistência à R4T.Outra pesquisa, publicada na PLOS ONE em 2022, explorou a indução de resistência à R4T em bananas Cavendish através de pré-inoculações com cepas avirulentas de Fusarium. O estudo observou que tratamentos com uma cepa avirulenta da Raça 1 reduziu significativamente o desenvolvimento da doença causada pela R4T. A análise transcriptômica revelou a ativação de vias de defesa vegetal, incluindo as respostas a etileno e jasmonato, e a possível participação de genes do tipo RGA2 na resistência.

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Dieta vegana com pouca gordura promove emagrecimento, aponta estudo
Geral28 de out.

Dieta vegana com pouca gordura promove emagrecimento, aponta estudo

Uma alimentação vegana com redução de gordura, focada em frutas, hortaliças e grãos, demonstrou ser favorável ao emagrecimento em um ensaio clínico publicado na JAMA Network Open. A pesquisa envolveu 244 adultos com sobrepeso, divididos em dois grupos: um seguiu a dieta vegana sem restrição calórica e o outro manteve sua alimentação habitual. Após 16 semanas, apenas o grupo vegano apresentou perda de peso.O estudo sugere que a dieta vegana utilizada continha alimentos de baixa densidade energética, o que significa que ofereciam menos calorias por grama. Isso permitiu aos participantes consumir porções maiores, resultando em uma ingestão calórica total menor, mesmo sem uma meta específica de restrição. O endocrinologista Carlos Minanni, do Einstein Hospital Israelita, ressalta que o emagrecimento depende da composição e qualidade dos alimentos escolhidos, não apenas da adoção do veganismo.O que explica o emagrecimento?Alimentos de baixa densidade energética, comuns em dietas veganas, tendem a ser ricos em fibras e água. Essas características promovem a sensação de saciedade, ajudando no controle do apetite e na redução da ingestão calórica geral. A nutricionista Marcela Worcemann, especializada em alimentação plant-based, destaca que esses alimentos permitem porções generosas sem excesso de calorias.No entanto, a densidade energética não está diretamente ligada à qualidade nutricional. Alimentos como azeite de oliva, castanhas e sementes, apesar de serem de alta densidade energética e concentrarem muitas calorias em pequenas porções, são importantes em uma dieta saudável. A recomendação é atentar para a quantidade consumida desses itens.Equilíbrio e atenção nutricional na dieta veganaA exclusão de produtos de origem animal não garante automaticamente uma alimentação saudável. É possível manter uma dieta vegana baseada em alimentos ultraprocessados, como biscoitos, salgadinhos e doces, que podem conter altas concentrações de gordura, sal e aditivos. Por isso, a leitura atenta dos rótulos é fundamental.No contexto brasileiro, é viável construir uma dieta predominantemente vegetal com alimentos acessíveis e culturalmente relevantes, como a dupla arroz com feijão, que oferece proteína de alta qualidade. Frutas nativas, verduras, legumes e tubérculos também são fontes importantes de compostos benéficos.Nutrientes essenciais e suplementaçãoA variedade de cores no prato é uma dica para garantir um cardápio equilibrado e evitar deficiências nutricionais. Dietas veganas planejadas podem ser nutricionalmente adequadas, mas exigem escolhas conscientes, assim como qualquer outro modelo alimentar. A vitamina B12 é um nutriente que requer atenção especial e pode necessitar de suplementação sob orientação profissional.O aporte de proteína pode ser garantido com o consumo de feijões, leguminosas, sementes, castanhas e cereais como a aveia. Ferro e cálcio também são importantes e podem ser encontrados em fontes vegetais como gergelim, feijão-branco, brócolis e tofu. A combinação de fontes vegetais de ferro com vitamina C, como frutas cítricas, pode aumentar a absorção do mineral. A necessidade de suplementação de ferro ou cálcio deve ser avaliada por um profissional de saúde.É importante lembrar que o veganismo transcende a alimentação, sendo um conceito amplo que busca evitar a exploração animal em todas as esferas da vida.

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Mito sobre pés frios e cólicas menstruais desmistificado pela ciência

