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Democratas apostam em perfis fora da cúpula para retomar Senado dos EUA

01 de novembro de 2026
Democratas apostam em perfis fora da cúpula para retomar Senado dos EUA

Destaques

  • •Candidatos com trajetórias incomuns e foco em temas econômicos buscam votos em estados-chave para o Partido Democrata.
  • •A eleição pode definir o rumo ideológico do partido e sua estratégia para as próximas eleições presidenciais.
  • •Resultados na Flórida, Texas e Maine serão observados como termômetros da força da ala mais à esquerda.

O Partido Democrata aposta em candidatos com perfis fora da cúpula tradicional para reconquistar o controle do Senado dos Estados Unidos nas eleições de terça-feira (3). Entre os nomes que buscam votos estão um lenhador do norte do Maine, um seminarista presbiteriano do Texas e uma deputada estadual ligada aos Socialistas Democráticos da América. O ponto em comum dessas candidaturas é o foco em temas como custo de vida e desigualdade econômica, afastando-se da agenda usual da liderança partidária.

A deputada estadual Angie Nixon, da Flórida, tornou-se a primeira integrante dos Socialistas Democráticos da América a obter a indicação democrata para uma disputa ao Senado. Sua campanha é vista como um teste para a ala mais à esquerda do partido. No Maine, Troy Jackson, um lenhador de 58 anos e ex-presidente do Senado estadual, tenta capitalizar sua trajetória para vencer a senadora republicana Susan Collins. Jackson defende o Medicare for All, sistema público universal de saúde, e o aumento de impostos para bilionários e grandes empresas. Pesquisa Marist divulgada em 25 de outubro mostrava Jackson com 49% das intenções de voto, contra 47% de Collins.

Candidatos com trajetórias incomuns

No Texas, James Talarico, de 37 anos, ex-professor e aspirante a pastor presbiteriano, busca encerrar um jejum de quase quatro décadas sem um senador democrata eleito pelo estado. Após vencer a deputada Jasmine Crockett na primária, ele enfrenta o republicano Ken Paxton. Levantamento do New York Times/Siena indica vantagem de Talarico, com 51% das intenções de voto, ante 45% do adversário.

Em Michigan, a vitória de Abdul El-Sayed sobre a deputada Hallie Stevens na primária reacendeu o debate interno sobre qual caminho o partido deve seguir. Enquanto apoiadores veem potencial para mobilizar a base progressista, críticos temem que propostas mais à esquerda afastem eleitores moderados e independentes.

O teste da Flórida e o rumo do partido

Na Flórida, Angie Nixon, deputada estadual por Jacksonville e organizadora sindical, surpreendeu ao derrotar nas prévias o tenente-coronel reformado Alexander Vindman, que arrecadou significativamente mais recursos para a campanha. A republicana Ashley Moody, nomeada para ocupar a vaga deixada por Marco Rubio no Senado, tem buscado vincular Nixon a posições radicais. Às vésperas da eleição, Moody mantinha vantagem de cerca de quatro pontos percentuais nas pesquisas.

Para James Green, historiador da Universidade Brown e diretor do Washington Brazil Office (WBO), a disputa na Flórida servirá como termômetro da capacidade de candidatos mais à esquerda conquistarem espaço em estados onde os republicanos seguem dominantes. "A grande questão é se essas pessoas, que têm um programa um pouco mais à esquerda dentro do Partido Democrata, conseguem realmente ser eleitas em estados onde ainda existe uma influência muito forte do Partido Republicano", afirmou.

Nem todos os estados competitivos apostaram em nomes de perfil mais ideológico. Em disputas consideradas estratégicas, os democratas lançaram candidatos mais conhecidos do eleitorado, como o ex-governador Roy Cooper, na Carolina do Norte, o ex-senador Sherrod Brown, em Ohio, e a ex-deputada Mary Peltola, no Alasca.

Próximos passos e impacto eleitoral

Os resultados de terça-feira terão impacto direto na disputa pelo futuro da legenda e na definição de sua estratégia para a eleição presidencial seguinte. "Se a grande maioria desses candidatos vencer, isso fortalecerá o argumento de que o Partido Democrata precisa dar uma guinada à esquerda para manter e ampliar sua base de apoio eleitoral", afirmou Green.

A tensão entre a ala moderada e a ala mais progressista deve continuar nos próximos dois anos, à medida que o partido tenta definir quem será seu melhor candidato à Presidência. A eleição de terça-feira é vista como um divisor de águas para a definição dessa estratégia.

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