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Lorlatinibe: 55% de pacientes com câncer de pulmão avançado vivem 7 anos sem progressão

01 de novembro de 2026
Lorlatinibe: 55% de pacientes com câncer de pulmão avançado vivem 7 anos sem progressão

Destaques

  • •Um novo estudo revelou que 55% dos pacientes com câncer de pulmão avançado, impulsionado por alteração genética ALK, permaneceram sem progressão da doença após sete anos de tratamento com lorlatinibe.
  • •O medicamento, uma terapia-alvo de alto custo, representa um avanço significativo em relação a tratamentos anteriores, mas ainda enfrenta barreiras de acesso no SUS e efeitos colaterais no sistema nervoso central.
  • •Especialistas apontam a necessidade de entender por que a terapia não funciona para todos os pacientes e de discutir a incorporação do lorlatinibe no SUS, considerando seu impacto na qualidade de vida.

Um avanço inédito no tratamento do câncer de pulmão avançado foi anunciado com a divulgação de resultados de um estudo que acompanhou pacientes por sete anos. A pesquisa revelou que 55% dos pacientes tratados com lorlatinibe, um medicamento em comprimidos administrado diariamente, permaneceram vivos e sem progressão da doença. Este resultado é considerado um marco para uma doença que historicamente apresenta prognósticos sombrios.

O lorlatinibe é uma terapia-alvo, desenvolvida para atacar alterações genéticas específicas que impulsionam o crescimento tumoral. Ele é indicado apenas para pacientes com câncer de pulmão impulsionado por um rearranjo no gene ALK (Anaplastic Lymphoma Kinase), uma alteração presente em cerca de 3% a 7% dos casos do tipo mais comum de câncer de pulmão. Essa terapia representa uma mudança na abordagem de tratamento, que antes se baseava principalmente no órgão afetado, e agora considera as mutações genéticas específicas de cada tumor.

Avanço inédito em sete anos

O estudo demonstrou que o lorlatinibe não só é eficaz em interromper o crescimento tumoral, mas também consegue atravessar a barreira hematoencefálica, o que é crucial para combater metástases cerebrais, uma complicação frequente em pacientes com câncer de pulmão avançado. Os resultados de sete anos de acompanhamento superaram as expectativas, mudando a perspectiva de prognóstico para muitos pacientes.

Oncologistas destacam que este resultado é fruto de uma evolução gradual das terapias. Enquanto a quimioterapia tradicional raramente permitia que pacientes ultrapassassem cinco anos sem progressão da doença, os inibidores de primeira e segunda geração aumentaram essa taxa para 5% a 30%. Com o lorlatinibe, esse número saltou para 55%, representando um ganho significativo na qualidade e perspectiva de vida.

O que os dados revelam e o que ainda falta saber

Apesar do entusiasmo, os dados ainda levantam questões importantes. Cerca de 45% dos pacientes não responderam à terapia, e os pesquisadores buscam entender os motivos. Além disso, efeitos colaterais foram relatados por 52% dos pacientes, principalmente no sistema nervoso central, com alterações cognitivas e de humor.

Eventos adversos de grau 3 ou 4, os mais graves, ocorreram em 77% dos pacientes. Especialistas ressaltam a importância de equilibrar a sobrevida com a manutenção da identidade e bem-estar dos pacientes.

Dificuldades de acesso e custo elevado

Um dos maiores obstáculos para o acesso ao lorlatinibe é o seu alto custo, estimado em cerca de R$ 37 mil por mês, o que pode ultrapassar R$ 3,1 milhões por paciente ao longo de sete anos. O medicamento não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) porque a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) considerou a relação custo-efetividade desfavorável para o sistema público.

O diagnóstico molecular, necessário para identificar a mutação ALK, também representa uma barreira, pois os testes genéticos nem sempre estão disponíveis. Pacientes que hoje utilizam o medicamento o fazem por meio de cobertura de plano de saúde, decisão judicial ou pagamento particular. O Ministério da Saúde foi contatado para saber sobre novas discussões de incorporação, mas não retornou até a publicação.

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