Cuba rejeita acusações de envolvimento na guerra da Ucrânia e critica EUA

Destaques
- •Cuba nega veementemente qualquer participação de seus cidadãos na guerra da Ucrânia, atribuindo as acusações dos EUA a uma tentativa de desinformação.
- •O governo cubano detalha processos judiciais contra mercenários e reafirma seu compromisso contra o mercenarismo, enquanto critica a pressão americana sobre votações na ONU.
- •EUA, por meio do Secretário de Estado Marco Rubio, confirmam tensões com a Ucrânia e negam atrasos deliberados no fornecimento de inteligência e armas, atribuindo falhas a questões técnicas e alta demanda.
O Ministério das Relações Exteriores de Cuba reiterou nesta quarta-feira (21/10) sua "absoluta rejeição" às "falsas acusações" do governo dos Estados Unidos sobre uma suposta participação cubana na guerra da Ucrânia. Em comunicado, a chancelaria cubana afirmou que Washington busca "confundir e desinformar" a comunidade internacional, e esclareceu que nenhum cidadão cubano envolvido no conflito conta com o apoio ou consentimento de instituições governamentais cubanas. Segundo o governo, o recrutamento desses cidadãos, assim como de outras nacionalidades, ocorreu a partir do exterior.
Cuba combate o mercenarismo e critica pressão dos EUA
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, desde 2023, Cuba investigou 17 processos preparatórios por crime de mercenarismo, com 49 réus, dos quais 43 foram apresentados ao Tribunal, com pedidos de sanções entre cinco e 16 anos de prisão. Foram realizados 10 julgamentos orais e dois estão pendentes. A pasta enfatizou que, ao contrário dos Estados Unidos, Cuba tem um histórico limpo na luta contra o mercenarismo, com política de tolerância zero, processando e punindo criminalmente o ato de acordo com sua legislação e obrigações internacionais.
O governo cubano também denunciou uma campanha de pressão norte-americana sobre outros países para alterar a próxima votação sobre o bloqueio de Cuba na Assembleia Geral da ONU, marcada para 28 de outubro. O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, acusou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o representante dos EUA na ONU de dirigirem pessoalmente essa ofensiva, que incluiria ameaças de tarifas punitivas, suspensão de programas de cooperação e negação de vistos.
EUA admitem tensões com a Ucrânia e negam sabotagem
Em declarações distintas, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou nesta terça-feira (20/10) "sérias tensões" nas relações entre Estados Unidos e Ucrânia, após uma conversa telefônica com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Rubio afirmou que os EUA estão tentando levar ambos os lados a um ponto de encerramento da guerra por meio de negociações, mas negou qualquer "diretiva política deliberada para prejudicar a Ucrânia" por parte da Casa Branca.
Rubio classificou como "ultrajantes e falsas" as alegações de Kiev de que ucranianos estariam morrendo porque os EUA não forneceram informações sobre ataques aéreos. Segundo ele, atrasos no fornecimento de dados na semana passada foram devido a problemas técnicos e não a uma diretriz para reter avisos de ataque. Ele sugeriu que a Ucrânia teria "um problema interno no processamento, sistematização e resposta às informações recebidas".
Quanto à entrega de armas, Rubio admitiu que atrasos podem ocorrer devido à alta demanda por mísseis interceptores dos EUA, descrevendo-os como "talvez o produto mais procurado no setor de defesa". Ele também mencionou que a empresa SpaceX restringiu a operação de terminais Starlink usados pelas Forças Armadas ucranianas na linha de frente, o que, segundo um ex-conselheiro do Ministro da Defesa ucraniano, pode ter ocorrido a pedido do governo Donald Trump.
Matérias originais
- Cuba rejeita ‘falsas acusações’ dos EUA de envolvimento na guerra da Ucrânia · operamundi.uol.com.br
- Marco Rubio reconhece ‘sérias tensões’ nas relações entre EUA e Ucrânia · operamundi.uol.com.br


