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Panvel investe 40% do CapEx em IA e mira R$ 12 bi em faturamento até 2030

30 de outubro de 2026
Panvel investe 40% do CapEx em IA e mira R$ 12 bi em faturamento até 2030

Destaques

  • •Rede de farmácias Panvel destina 40% de seus investimentos em tecnologia e IA para otimizar operações e impulsionar crescimento.
  • •A empresa projeta alcançar R$ 12 bilhões em faturamento até 2030, impulsionada pela expansão do e-commerce e uso de inteligência artificial.
  • •CEO Julio Mottin Neto foca na preparação de um sucessor de mercado nos próximos dez anos, priorizando liderança colaborativa e foco em pessoas.

A rede de farmácias Panvel, que faturava R$ 2,5 bilhões em 2020, projeta fechar o ano atual na casa dos R$ 7 bilhões, mantendo uma taxa de expansão anual de aproximadamente 18%. O ambicioso objetivo é alcançar R$ 12 bilhões de faturamento até 2030.

À frente dessa trajetória de crescimento está Julio Mottin Neto, CEO da empresa há dez anos e com três décadas de experiência na companhia. Mottin iniciou sua carreira na Panvel aos 14 anos, atendendo clientes no balcão, e ascendeu profissionalmente passando por áreas como publicidade, marketing e operações de lojas.

"O marketing tem um lado profundo da psicologia de consumo: entender por que o consumidor escolhe a nossa empresa e não a concorrência. Essa curiosidade e uma paranoia constante por evolução são o que me movem", afirmou Mottin em entrevista exclusiva.

Aceleração digital e investimento em tecnologia

A expansão do faturamento ganhou força após um follow-on de R$ 1 bilhão realizado em 2020, que aumentou a liquidez das ações da empresa na B3. Este aporte coincidiu com o início da pandemia, evento que acelerou significativamente a adoção de hábitos digitais pelos consumidores.

Antes da crise sanitária, o comércio eletrônico representava cerca de 10% das vendas totais da Panvel. Em apenas seis meses, essa participação saltou para 25% e, atualmente, já se aproxima de 50%, demonstrando a rápida adaptação da empresa ao cenário online.

O investimento em capital (CapEx) do grupo é direcionado principalmente para a abertura de novas unidades, reformas de lojas existentes e tecnologia. A área de tecnologia, em particular, já consome 40% de todo o capital destinado a investimentos pela rede.

"Dificilmente compramos máquinas ou racks físicos de computadores como no passado; isso tudo virou nuvem, virou serviço. Hoje, 40% do nosso CapEx é puramente voltado à inovação e tecnologia. É um número alto, mas tem que ser", explicou Mottin.

IA da prateleira ao balcão

A transformação digital na Panvel envolve a implementação de inteligência artificial em diversas frentes. A assistente virtual Sofia foi integrada ao aplicativo da rede para auxiliar em demandas de pós-venda, cancelamentos e reposição de produtos, utilizando o histórico de compras dos clientes.

Para otimizar o atendimento, os colaboradores utilizam smartphones corporativos para fotografar prescrições médicas de difícil leitura. A IA, então, realiza o reconhecimento dos princípios ativos e das posologias recomendadas, agilizando o processo.

No backoffice, algoritmos de IA são empregados para aprimorar a previsão e o giro de estoques, garantindo a disponibilidade de produtos nas lojas. Além disso, o sistema de precificação dinâmica monitora a concorrência em tempo real e testa a elasticidade dos preços de produtos-chave, buscando otimizar as margens.

Apesar dos ganhos de produtividade, Julio Mottin Neto expressa preocupação com o impacto da IA no mercado de trabalho. "A velocidade de escala da inteligência artificial é assustadora. Minha preocupação real é com o emprego. Não tenho certeza se o ser humano terá a capacidade de se adaptar e se reinventar no mesmo ritmo em que essas mudanças estão sendo impostas", refletiu.

Sucessão e liderança colaborativa

Com 53 anos, Mottin planeja dedicar os próximos dez anos à preparação de seu sucessor. Diferentemente de sua própria ascensão, que seguiu um processo de transição familiar, o próximo líder do Grupo Dimed será um executivo de mercado.

Os critérios para o futuro CEO incluem curiosidade aguçada, capacidade de comunicação aberta, disposição para se expor sem medo e vocação genuína para lidar com pessoas. "Varejo é um people business. Quem não gosta de gente e não se comunica com clareza simplesmente não consegue liderar essa indústria", defendeu Mottin.

Ele atribui sua longevidade no cargo à disciplina e à capacidade de enfrentar problemas, ressaltando a importância do trabalho em equipe. "O pior conselho corporativo que já recebi na vida foi o de que eu precisava ‘brilhar’ individualmente. Hoje discordo inteiramente. O líder brilha através da sua equipe. A obsessão não deve ser parecer o mais inteligente da sala, mas sim reunir as pessoas certas e trabalhar de forma colaborativa", concluiu.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na REVISTA DELOS em 2025, intitulado "A influência da IA na indústria farmacêutica", explora como a inteligência artificial está revolucionando o setor. A pesquisa destaca que a IA é capaz de otimizar descobertas de medicamentos, desenvolvimento de fármacos e tratamentos terapêuticos. A evolução dos dados, que antes eram agrupamentos físicos de moléculas, evoluiu para bases de dados digitais, acelerando as fases iniciais de descoberta de novos fármacos e análises pós-comercialização.

O estudo aponta que empresas já utilizam a IA para obter resultados em processos que levariam anos com métodos tradicionais, reduzindo custos e prazos de desenvolvimento (de 4-6 anos para uma média de 2 anos), e aumentando a eficiência dos ensaios clínicos. O objetivo da pesquisa é analisar os desafios adaptativos da indústria farmacêutica frente a esse avanço tecnológico e seu impacto global.

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