A ideia de que andar descalço no chão gelado pode resfriar o útero feminino e, consequentemente, causar dores menstruais é um mito sem comprovação científica. A medicina tradicional chinesa associa o aquecimento dos pés ao "útero quente", mas a ciência moderna explica que as cólicas menstruais têm origens estritamente biológicas, hormonais e anatômicas. Elas são desencadeadas pela produção de prostaglandinas, substâncias inflamatórias que estimulam as contrações do músculo uterino.O corpo humano possui mecanismos eficientes de autorregulação térmica. Os órgãos internos, incluindo o útero, mantêm uma temperatura estável em torno de 36 °C a 37 °C, independentemente das variações de temperatura externa ou do uso de calçados. O útero está localizado na cavidade pélvica e é protegido por isolamento físico e vascular, garantindo sua temperatura.Como o corpo se protege do frio?Em dias frios, o organismo prioriza a manutenção da temperatura dos órgãos vitais e reprodutivos. Isso ocorre através da vasoconstrição periférica, um processo onde os vasos sanguíneos das extremidades, como os pés, se estreitam. Essa ação faz com que os pés fiquem frios, pois o corpo está direcionando o calor para órgãos mais essenciais.O ginecologista e obstetra Sérgio Floriano, docente na Universidade São Judas, explica que o cérebro comanda essa resposta. "É por isso que seus pés ficam frios: o corpo está sacrificando o calor deles para manter o útero aquecido", afirma.Crenças populares versus evidências científicasA associação entre a temperatura das extremidades e a saúde reprodutiva tem raízes em tradições antigas, como a medicina tradicional chinesa, que vê a circulação de energia nas extremidades. Pesquisas recentes têm explorado a percepção do frio e a dor, mas sem estabelecer uma relação direta de causa e efeito.Um estudo observacional de 2023 em Taiwan associou a sensação de extremidades frias à dismenorreia (cólicas menstruais). Outra pesquisa com 419 mulheres ligou o consumo de bebidas geladas no inverno a dores mais intensas em pacientes com sensibilidade térmica. No entanto, a ginecologista e professora Cláudia Lima ressalta a cautela:"São estudos observacionais que identificam associações, mas não demonstram uma relação de causa e efeito."Ela reforça que, até o momento, não há evidências científicas suficientes para comprovar que pés frios resfriam o útero ou causam cólicas.Alívio da dor e sinais de alertaEmbora o frio nos pés não seja a causa das cólicas, a aplicação de calor local na região abdominal para aliviar o desconforto tem respaldo científico. Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2018 confirmou os resultados favoráveis da terapia térmica para o alívio da dismenorreia.Especialistas alertam que crenças populares não devem substituir a investigação médica adequada. Desconfortos intensos que impedem as atividades diárias podem ser indicativos de condições como endometriose, miomas uterinos, adenomiose ou doença inflamatória pélvica."Tomar uma bebida quente ou manter os pés aquecidos são atitudes que podem proporcionar conforto. O problema começa quando uma crença atrasa a procura por atendimento médico", alerta a ginecologista Cláudia Lima.

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Brincadeiras de risco ao ar livre são essenciais para saúde infantil, diz estudo
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Brincadeiras de risco ao ar livre são essenciais para saúde infantil, diz estudo

Brincadeiras que envolvem um certo grau de risco ao ar livre, como correr em ladeiras, subir em árvores e explorar a natureza, são fundamentais para a saúde física e mental de crianças de 3 a 12 anos. Uma análise sistemática realizada pela Universidade de Exeter (UoE), da Inglaterra, em parceria com a Universidade da Colúmbia Britânica, do Canadá, reuniu dados de 74 estudos globais e concluiu que essas atividades contribuem significativamente para o desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas.Além das brincadeiras aventureiras, a pesquisa destacou a importância da mobilidade independente, que se refere à capacidade das crianças de saírem para brincar sem a supervisão constante dos pais. Essa autonomia tende a gerar melhores níveis de atividade física, resultando em menos tempo dedicado a telas e, consequentemente, promovendo um estilo de vida mais saudável.O que diz a pesquisaA análise, publicada na revista científica PLOS One na última segunda-feira (26/10), é uma revisão sistemática que sintetizou evidências sobre as associações entre brincadeiras arriscadas ao ar livre e resultados de saúde em crianças de 3 a 12 anos. Foram avaliados seis domínios de saúde: saúde física, saúde mental e bem-estar, agressividade, aspectos sociais e cognitivos, competência em relação ao risco e lesões. Os resultados indicam que brincadeiras arriscadas e ambientes que as suportam, mobilidade independente e brincadeiras mais agitadas (como luta de mentirinha) estão associadas a desfechos positivos.O perigo da superproteçãoA professora Helen Dodd, diretora do Centro de Pesquisa sobre Brincadeiras ao Ar Livre da Universidade de Exeter, ressalta que, embora a segurança das crianças seja primordial, a superproteção excessiva pode ser prejudicial ao seu desenvolvimento. Privar os pequenos da oportunidade de explorar e avaliar riscos pode limitar importantes aprendizados.“Se negarmos às crianças a oportunidade de se envolverem no tipo de brincadeira que as gerações anteriores consideravam natural, estaremos privando-as de importantes oportunidades de aprendizado ligadas à saúde e ao desenvolvimento infantil”, afirmou Dodd em comunicado.Equilíbrio entre segurança e liberdadeA especialista enfatiza a necessidade de encontrar um equilíbrio entre proteger as crianças e permitir que elas liderem suas próprias brincadeiras, aprendendo com seus erros e desenvolvendo resiliência. A pesquisa sugere que atividades como correr em alta velocidade em ladeiras, escalar árvores, brincar em riachos, simular lutas, se perder momentaneamente e enfrentar elementos naturais (sempre com os devidos cuidados) são benéficas.Essas práticas, consideradas arriscadas por alguns pais, são vistas pelos pesquisadores como essenciais para que as crianças desenvolvam a capacidade de avaliar riscos, tomarem decisões e se tornarem mais confiantes e independentes. A mobilidade independente, por exemplo, está diretamente ligada a um aumento na atividade física e a uma redução no tempo de tela, contribuindo para um bem-estar geral.

