
DIs e Ibovespa sofrem com fuga de Flávio Bolsonaro e incertezas fiscais
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) de longo prazo e o Ibovespa voltaram a sofrer pressão de alta e queda, respectivamente, nesta quarta-feira (28), influenciados pelo noticiário político brasileiro e pela aceleração dos rendimentos dos Treasuries no exterior. A fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, após descumprir ordem judicial para entregar seus passaportes, intensificou a sensibilidade do mercado, que teme atritos entre Brasil e EUA e o impacto na economia.Profissionais ouvidos pela Reuters apontam que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus desdobramentos mantêm o mercado sujeito à volatilidade. Na segunda-feira, as taxas dos DIs dispararam mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos, reagindo negativamente à vitória de Lula sobre o candidato preferido do mercado financeiro. O receio principal é que, com Lula no Planalto, haja mais dificuldades para o equilíbrio das contas públicas.Intervenções e risco fiscalO Tesouro Nacional tentou conter a disparada das taxas dos títulos públicos com intervenções que somaram R$ 31,6 bilhões entre segunda (26) e terça-feira (27). Essa ação trouxe alguma estabilidade, mas não arrefeceu a força de subida das taxas. Analistas alertam para a possibilidade de uma reversão na queda dos prêmios de risco fiscal, que ocorreu após o primeiro turno, quando o mercado contava com a perspectiva de um novo governo mais preocupado com as contas públicas.Com a vitória de Lula, o mercado passou a reincorporar o prêmio de risco fiscal nos preços. O retorno do Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, ainda está longe do pico do ano antes do primeiro turno. O Tesouro Prefixado 2032 já iguala a maior taxa do ano antes das eleições, ocorrida em fevereiro.O que pode dar certo e o que esperarAs taxas elevadas podem, em algum momento, atrair investidores interessados em travar retornos acima da média histórica. A possibilidade de o governo sinalizar ajustes fiscais, mesmo que tímidos, pode ajudar a melhorar o cenário dos títulos. Analistas do JPMorgan e Goldman Sachs apontam a possibilidade de adaptação do mercado e a adoção de medidas modestas para conter gastos, possivelmente acompanhadas de aumento da carga tributária.No entanto, o mercado entrou em um "modo de espera" por sinalizações sobre a equipe econômica, especialmente o Ministério da Fazenda. A escolha de um nome com capacidade de execução e boa interlocução com o Congresso é crucial. A "sombra" de um cenário de dominância fiscal, com juros elevados por mais tempo e desancoragem das expectativas de inflação, também preocupa os investidores.Câmbio e investimentos segurosPara o câmbio, a projeção da Armor Capital é de dólar entre R$ 5,40 e R$ 5,50 até o final de 2026, beneficiado por fatores externos como os altos preços do petróleo. Contudo, riscos domésticos, como a falta de sinais convincentes de ajuste fiscal, podem levar o dólar a subir além da faixa projetada.Em meio à turbulência, títulos indexados à Selic, como o Tesouro Selic e o Tesouro Reserva, são considerados portos seguros devido à sua baixa volatilidade e retorno atrelado à taxa básica de juros. A expectativa de juros mais altos por mais tempo, conforme projeções de analistas, favorece esses papéis, que podem oferecer um retorno bruto de cerca de 1% ao mês em 2027.


