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Pier revoluciona seguros com IA e foco no cliente, mira crescimento de 10x

28 de outubro de 2026
Pier revoluciona seguros com IA e foco no cliente, mira crescimento de 10x

Destaques

  • •Seguradora Pier utiliza IA para agilizar pagamentos de sinistros em segundos e automatizar vistorias.
  • •Empresa busca desmistificar o setor de seguros, focando na tranquilidade oferecida e eliminando burocracias como franquia e carência.
  • •Pier projeta crescimento de dez vezes em quatro anos, saindo de R$ 30 milhões para mais de R$ 360 milhões em faturamento.

A Pier, seguradora que se destaca pela inovação e foco na experiência do cliente, está transformando o mercado de seguros com o uso intensivo de inteligência artificial (IA) e uma abordagem que visa desmistificar o produto. A CEO da empresa, Camila Kataguiri, critica a visão tradicional de que seguro só é útil em caso de sinistro, defendendo que o principal benefício é a tranquilidade oferecida no dia a dia. Ela exemplifica com o seguro de celular: a proteção garante que o usuário não fique sem o aparelho financiado em caso de roubo, mesmo que o sinistro não ocorra.

A indústria de seguros, segundo Kataguiri, criou uma barreira de linguagem com termos técnicos complexos e gerou desconfiança no consumidor. A Pier buscou ativamente a regulação, participando da redação do Sandbox regulatório da Susep e se tornando a primeira seguradora a sair do programa em 2022. Um marco importante foi a cobertura de furto simples, antes negada pela maioria das seguradoras, o que levou o Procon a emitir orientações contra a compra de seguros de celular. A empresa apostou nessa cobertura, contrariando o mercado, e obteve sucesso, levando outras empresas a copiarem o modelo.

Desmistificando o seguro e a tecnologia como aliada

A estratégia da Pier se baseia na distinção entre risco precificável e fraude. Enquanto o setor tradicionalmente adota uma postura de desconfiança generalizada, tratando todos os clientes como potenciais fraudadores, a Pier utiliza inteligência de dados para separar essas duas vertentes. Isso permite oferecer produtos sem franquia, sem carência e sem exigência de nota fiscal, resultando em uma sinistralidade abaixo da média do mercado.

A tecnologia é a espinha dorsal dessa operação. Atualmente, 30% dos sinistros de celular da Pier são pagos por IA, via Pix, em questão de segundos, sem intervenção humana. Em comparação, a recomendação da Susep é de pagamento em até 30 dias. A experiência positiva gera um NPS (Net Promoter Score) de 94 para esses clientes, bem acima da média geral da companhia, que é superior a 75. A vistoria prévia, realizada pelo aplicativo, é 50% automatizada e concluída em apenas 50 segundos.

Kataguiri ressalta que a precificação e a subscrição de riscos são processos de análise de dados, enquanto o pós-venda é repetitivo. Ela acredita que o setor de seguros é um campo fértil para a aplicação de IA, e que a compreensão desse potencial impulsionará o interesse pela área.

Crescimento e ambição no mercado

Desde a chegada de Camila Kataguiri como COO em 2022, a Pier apresentou um crescimento expressivo. O faturamento, que era de pouco mais de R$ 30 milhões, deve fechar 2026 acima de R$ 360 milhões, com geração de caixa positiva e breakeven no acumulado do ano. O plano ambicioso da empresa é repetir essa performance e crescer outras dez vezes nos próximos quatro a cinco anos.

A CEO compara o potencial de crescimento da Pier com o cenário bancário de 2010, quando quatro grandes instituições dominavam 80% do mercado sem grande inovação tecnológica. Ela acredita que o tamanho que a Pier pode atingir está mais ligado à sua capacidade de execução do que ao tamanho do mercado em si. A empresa busca consolidar sua posição através da inovação contínua e da entrega de valor aos seus segurados.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado em 2024 pela LUMEN ET VIRTUS, intitulado "INOVAÇÃO NO MERCADO DE SEGUROS: COMO A TECNOLOGIA ESTÁ REVOLUCIONANDO A EXPERIÊNCIA DOS SEGURADOS", analisou o impacto da inovação tecnológica no setor de seguros. A pesquisa, baseada em revisão bibliográfica qualitativa, aponta que a tecnologia está promovendo uma mudança de paradigma, reposicionando o cliente como protagonista e exigindo das seguradoras uma postura proativa e transparente.

O estudo destaca a atuação das insurtechs como um vetor fundamental dessa transformação, desafiando modelos tradicionais e oferecendo soluções mais ágeis e personalizadas. Conclui-se que a inovação no mercado de seguros é um processo contínuo e estratégico, onde o equilíbrio entre tecnologia, empatia e confiança é indispensável para construir relações sustentáveis entre seguradoras e segurados.

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