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Síndrome de Stevens-Johnson: entenda a rara reação a medicamentos
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Síndrome de Stevens-Johnson: entenda a rara reação a medicamentos

A Síndrome de Stevens-Johnson, descrita pela primeira vez em 1922, é uma reação inflamatória rara e grave que afeta a pele e as mucosas, como as da boca e dos olhos. Geralmente desencadeada por medicamentos, pode provocar bolhas, feridas dolorosas e descamação da pele, configurando uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento imediatos devido ao risco de vida.“A evolução pode ser rápida, em questão de horas ou poucos dias. Por isso, o aparecimento desses sintomas, principalmente após o início recente de um medicamento, exige avaliação médica imediata”, explica Natália Trevizoli, hepatologista do Hospital Sírio-Libanês. A gravidade é classificada pela extensão do descolamento da pele: abaixo de 10% é Stevens-Johnson, e acima de 30% é necrólise epidérmica tóxica.Sintomas e sinais de alertaOs primeiros sinais podem assemelhar-se aos de uma gripe, com febre e mal-estar. Em seguida, surgem lesões na pele e mucosas que se espalham rapidamente. Os principais sintomas incluem febre alta, dor de garganta, tosse, dores articulares, manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele que evoluem para bolhas e feridas dolorosas na boca e lábios, dificultando a deglutição. Lesões nos olhos, dor ao urinar, diarreia, vômitos e dificuldade para respirar também podem ocorrer.A síndrome é geralmente desencadeada por uma reação imprevisível a medicamentos como anticonvulsivantes, analgésicos, antirretrovirais, anti-inflamatórios, antibióticos e medicamentos para gota. Em alguns casos, infecções virais e condições como HIV, câncer ou doenças autoimunes podem aumentar a predisposição.Diagnóstico e tratamentoO diagnóstico é clínico, baseado na avaliação das lesões, exame das mucosas e histórico de uso de medicamentos. Exames de sangue, urina e biópsia de pele podem auxiliar na confirmação e identificação de complicações. O tratamento exige internação hospitalar, suspensão imediata do medicamento suspeito e cuidados intensivos com a pele e mucosas, incluindo hidratação, controle da dor e monitoramento de infecções.“Nos casos mais graves, com descolamento extenso da pele, o paciente precisa de internação em UTI, com cuidados semelhantes aos oferecidos a pacientes com queimaduras. A perda da proteção da pele aumenta o risco de infecções e complicações”, explica Jade Cury, dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo. A avaliação oftalmológica precoce é crucial para prevenir danos à visão.Riscos e sequelasA Síndrome de Stevens-Johnson pode comprometer órgãos vitais como fígado, rins e pulmões, levando à morte em casos graves. As sequelas podem incluir alterações na pigmentação da pele, cicatrizes, úlceras na córnea com perda de visão e aderências genitais. A condição também pode causar ansiedade e estresse pós-traumático, necessitando de acompanhamento multidisciplinar após a alta.

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Maconha: Riscos de longo prazo para pulmões, coração e cérebro
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Maconha: Riscos de longo prazo para pulmões, coração e cérebro

