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Abrafarma: 71% de anúncios de emagrecedores no Mercado Livre têm irregularidades

30 de outubro de 2026
Abrafarma: 71% de anúncios de emagrecedores no Mercado Livre têm irregularidades

Destaques

  • •Associação monitorou 2.624 anúncios de produtos para emagrecer no Mercado Livre e encontrou indícios de irregularidades em 71% deles.
  • •As falhas mais comuns incluem promessas de efeitos medicamentosos para suplementos, informações incompletas sobre a composição e nomes similares a medicamentos conhecidos.
  • •A Abrafarma entregará o levantamento à Anvisa e defende a retirada de produtos irregulares e maior rastreabilidade.

Um levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) identificou indícios de irregularidades em 1.865 dos 2.624 anúncios de produtos para emagrecer analisados no Mercado Livre. O percentual representa 71% da amostra, coletada entre 15 e 19 de junho de 2026.

Entre os problemas encontrados nos anúncios, que foram confrontados com normas sanitárias e termos de uso da plataforma, destacam-se promessas de efeitos medicamentosos para suplementos, informações incompletas sobre a composição e nomes semelhantes aos de medicamentos conhecidos, como "Monjauro de Pobre", "Ozempik", "Monjaru" e "Ozemcaps". A associação também registrou promessas de perda de peso expressiva em curtos períodos, como cinco quilos em sete dias.

Suplementos não são medicamentos

Nove em cada 10 anúncios avaliados (2.362) foram classificados como suplementos alimentares, e 70% deles apresentaram alguma irregularidade. A mais frequente foi a promessa de efeito terapêutico ou medicamentoso, presente em 1.141 anúncios.

“Suplemento alimentar não é medicamento. O consumidor não pode comprar um suplemento acreditando que está levando para casa um produto com efeito medicamentoso”, afirma Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma. Ele ressalta que suplementos complementam a alimentação, enquanto medicamentos aprovados para obesidade têm segurança e eficácia avaliadas e exigem prescrição e acompanhamento.

Riscos e falta de segurança

O monitoramento também enquadrou 950 anúncios no critério "produto não seguro, origem ilícita ou atividade ilegal". Cerca de 70% desses casos envolviam a ausência de declaração da fórmula. A falta de informações sobre ingredientes e quantidades impede a avaliação da segurança e de possíveis interações com outros medicamentos, podendo levar a efeitos adversos como palpitações, aumento da pressão arterial e lesões no fígado, segundo o nutricionista e sanitarista Clayton Personnaz.

Foram encontrados ainda 260 anúncios com composição declarada que incluía substâncias não autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para suplementos, como sene, cáscara-sagrada, garcínia cambogia e berberina. O uso de laxantes, como sene e cáscara-sagrada, para perda de gordura foi desaconselhado, pois atuam no intestino grosso, eliminando água e fezes, e não gordura, podendo causar cólicas, desidratação e perda de minerais.

O que diz o Mercado Livre e próximos passos

Em nota, o Mercado Livre afirmou que mantém regras de publicação e monitoramento, com equipes especializadas para identificar e retirar produtos que contrariem suas políticas ou as normas aplicáveis. A empresa declarou que 99,7% das infrações aos seus Termos e Condições são barradas proativamente com inteligência artificial e que removerá anúncios que violem suas regras.

A Abrafarma defende a retirada de produtos irregulares, rastreabilidade e respostas rápidas das plataformas. O levantamento será entregue à Anvisa. É importante notar que a análise não envolveu compra de produtos, análise laboratorial ou inspeção física, portanto, os resultados não comprovam a composição real dos itens nem representam todos os anúncios da plataforma.

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