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Lula busca reverter tendência de alternância de poder nas Américas

24 de outubro de 2026
Lula busca reverter tendência de alternância de poder nas Américas

Destaques

  • •Presidente Lula enfrenta tendência de alternância de poder no continente americano, com 65% das últimas 17 eleições resultando em mudança de governo.
  • •A ascensão da direita e a crise de popularidade de governos incumbentes, ligadas a desarranjos fiscais e ao uso de redes sociais, marcam o cenário político.
  • •O resultado das eleições de brasileiros no exterior em 2022, onde Lula venceu em 64 países contra 35 de Flávio Bolsonaro, pode indicar um cenário favorável para o presidente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca reverter uma tendência de alternância de poder no continente americano em sua busca por uma virada contra Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições. Em 2022, a eleição de Lula marcou a primeira vez que um presidente não conseguiu a reeleição no Brasil, e desde então, a alternância de poder se consolidou como um padrão no continente.

Nas últimas 17 eleições democráticas nas Américas, 65% delas resultaram em mudança de governo, enquanto apenas 35% viram a reeleição do incumbente ou a eleição de um sucessor. Países como Argentina, Estados Unidos, Uruguai, Chile e Colômbia viram a oposição vencer, enquanto Paraguai, México e Canadá optaram pela continuidade.

Tendência de guinada à direita e crise de popularidade

O professor Amâncio Jorge de Oliveira, da USP, aponta para uma dupla tendência: uma natural busca por mudança e uma guinada à direita, especialmente na América Latina. Ele sugere que o efeito da ascensão da direita nos Estados Unidos pode influenciar eleições regionais.

A crise de popularidade de governos incumbentes é outro fator relevante. Exemplos como Donald Trump nos EUA e Javier Milei na Argentina, ambos com altos índices de desaprovação, ilustram essa dificuldade em manter o apoio popular. Presidentes em início de mandato, como no Chile e Peru, também enfrentam baixas aprovações em meio a crises econômicas.

Desarranjos fiscais e o papel das redes sociais

Segundo o professor Amâncio Jorge, a origem dos problemas de popularidade está ligada a desarranjos fiscais severos em muitos países latino-americanos. A busca por equilíbrio fiscal, muitas vezes acompanhada pela retirada de direitos trabalhistas, gera crises de legitimidade e sustentação governamental.

As redes sociais desempenham um papel crucial, tanto no sucesso de candidaturas alternativas quanto na rápida erosão da popularidade de governos. A volatilidade da opinião de massa, potencializada pela internet, permite mudanças bruscas de direção, afetando a estabilidade do sistema político e partidário, especialmente quando eleitos são influenciadores sem carreira política tradicional.

Voto no exterior: um indicativo para o segundo turno

No Brasil, o voto dos eleitores no exterior em 2022 apresentou um cenário distinto do nacional. Lula venceu em 64 países, totalizando 157.387 votos (47,57%), enquanto Flávio Bolsonaro obteve 143.900 votos (43,49%) em 35 países. A Europa foi um forte reduto de Lula, com 95.442 votos contra 48.874 de Bolsonaro, enquanto os Estados Unidos e o Japão concentraram a vantagem do senador.

A análise detalhada dos votos no exterior mostra que Lula teve vantagens significativas em países europeus como Alemanha, Reino Unido e Portugal, além de vitórias na Austrália e Nova Zelândia. Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentrou seus votos em países como EUA, Japão, Catar e Emirados Árabes Unidos. A América Latina apresentou um cenário mais dividido, com vitória de Flávio em 12 países e de Lula em 7.

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