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Produtores argentinos antecipam plantio de soja e milho para driblar El Niño

01 de novembro de 2026
Produtores argentinos antecipam plantio de soja e milho para driblar El Niño

Destaques

  • •Agricultores na Argentina adiantam o plantio de soja e milho para mitigar os riscos do fenômeno El Niño, que prevê chuvas intensas na região.
  • •A estratégia visa evitar que o pico de chuvas atinja as lavouras em fases críticas, com produtores investindo em sementes certificadas e ciclos mais curtos.
  • •A safra de verão 2026/27 na Argentina pode gerar US$ 54,3 bilhões em PIB agroindustrial e US$ 41,5 bilhões em exportações, mas o clima é um fator de risco.

Produtores agrícolas na Argentina iniciaram a fase de semeadura de milho e soja com uma estratégia de antecipação para mitigar os riscos impostos pelo fenômeno El Niño. A previsão de fortes precipitações e umidade elevada no solo na região do Cone Sul exige atenção redobrada na gestão de cronogramas e informações para evitar ou minimizar perdas em um ciclo que envolve um investimento de cerca de US$ 15 bilhões (R$ 81 bilhões) em insumos e custos operacionais.

Estratégia de semeadura antecipada

A principal medida adotada pelos agricultores é adiantar o plantio em relação ao período considerado mais crítico do El Niño. Relatórios indicam que a semeadura da soja começou mais cedo, com uma área superior à de ciclos anteriores, em uma manobra classificada como "soja tática". O calendário habitual, que inicia após 20 de outubro, foi antecipado para 15 de outubro em algumas regiões, visando maximizar rendimentos, otimizar a logística e minimizar problemas de implantação.

Técnicos da Bolsa de Comércio de Rosario (BCR) apontam que esse adiantamento de 4 a 7 dias é crucial. Em regiões como a núcleo (leste de Córdoba, centro e sul de Santa Fé e norte de Buenos Aires), observa-se um aumento no volume de sementes por metro quadrado e um estreitamento das linhas de plantio para maximizar a produtividade.

Tecnologia e adaptação ao clima

Paralelamente à antecipação do plantio, o setor intensifica o controle de plantas daninhas, busca ciclos mais precoces e amplia o uso de sementes certificadas em substituição às sementes salvas. A tecnologia é vista como aliada para alcançar melhor rendimento, especialmente nos talhões de maior aptidão.

Especialistas como Eugenio Irazuegui, analista de mercados agrícolas da corretora de grãos Zeni, afirmam que a tendência entre os agricultores de milho é priorizar lavouras de primeira época e semeaduras precoces em detrimento dos cultivos tardios ou de "safrinha". Projeções indicam que entre 55% e 60% da área destinada ao cereal deve receber o plantio precoce.

Impactos e desafios do El Niño

O El Niño apresenta uma dualidade: enquanto prejudica o trabalho no momento do plantio com chuvas excessivas, favorece o desenvolvimento vegetativo das lavouras posteriormente, garantindo umidade. No entanto, a distribuição geográfica das precipitações é um fator crítico. Regiões como a Mesopotâmia argentina já sofrem com saturação hídrica, cheias de rios e alagamentos, o que pode causar atoleiros, deterioração de estradas rurais e custos extras com transporte.

Para o trigo, que está em fase final de enchimento de grãos e com colheita inicial prevista para novembro, a estimativa é de uma safra de cerca de 23 milhões de toneladas. Contudo, o excesso de precipitações pode dificultar a colheita e provocar perda de qualidade nos grãos.

Projeções econômicas e riscos

Conforme cálculos da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BdeC), a Argentina semeará pouco mais de 37 milhões de hectares neste ciclo. A colheita total estimada para seis culturas extensivas é de 157,9 milhões de toneladas. O produto interno bruto agroindustrial pode chegar a US$ 54,3 bilhões (R$ 293,2 bilhões), com exportações e divisas de US$ 41,5 bilhões (R$ 224,08 bilhões), montante que representa quase 83% das reservas brutas do Banco Central.

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