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Polifarmácia em idosos: risco de tontura, confusão e quedas é elevado

01 de novembro de 2026
Polifarmácia em idosos: risco de tontura, confusão e quedas é elevado

Destaques

  • •Uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos é principal causa de tontura e confusão mental em idosos.
  • •Alterações metabólicas e de função renal no envelhecimento aumentam risco de intoxicação e efeitos colaterais.
  • •Revisão periódica de medicamentos e acompanhamento médico são essenciais para a segurança.

O uso simultâneo e contínuo de cinco ou mais medicamentos, prática conhecida como polifarmácia, é uma das principais causas de tontura e confusão mental súbita na população idosa. No Brasil, mais da metade dos idosos convive com duas ou mais doenças crônicas, o que eleva a quantidade de pílulas diárias na rotina dessa faixa etária, segundo levantamentos do Ministério da Saúde e do IBGE.

As mudanças naturais do envelhecimento, como a redução da função renal e o aumento da proporção de gordura corporal, alteram o processamento dos fármacos pelo organismo. Isso faz com que certas substâncias permaneçam ativas por mais tempo na corrente sanguínea, elevando o risco de intoxicação. A médica geriatra Antonieta Ozzetti explica que esses fatores tornam os idosos mais suscetíveis a reações que raramente afetam jovens, podendo simular quadros demenciais ou de senilidade.

Riscos de interações e efeitos colaterais

Substâncias de uso frequente, como anti-hipertensivos, ansiolíticos, hipnóticos, antidepressivos tricíclicos, opioides e antiepilépticos, exigem atenção redobrada. Quando combinados, esses fármacos podem provocar queda brusca de pressão arterial, alteração do ritmo cardíaco e sedação excessiva.

O farmacêutico Samuel Wagner destaca que a automedicação, mesmo com itens isentos de prescrição como analgésicos e protetores gástricos, agrava o cenário. "Anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, podem elevar o risco de sangramentos gastrointestinais e lesão renal, especialmente quando associados a anticoagulantes e anti-hipertensivos. Já os protetores gástricos, como o omeprazol, podem interagir com determinados medicamentos e alterar sua eficácia", explica.

Falhas na rotina e consequências graves

Falhas na rotina, como o esquecimento dos horários corretos ou a duplicação acidental de doses, impactam diretamente o sistema nervoso central, resultando em sonolência, perda de equilíbrio e, em casos severos, convulsões. Quando a tontura induzida por remédios leva à perda de equilíbrio, os desfechos costumam ser graves, incluindo possíveis fraturas de quadril e traumas cranianos.

Diante do aparecimento repentino de tontura ou desorientação após a inclusão de um novo fármaco, a orientação dos especialistas é não suspender nem alterar as doses por conta própria. A família deve observar quando os sintomas começaram e informar todos os medicamentos utilizados ao profissional de saúde.

O que diz a pesquisa

Estudos científicos confirmam os riscos associados à polifarmácia em idosos. Uma revisão integrativa publicada na Revista JRG de Estudos Acadêmicos em 2024 analisou artigos de 2019 a 2024 e encontrou taxas de polifarmácia entre 13,91% e 73%, associadas a multimorbidades e internações. Medicamentos potencialmente inapropriados foram prevalentes, e a polifarmácia correlacionada a maiores riscos de reações adversas, redução da funcionalidade e mortalidade.

Outra revisão, publicada na LUMEN ET VIRTUS em 2026, baseada em estudos de 2019 a 2025, define polifarmácia como o uso regular de cinco ou mais medicamentos. Essa prática está associada a aumento de reações adversas, quedas, hospitalizações e declínio cognitivo. Estratégias como revisão periódica de medicação e desprescrição podem reduzir danos.

Um estudo na ARACÊ em 2026, que revisou publicações de 2021 a 2026, também associou o aumento de medicamentos a interações, quedas e mortalidade. No entanto, ressalta que, quando bem indicada, a polifarmácia pode controlar multimorbidades e aliviar sintomas, sendo necessária avaliação individualizada.

Próximos passos

Conciliar e fazer revisões periódicas das medicações se torna indispensável para a saúde do idoso. A médica Antonieta Ozzetti destaca que a avaliação continuada frequentemente resulta na remoção de itens desnecessários, um processo conhecido como desprescrição. Se a tontura vier acompanhada de confusão súbita, dificuldade na fala, fraqueza em um dos lados do corpo ou desmaio, a família deve buscar atendimento de emergência ou acionar o SAMU (192), pois o quadro pode indicar condições graves, como um acidente vascular cerebral (AVC).

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