O uso a longo prazo da maconha, também conhecida como cannabis, está associado a uma série de efeitos indesejáveis que afetam principalmente os sistemas respiratório, cardiovascular e cognitivo. Embora a discussão sobre a legalização e os benefícios recreativos ou medicinais da substância continue, é fundamental compreender os riscos à saúde decorrentes do consumo crônico. Efeitos no Sistema Respiratório A fumaça da maconha, assim como a do cigarro comum, contém substâncias tóxicas que prejudicam os brônquios. O uso prolongado pode reduzir o número de células ciliadas na mucosa brônquica, essenciais para a eliminação de secreções, e aumentar a produção de muco. Isso resulta em sintomas como tosse crônica, expectoração e chiado no peito. Embora a falta de ar não seja mais prevalente que em não fumantes, um estudo com mil participantes mostrou que esses sintomas respiratórios podem ser reversíveis com a abstinência. No entanto, o uso de maconha pode levar a um declínio mais pronunciado da função pulmonar, característico da Doença Pulmonar Obstrutiva-Crônica (DPOC), embora o risco de desenvolver a doença pareça ser menor do que no tabagismo comum. A diminuição das defesas locais nas vias aéreas também aumenta o risco de infecções respiratórias, como pneumonias. Riscos Cardiovasculares e Neurológicos O THC, principal composto psicoativo da maconha, pode causar taquicardia. Em homens com histórico de infarto, fumar maconha, mesmo ocasionalmente, pode desencadear dores no peito. Pesquisas indicam que o uso regular, mesmo menos de uma vez por semana, aumenta em 2,5 vezes o risco de infarto, e o uso frequente eleva esse risco para 4,2 vezes. Os infartos associados ao uso de maconha parecem estar ligados a espasmos vasculares, que interrompem o fluxo coronariano. Relatos também apontam para casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico em jovens, onde o uso de maconha foi o único fator de risco identificado. Os mecanismos envolvidos incluem variações na pressão arterial e vasoespasmos, que tendem a desaparecer após alguns meses de abstinência. Dependência, Câncer e Função Cognitiva A dependência de maconha é um risco real, especialmente para quem inicia o uso na adolescência, com taxas de risco que variam entre 16% e 50% para usuários diários. Os sintomas de abstinência incluem ansiedade, insônia e depressão. O uso crônico pode levar a tolerância, exigindo doses maiores e aumentando a probabilidade de complicações a longo prazo. Embora o THC não seja carcinogênico, as substâncias tóxicas da fumaça podem aumentar o risco de câncer nas vias aéreas, boca, esôfago e bexiga, com uma relação mais consistente com o câncer de pulmão, especialmente quando associado ao uso de cigarro comum e álcool. O uso regular e prolongado de maconha também pode causar déficits de atenção, aprendizado verbal e memória. Estudos de ressonância magnética mostram alterações no hipocampo, córtex pré-frontal e cerebelo, áreas cruciais para funções cognitivas. O que diz a pesquisa Um estudo publicado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine em 2022, com 1.037 participantes acompanhados até os 45 anos, investigou os efeitos do uso de cannabis e tabaco na função pulmonar. A pesquisa, do tipo coorte, revelou que o uso cumulativo de cannabis foi associado a volumes pulmonares mais altos, sugerindo hiperinflação, e a um aumento na resistência das vias aéreas maiores e fluxo expiratório médio mais baixo. O estudo concluiu que esses efeitos são distintos dos observados com o tabaco e que o uso de cannabis pode prejudicar a transferência de gases nos pulmões.

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Estudo sugere menor risco de suicídio com tirzepatida em pacientes com depressão e obesidade
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Estudo sugere menor risco de suicídio com tirzepatida em pacientes com depressão e obesidade

