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Reeleição de Lula pressiona mercado financeiro e empresas com juros altos

01 de novembro de 2026
Reeleição de Lula pressiona mercado financeiro e empresas com juros altos

Destaques

  • •Mercado financeiro e empresas brasileiras enfrentam cenário de incerteza e custos elevados após a reeleição de Lula.
  • •Juros altos e dúvidas sobre ajuste fiscal comprometem captação de empresas e aumentam risco de recuperação judicial.
  • •Ajuste fiscal, juros, reforma tributária e mercado de trabalho serão temas cruciais para o ambiente de negócios em 2027.

O mercado financeiro e empresas brasileiras se preparam para um cenário de maior pressão em 2027, com juros elevados e incertezas sobre a condução da política econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A reeleição do presidente gerou desconfiança entre investidores e gestores, que temem um aumento da dívida pública e dificuldade na queda sustentável da taxa Selic, impactando diretamente a capacidade de captação de empresas e aumentando o risco de recuperação judicial.

Mercado financeiro em alerta

O quarto trimestre de 2026 já é visto como o pior para o mercado de capitais, com renda fixa e ações sofrendo com a falta de referência clara de preços. A dificuldade em vender novos títulos se deve à expectativa de juros altos e voláteis nos próximos meses, a menos que haja um claro sinal de ajuste fiscal por parte do governo. Gestores e investidores têm desfeito posições montadas na expectativa de uma vitória de outro candidato, e a percepção é de que 2027 será um ano duro para o mercado de capitais, com muitos fundos de ações podendo fechar devido à falta de captação e cotas negativas.

Até setembro de 2026, fundos de ações já haviam perdido R$ 11 bilhões, e multimercados R$ 9,3 bilhões. Na renda fixa, apesar de ter atraído R$ 136 bilhões no ano, a taxa futura para cinco anos acima de 15% inviabiliza operações de crédito corporativo. Empresas levantaram R$ 556,7 bilhões em ofertas no mercado de capital até setembro, um aumento de 5,3%, mas a renda fixa registrou captações de R$ 441 bilhões, uma redução de 9,8%.

Empresas sob pressão do endividamento e juros altos

A combinação de juros elevados e incertezas fiscais pressiona as empresas brasileiras. Estima-se que mais de R$ 700 bilhões estejam em negociação com bancos e Fundos de Investimento em Direito Creditório (Fidc’s). Um estudo aponta que 26% das empresas de capital aberto não têm capacidade de pagar suas despesas financeiras com a geração de caixa operacional. A indústria de transformação e o comércio concentram quase metade dessas companhias, que são as mais alavancadas.

O ciclo de crédito barato entre 2016 e 2020, que estimulou empréstimos para investimento, foi seguido pela pandemia e pela reversão da política monetária, com a Selic saindo de 2% para 15%. Esse cenário resultou em uma onda de recuperações judiciais e extrajudiciais, com casos como Braskem, Unigel, Casas Bahia, Grupo Pão de Açúcar e Tok&Stok. A expectativa é de aumento desses pedidos, com projeções indicando 5.554 empresas em recuperação judicial até o fim de 2027 em oito cadeias produtivas.

O que esperar para 2027

O ambiente de negócios em 2027 será ditado por ajuste fiscal, juros elevados, reforma tributária e mudanças no mercado de trabalho. A dívida bruta brasileira está próxima de 83% do PIB, e as projeções indicam crescimento econômico de 1,3% e inflação de 4,3% em 2027, com a Selic em torno de 12% ao final do ano. O ajuste fiscal é visto como crucial para determinar o custo do crédito e a confiança para investir.

O crédito corporativo está restritivo, com empresas pagando em média 24% ao ano em operações de capital de giro e mais de 56% em linhas de conta garantida. A reforma tributária, embora comemorada pela simplificação, ainda gera dúvidas sobre alíquotas, dificultando o planejamento de longo prazo. Mudanças no mercado de trabalho, como o fim da escala 6x1 e a discussão sobre pejotização, também exigirão reorganização das empresas.

Setores como varejo, transportes e indústria, mais dependentes de financiamento, tendem a ser mais impactados. Em contrapartida, o sistema financeiro e segmentos como informação, comunicação, energia e petróleo devem apresentar melhores perspectivas.

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