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Estudo sugere menor risco de suicídio com tirzepatida em pacientes com depressão e obesidade

28 de outubro de 2026
Estudo sugere menor risco de suicídio com tirzepatida em pacientes com depressão e obesidade

Destaques

  • •Novo estudo observacional indica que tirzepatida pode estar associada a um risco menor de ideação suicida em pacientes com depressão e obesidade.
  • •A pesquisa, publicada na Translational Psychiatry, analisou prontuários eletrônicos e comparou tirzepatida com medicamentos mais antigos para emagrecer.
  • •Especialistas alertam para a natureza associativa do estudo e a necessidade de cautela, reforçando que a medicação não substitui o tratamento psiquiátrico.

Um estudo publicado na revista científica Translational Psychiatry, do grupo Nature, sugere que o uso de tirzepatida (comercializada como Mounjaro) pode estar associado a um risco menor de ideação suicida em pacientes com sobrepeso ou obesidade e diagnóstico de depressão maior. A pesquisa analisou prontuários eletrônicos de 172 instituições de saúde na rede TriNetX, comparando pacientes que iniciaram tratamento com tirzepatida com aqueles que usaram medicamentos mais antigos para emagrecer, como fentermina, orlistate, topiramato, naltrexona ou bupropiona.

O que o estudo encontrou

Após um pareamento estatístico que selecionou 24.103 pacientes em cada grupo, com idade média de 50 anos e índice de massa corporal (IMC) próximo de 40, os pesquisadores observaram que, em seis meses, pensamentos suicidas foram registrados em 0,15% dos usuários de tirzepatida contra 0,29% no grupo comparativo. Isso representa uma redução de 37% no risco relativo. O padrão de menor risco se manteve em análises de um e dois anos.

Além disso, novos registros de ansiedade apareceram em 26,5% dos usuários de tirzepatida contra 35% no grupo comparado (risco 17% menor). A insônia foi registrada em 6,8% contra 8,6%. Internações ou idas ao pronto-socorro somaram 8,9% contra 11,3%. As mortes por qualquer causa foram significativamente menores no grupo da tirzepatida, com 0,12% contra 0,38%, uma redução de 62%.

Cautelas e limitações do estudo

Os próprios autores do estudo observacional ressaltam que ele demonstra associação, e não causalidade. Uma queda de 62% nas mortes em seis meses é considerada muito expressiva para ser atribuída apenas ao medicamento, sugerindo que pacientes que recebem tirzepatida podem ter melhor acesso a cuidados médicos e acompanhamento em geral. A meta-análise com mais de 71 mil participantes de estudos controlados mostrou uma redução de 12% na mortalidade com essa classe de medicamentos.

A diferença na perda de peso entre os grupos foi modesta (pouco mais de meio ponto no IMC), o que também não explica totalmente os resultados. Ademais, pacientes em crise recente de saúde mental ou com pensamentos suicidas ativos foram excluídos do estudo, limitando a aplicabilidade dos resultados para casos de depressão grave e instável.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Psychiatry em 2025, utilizando dados da rede TriNetX US Collaborative Network de maio de 2022 a abril de 2024, analisou a associação entre tirzepatida e o risco de suicídio em uma coorte de pacientes com sobrepeso ou obesidade. A pesquisa incluiu 226.060 pacientes, com 29% tendo diabetes tipo 2. Após pareamento estatístico, 16.321 pares foram comparados. Os resultados indicaram que a tirzepatida foi associada a um risco 48% menor de ideação ou tentativas de suicídio (aHR: 0.52, 95% CI: 0.28–0.91; P=0.001) em comparação com outros medicamentos para obesidade. Análises de subgrupos mantiveram a tendência de menor risco. Os autores destacam a natureza observacional do estudo, que impede conclusões definitivas sobre causalidade.

Contexto regulatório e acesso no Brasil

O temor inicial sobre o risco de pensamentos suicidas associados a medicamentos para obesidade tem diminuído. Em janeiro de 2026, a FDA (agência reguladora dos EUA) solicitou a retirada do alerta sobre suicídio das bulas de alguns medicamentos após revisão que não encontrou aumento de risco. Em 2025, outra análise com mais de 16 mil pacientes já havia associado a tirzepatida a um risco 48% menor de ideação ou tentativa de suicídio.

No Brasil, a tirzepatida foi aprovada pela Anvisa para diabetes tipo 2 em 2023 e para obesidade em junho de 2025. O medicamento exige retenção de receita, não está disponível no SUS e tem um custo mensal superior a mil reais, o que restringe seu acesso.

Recomendações para pacientes

Para pacientes que convivem com obesidade e depressão, a mensagem principal é de tranquilidade quanto à segurança do medicamento, mas não de resolução completa do problema. É fundamental que a tirzepatida não substitua o tratamento psiquiátrico, e nenhum paciente deve interromper o uso de antidepressivos por conta própria. Qualquer alteração no humor durante o tratamento deve ser comunicada imediatamente ao médico. O cuidado integrado da saúde metabólica e mental continua sendo a abordagem mais recomendada.

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