Um estudo publicado na revista científica Translational Psychiatry, do grupo Nature, sugere que o uso de tirzepatida (comercializada como Mounjaro) pode estar associado a um risco menor de ideação suicida em pacientes com sobrepeso ou obesidade e diagnóstico de depressão maior. A pesquisa analisou prontuários eletrônicos de 172 instituições de saúde na rede TriNetX, comparando pacientes que iniciaram tratamento com tirzepatida com aqueles que usaram medicamentos mais antigos para emagrecer, como fentermina, orlistate, topiramato, naltrexona ou bupropiona.O que o estudo encontrouApós um pareamento estatístico que selecionou 24.103 pacientes em cada grupo, com idade média de 50 anos e índice de massa corporal (IMC) próximo de 40, os pesquisadores observaram que, em seis meses, pensamentos suicidas foram registrados em 0,15% dos usuários de tirzepatida contra 0,29% no grupo comparativo. Isso representa uma redução de 37% no risco relativo. O padrão de menor risco se manteve em análises de um e dois anos.Além disso, novos registros de ansiedade apareceram em 26,5% dos usuários de tirzepatida contra 35% no grupo comparado (risco 17% menor). A insônia foi registrada em 6,8% contra 8,6%. Internações ou idas ao pronto-socorro somaram 8,9% contra 11,3%. As mortes por qualquer causa foram significativamente menores no grupo da tirzepatida, com 0,12% contra 0,38%, uma redução de 62%.Cautelas e limitações do estudoOs próprios autores do estudo observacional ressaltam que ele demonstra associação, e não causalidade. Uma queda de 62% nas mortes em seis meses é considerada muito expressiva para ser atribuída apenas ao medicamento, sugerindo que pacientes que recebem tirzepatida podem ter melhor acesso a cuidados médicos e acompanhamento em geral. A meta-análise com mais de 71 mil participantes de estudos controlados mostrou uma redução de 12% na mortalidade com essa classe de medicamentos.A diferença na perda de peso entre os grupos foi modesta (pouco mais de meio ponto no IMC), o que também não explica totalmente os resultados. Ademais, pacientes em crise recente de saúde mental ou com pensamentos suicidas ativos foram excluídos do estudo, limitando a aplicabilidade dos resultados para casos de depressão grave e instável.O que diz a pesquisaUm estudo publicado na revista científica Frontiers in Psychiatry em 2025, utilizando dados da rede TriNetX US Collaborative Network de maio de 2022 a abril de 2024, analisou a associação entre tirzepatida e o risco de suicídio em uma coorte de pacientes com sobrepeso ou obesidade. A pesquisa incluiu 226.060 pacientes, com 29% tendo diabetes tipo 2. Após pareamento estatístico, 16.321 pares foram comparados. Os resultados indicaram que a tirzepatida foi associada a um risco 48% menor de ideação ou tentativas de suicídio (aHR: 0.52, 95% CI: 0.28–0.91; P=0.001) em comparação com outros medicamentos para obesidade. Análises de subgrupos mantiveram a tendência de menor risco. Os autores destacam a natureza observacional do estudo, que impede conclusões definitivas sobre causalidade.Contexto regulatório e acesso no BrasilO temor inicial sobre o risco de pensamentos suicidas associados a medicamentos para obesidade tem diminuído. Em janeiro de 2026, a FDA (agência reguladora dos EUA) solicitou a retirada do alerta sobre suicídio das bulas de alguns medicamentos após revisão que não encontrou aumento de risco. Em 2025, outra análise com mais de 16 mil pacientes já havia associado a tirzepatida a um risco 48% menor de ideação ou tentativa de suicídio.No Brasil, a tirzepatida foi aprovada pela Anvisa para diabetes tipo 2 em 2023 e para obesidade em junho de 2025. O medicamento exige retenção de receita, não está disponível no SUS e tem um custo mensal superior a mil reais, o que restringe seu acesso.Recomendações para pacientesPara pacientes que convivem com obesidade e depressão, a mensagem principal é de tranquilidade quanto à segurança do medicamento, mas não de resolução completa do problema. É fundamental que a tirzepatida não substitua o tratamento psiquiátrico, e nenhum paciente deve interromper o uso de antidepressivos por conta própria. Qualquer alteração no humor durante o tratamento deve ser comunicada imediatamente ao médico. O cuidado integrado da saúde metabólica e mental continua sendo a abordagem mais recomendada.

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Crise climática é emergência de saúde global, alerta relatório da Lancet
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Crise climática é emergência de saúde global, alerta relatório da Lancet

O décimo relatório da comissão Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas classificou a crise climática como uma emergência de saúde global, demandando ações efetivas para conter cenários críticos para a humanidade. O documento, divulgado na terça-feira, 27, cita o crescimento acelerado dos danos à saúde causados pela desregulação do clima, como o aumento de 36% nas mortes associadas ao calor na última década e episódios de seca que impactam a segurança alimentar.A coalizão de 146 pesquisadores de mais de 100 instituições em 30 países observou que os impactos à saúde foram mais expressivos no período de 2016 a 2025, após o Acordo de Paris (2015), do que na década anterior (2006-2015). Em 2023, foram registrados 710.000 óbitos por calor, sendo 70% relacionados ao caos climático causado por ações humanas. Desde 2023, 80% das áreas terrestres do mundo apresentam alterações nos padrões de água subterrânea, afetando a segurança alimentar e o saneamento, inclusive em temporadas úmidas.Danos à saúde superam resposta global“Uma década após o Acordo de Paris, nossas conclusões são inequívocas: os danos à saúde causados ​​pelas mudanças climáticas estão aumentando mais rapidamente do que a resposta global a eles e, em muitos casos, até mesmo se acelerando”, afirmou Marina Romanello, diretora-executiva do Lancet Countdown, sediado na Universidade College London (UCL). O relatório defende que as decisões sobre mudanças climáticas sejam norteadas pela saúde, considerando os impactos observados em cada indicador de melhoria e nos financiamentos.Os pesquisadores reconhecem a mobilização dos sistemas de saúde, com 56 dos 194 Estados-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) possuindo planos nacionais de adaptação. Houve também um incremento de 7,2% nos investimentos globais em energia limpa em 2023, atingindo US$ 2,1 trilhões, valor 82% superior aos US$ 1,16 trilhão investidos em combustíveis fósseis.Ação climática centrada na saúde funciona, mas em ritmo insuficienteEm 77 países onde a poluição do ar resultante de combustíveis fósseis caiu desde 2016, foram prevenidas 323.000 mortes por ano. “Uma década depois, temos provas de que a ação climática centrada na saúde funciona: ar mais limpo, sistemas de saúde mais resilientes e sistemas de alerta estão protegendo a saúde e salvando vidas em todo o mundo”, declarou Anthony Costello, copresidente do Lancet Countdown.No entanto, Costello ressalta que “o ritmo e a escala da redução de emissões ainda estão totalmente desproporcionais ao ritmo e à escala dos danos”. O relatório, que acompanha a implementação do Acordo de Paris, busca limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C ou mantê-lo abaixo de 2 °C.

