Retinopatia diabética: CBO lança campanha para alertar sobre perda visual

Destaques
- •Uma em cada três pessoas com diabetes no Brasil pode desenvolver retinopatia diabética, causa evitável de cegueira.
- •Campanha '24 Dias pelo Diabetes' foca em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da doença ocular.
- •CBO reforça a importância do exame oftalmológico regular, mesmo sem sintomas, para evitar a perda de visão.
Uma em cada três pessoas com diabetes no Brasil tem o risco de desenvolver retinopatia diabética, uma das principais causas de perda visual evitável entre adultos em idade produtiva. Para conscientizar a população sobre a doença, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançou a campanha “24 Dias pelo Diabetes”, que se estende até o fim de novembro. A iniciativa visa alertar sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da condição ocular.
A retinopatia diabética ocorre quando níveis elevados de açúcar no sangue, ao longo dos anos, danificam os pequenos vasos sanguíneos da retina. Segundo a presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, as alterações podem evoluir silenciosamente, atrasando o diagnóstico. "Estamos falando de uma doença que cega, mutila e tira muitas pessoas do mercado de trabalho", afirmou, destacando o grave impacto na saúde pública e nas políticas econômicas e do INSS.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado em 2024 no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, intitulado "Retinopatia Diabética: uma revisão sistemática, do panorama da doença ao tratamento", aponta que a retinopatia diabética (RD) é uma das principais causas de perda visual em adultos entre 25 e 74 anos. A condição resulta da hiperglicemia crônica, que danifica a retina e pode levar a hemorragias e descolamento de retina. A detecção precoce e o manejo adequado, com exames como a fotografia do fundo do olho e a tomografia de coerência óptica (OCT), são cruciais para prevenir a perda visual. O tratamento envolve controle sistêmico da glicemia, pressão arterial e lipídios, além de terapias como injeções anti-angiogênicas e fotocoagulação a laser.
Riscos e Prevenção
Os dados do CBO indicam que a retinopatia diabética atinge entre 24% e 39% das pessoas com diabetes no Brasil. O risco aumenta com o tempo de diagnóstico da doença; após 20 anos, cerca de 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 60% com tipo 2 já apresentam algum grau de retinopatia. No entanto, com diagnóstico e tratamento precoces, o risco de cegueira pode ser reduzido para menos de 5%.
A orientação do CBO é que pessoas com diabetes incluam visitas regulares ao oftalmologista em sua rotina, mesmo na ausência de sintomas. O exame de fundo de olho, que pode incluir a dilatação das pupilas, é fundamental para identificar alterações precocemente. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retinopatia Diabética, do Ministério da Saúde, recomenda o exame no momento do diagnóstico para diabetes tipo 2, cinco anos após o diagnóstico para adultos com diabetes tipo 1, e até cinco anos após o início da doença ou no começo da puberdade para crianças e adolescentes.
Para gestantes com diabetes ou que planejam engravidar, a avaliação oftalmológica é necessária a cada trimestre da gestação e no primeiro ano pós-parto. Pacientes sem retinopatia ou com forma leve costumam ter acompanhamento anual, enquanto casos moderados ou graves exigem revisões mais frequentes.
Cuidados Essenciais e Assistência
Fora do consultório, a prevenção da retinopatia diabética passa pelo controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial. O CBO lista hábitos saudáveis como o consumo de fibras, verduras e legumes, a redução de açúcar, sal, embutidos e ultraprocessados, a evitação do fumo e álcool em excesso, a manutenção de um peso saudável, sono adequado e momentos de lazer.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o atendimento inicial ocorre em unidades básicas de saúde ou pela Estratégia Saúde da Família, com encaminhamento para especialistas via regulação municipal ou estadual. Em planos de saúde, o paciente agenda consulta com oftalmologista credenciado, com cobertura prevista pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para diversos exames e procedimentos oculares.
"O que a gente quer é ampliar o acesso e fazer com que os pacientes sejam examinados, para que possamos acompanhá-los por meio do médico, do endocrinologista e também do oftalmologista", concluiu Maria Auxiliadora.
Pesquisa citada
- Retinopatia Diabética: uma revisão sistemática, do panorama da doença ao tratamento
Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences · 2024
Matérias originais
- Retinopatia: doença ocular afeta um em cada três diabéticos · agenciabrasil.ebc.com.br