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Dieta com mais proteína vegetal pode aumentar testosterona em homens
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Dieta com mais proteína vegetal pode aumentar testosterona em homens

Um estudo conduzido por cientistas finlandeses, publicado em setembro na revista International Journal of Food Sciences and Nutrition, indica que homens com uma dieta mais rica em proteínas de origem vegetal tendem a apresentar níveis de testosterona mais elevados em comparação com aqueles que consomem predominantemente proteínas animais.A pesquisa analisou dados de 2.546 homens com idades entre 42 e 60 anos, residentes na Finlândia. Os participantes foram divididos em quatro grupos com base na ingestão de proteína. Os resultados mostraram que os homens que consumiam mais fontes animais de proteína tinham, em média, 1,2 nmol/L a menos de testosterona do que aqueles que comiam menos. Por outro lado, entre os que preferiam proteína vegetal, os que consumiam mais apresentaram níveis 1,2 nmol/L superiores em comparação com os que ingeriam menos.O que diz a pesquisaO estudo, publicado na International Journal of Food Sciences and Nutrition em setembro, investigou as associações entre diferentes fontes de proteína e as concentrações de testosterona em homens. A pesquisa, que incluiu 2.546 homens finlandeses com idade média de 53 anos, utilizou dados do Kuopio Ischaemic Heart Disease Risk Factor Study (KIHD). Os achados indicam que um maior consumo de proteína total e de proteína animal, assim como uma maior proporção de proteína animal em relação à vegetal, foram associados a menores concentrações de testosterona total e de globulina de ligação a hormônios sexuais (SHBG). Em contrapartida, o consumo de proteína vegetal mostrou associações positivas com esses marcadores. Especificamente, no grupo com maior ingestão de proteína animal em comparação com o menor, a testosterona total foi 1,2 nmol/L menor e a SHBG foi 3,0 nmol/L menor.Os pesquisadores também observaram que o consumo de proteína de laticínios (total, fermentado e não fermentado) e de carne foi associado a menores concentrações de testosterona e SHBG. Por outro lado, a proteína de ovos ou peixe não apresentou associações estatisticamente significativas após ajuste multivariado. A proteína de grãos mostrou associações positivas modestas com a testosterona total e SHBG.Considerações sobre os resultadosApesar das descobertas estatisticamente significativas, os pesquisadores ressaltam que as diferenças observadas nas concentrações de testosterona foram relativamente pequenas. O pesquisador Miika Wynne-Ellis, um dos autores do estudo, afirmou que, com base nesta pesquisa, não é possível inferir se essas diferenças trazem implicações concretas para a saúde masculina. Os cientistas levaram em consideração fatores como estilo de vida, índice de massa corporal, outros aspectos da dieta e condições de saúde, mas enfatizam que a fonte de proteína não pode ser apontada como a única responsável pelas variações hormonais.Próximos passosO estudo é de natureza transversal, o que significa que não permite estabelecer relações de causa e efeito. Para confirmar se a dieta tem um papel causal nos níveis de testosterona e se essas alterações têm impacto na saúde, são necessários mais estudos, incluindo ensaios clínicos randomizados. A pesquisa original foi publicada na International Journal of Food Sciences and Nutrition.

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Cigarro eletrônico causa danos a vasos e DNA em uso único, diz estudo
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Cigarro eletrônico causa danos a vasos e DNA em uso único, diz estudo

Um único uso de cigarros eletrônicos, também conhecidos como produtos de tabaco aquecido (HTPs), já é suficiente para causar danos agudos aos vasos sanguíneos e ao DNA de usuários saudáveis. A constatação é de um estudo publicado na revista European Journal of Preventive Cardiology, que desafia as alegações de que esses dispositivos seriam alternativas de menor risco em comparação com cigarros convencionais.A pesquisa, conduzida por cientistas do Centro Médico Universitário de Mainz, na Alemanha, analisou os efeitos de uma única exposição a um HTP em um grupo de 30 adultos fumantes saudáveis, com idade média de 34 anos. Os pesquisadores coletaram amostras de sangue, mediram a pressão arterial e avaliaram o funcionamento dos vasos sanguíneos antes e depois do uso do dispositivo.O que a pesquisa encontrouOs resultados revelaram alterações significativas após o uso do cigarro eletrônico. A pressão arterial sistólica dos participantes aumentou em uma média de três mmHg. A função dos vasos sanguíneos, medida pela dilatação da artéria braquial, diminuiu em 11%, indicando disfunção vascular aguda. Além disso, o fornecimento de oxigênio no corpo caiu de 71% para cerca de 46%.Outra descoberta preocupante foi a identificação de danos ao DNA das células sanguíneas. As células apresentaram resposta de “estresse oxidativo”, um sinal de que estavam tentando se defender de agressões químicas. Esses achados sugerem que o HTP não é biologicamente inerte e que mesmo uma exposição curta pode desencadear respostas negativas no organismo.O que diz a pesquisaUm estudo publicado no European Journal of Preventive Cardiology em 2026 investigou os efeitos cardiovasculares e metabólicos agudos dos produtos de tabaco aquecido (HTPs) em fumantes saudáveis. A pesquisa, que utilizou um desenho de estudo pré-pós dentro do mesmo indivíduo, supervisionou a exposição de adultos fumantes saudáveis a dois cigarros eletrônicos consecutivos. Os resultados demonstraram que a exposição aguda a HTPs resultou em uma redução significativa da função endotelial (medida pela dilatação mediada por fluxo da artéria braquial), indicando disfunção vascular rápida. Isso foi acompanhado por um aumento na pressão arterial sistólica, redução na tensão e saturação de oxigênio venoso, e aumento de dióxido de carbono venoso, consistente com comprometimento da oxigenação tecidual. Níveis de metemoglobina aumentaram, refletindo modificação oxidativa da hemoglobina, enquanto alterações metabólicas em glicose e lactato sugeriram estresse simpático e metabólico mediado pela nicotina. Importante notar que o uso de HTP a curto prazo induziu danos significativos ao DNA oxidativo em células sanguíneas periféricas. Esses efeitos ocorreram após uma única exposição em tempo real em fumantes saudáveis.Implicações e próximos passosA principal autora do estudo, Lea Strohm, do Centro Médico Universitário de Mainz, destacou que os resultados desafiam as alegações de que os HTPs são menos prejudiciais. “Nossos resultados demonstram que a exposição aguda foi suficiente para induzir disfunção vascular, distúrbios metabólicos e danos genéticos em fumantes saudáveis”, afirmou Strohm.Esses achados são particularmente relevantes em um contexto onde os HTPs são cada vez mais promovidos como alternativas de menor risco aos cigarros tradicionais. A pesquisa sugere que a percepção de segurança desses produtos pode ser equivocada, e que consumidores podem estar subestimando os riscos imediatos à saúde cardiovascular e celular.

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Estudo sugere que cometas podem não ter sido fonte principal de molécula para origem da vida
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Estudo sugere que cometas podem não ter sido fonte principal de molécula para origem da vida

Uma hipótese antiga sobre a origem da vida na Terra sugere que cometas poderiam ter trazido do espaço moléculas essenciais para o surgimento dos primeiros organismos. No entanto, um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, publicado na revista científica "Scientific Reports", lança dúvidas sobre a eficácia desse mecanismo. As simulações realizadas indicam que a entrega de cianeto de hidrogênio (HCN) — uma molécula crucial para a formação de açúcares, gorduras e componentes do DNA e RNA — por cometas pode ter sido muito menos provável do que se imaginava.Condições específicas para a sobrevivência do HCNO cianeto de hidrogênio é uma molécula orgânica encontrada em cometas, o que há décadas alimentou a ideia de que impactos ocorridos há bilhões de anos poderiam ter fornecido matéria-prima para a química precursora da vida. O novo trabalho, contudo, aponta que uma combinação muito específica de condições seria necessária para que o HCN chegasse à superfície da Terra sem ser destruído. O cometa precisaria sobreviver à passagem pela atmosfera e atingir o planeta em velocidade e ângulo favoráveis.Mesmo nessas condições ideais, parte da molécula poderia ser destruída pelo calor e pela pressão gerados no impacto. "Nossos modelos mostram que os cometas, em geral, atingem a Terra rápido demais e em ângulos muito íngremes para que essas moléculas sobrevivam ao impacto. Isso sugere que eles provavelmente não tiveram um papel importante na origem da vida", explicou ao g1 Richard Anslow, pesquisador da Universidade de Cambridge e autor do estudo.Resultados das simulações e diluição da moléculaNas simulações, a maioria dos cenários não conseguiu produzir concentrações de HCN consideradas suficientes para alimentar as reações químicas estudadas em laboratório. Mesmo em condições escolhidas para favorecer a hipótese, mais da metade das simulações não registrou nenhum impacto capaz de entregar a molécula na concentração analisada pelos autores. Além disso, mesmo quando o HCN sobrevivesse ao impacto, ele poderia ser rapidamente diluído pela água presente no ambiente, reduzindo ainda mais o tempo disponível para que participasse de reações químicas relevantes.Estudo não descarta totalmente a participação cometáriaApesar das conclusões, os próprios autores e especialistas ouvidos pelo Science Media Centre España pedem cautela na interpretação. O estudo se concentra principalmente na entrega direta e intacta de HCN em grandes concentrações, não sendo possível excluir completamente a possibilidade de que algum impacto particularmente favorável tenha conseguido levar a molécula à Terra. O astrobiólogo César Menor Salván, professor da Universidade de Alcalá, ressalta que o trabalho não demonstra a ausência de contribuição cometária para a origem da vida, mas sim a baixa probabilidade de um mecanismo específico.Menor Salván e o geólogo planetário Jesús Martínez Frías destacam que os cometas carregam diversas outras substâncias orgânicas e que os impactos podem desencadear reações químicas e criar ambientes favoráveis. A pesquisa foca no HCN e não avalia de forma ampla outros compostos orgânicos ou o papel da água transportada por cometas. Os pesquisadores também observaram que Marte teria sido um alvo mais favorável que a Terra para a chegada de HCN intacto, devido à sua atmosfera mais fina e menores velocidades de impacto, embora isso não signifique que a vida tenha surgido lá.

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Estudo aponta que "A Noite Estrelada" de Van Gogh retrata constelação de Touro
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Estudo aponta que "A Noite Estrelada" de Van Gogh retrata constelação de Touro

Um novo estudo publicado na revista Scientific Reports sugere que a icônica pintura "A Noite Estrelada" de Vincent Van Gogh retrata o aglomerado estelar das Híades, localizado na constelação de Touro. A pesquisa, liderada pelo pesquisador espacial Elijah Jeong-hyun Kim, utiliza um software de análise de forma para identificar padrões estelares na obra, oferecendo uma nova perspectiva sobre a data e o local de sua criação.Van Gogh produziu "A Noite Estrelada" durante sua internação voluntária no asilo psiquiátrico Saint-Paul-de-Mausole, na França, em maio de 1889. A obra, criada a partir da vista de seu quarto, tem sido objeto de debate entre especialistas há mais de um século: se seria uma representação fiel do céu noturno ou uma criação imaginativa do artista. Relatos indicam que o pintor teria iniciado a obra pouco antes do amanhecer, mencionando a observação de uma grande estrela, que ele identificou como Vênus.Evidências astronômicas para a dataçãoO estudo de Kim e sua equipe baseia-se na análise da posição das estrelas e da fase da Lua retratadas na pintura. Anteriormente, a constelação associada à obra era Áries, em parte devido a uma carta de Van Gogh ao seu irmão Theo, datada de 18 de junho de 1889, onde ele menciona a observação da Estrela d’Alva (Vênus). No entanto, os pesquisadores apontam que, em meados de junho, a Lua na pintura não corresponderia à fase crescente fina retratada, mas sim a uma Lua mais cheia, observada em 22 de julho de 1889.A análise de forma, realizada com o software Procrustes, comparou as posições relativas de cinco estrelas na pintura com as de diferentes constelações. O aglomerado das Híades, em Touro, apresentou o melhor ajuste estatístico, superando a associação anterior com Áries. Kim destaca que as estrelas de Áries são menos brilhantes e menos propensas a inspirar um artista ao amanhecer, período em que Van Gogh costumava observar o céu.O vilarejo e a inspiração de Van GoghA pintura "A Noite Estrelada" também inclui um vilarejo que, segundo relatos, foi adicionado por Van Gogh, inspirado em paisagens de sua infância na Holanda. Essa adição sugere que a obra não é uma representação puramente literal do céu noturno observado em Saint-Rémy-de-Provence, mas uma fusão de observação e memória. A menção de Van Gogh a um "novo estudo" do céu estrelado em suas cartas pode indicar que a pintura foi desenvolvida ao longo de várias sessões, com observações estendendo-se até o final de julho.A pesquisa de Kim reforça a ideia de que "A Noite Estrelada" é uma obra complexa, que combina a observação astronômica precisa com a expressão artística e as memórias do pintor. A identificação das Híades como a constelação retratada oferece um novo ponto de partida para a compreensão da relação entre a ciência e a arte na obra de Van Gogh.

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