Juntar R$ 100 mil em 2 anos: aportes mensais caem com juros, mas LCI/LCA lideram

Destaques
- •Para atingir R$ 100 mil em dois anos, o aporte mensal varia entre R$ 3.726 e R$ 3.851, dependendo do produto de renda fixa escolhido.
- •A simulação considera a queda projetada da Selic, com um CDI médio de 12,6% ao ano nos próximos 24 meses, o que exige um esforço maior do investidor.
- •LCI e LCA lideram a preferência devido à isenção de Imposto de Renda, mesmo pagando menos que o CDI, superando CDB e Tesouro Selic.
Alcançar a meta de juntar R$ 100 mil em dois anos exige um planejamento financeiro que considera o produto de investimento e a trajetória da taxa básica de juros, a Selic. Uma simulação aponta que o aporte mensal necessário varia entre R$ 3.726 e R$ 3.851, conforme o produto escolhido, levando em conta a projeção de queda da Selic.
O Banco Central já realizou cinco cortes consecutivos na Selic, que atualmente está em 13,75% ao ano. O mercado financeiro precifica novas reduções, e a simulação de Matheus Oka, educador financeiro da Fire|ce, utilizou as taxas dos contratos de DI futuro negociados na B3. Essa curva de juros aponta um CDI médio de 12,6% ao ano nos próximos 24 meses, uma taxa inferior aos atuais 13,65%.
Aporte mensal para juntar R$ 100 mil em 24 meses
A simulação detalha os aportes mensais necessários para diferentes produtos de renda fixa:
- LCI/LCA (90% do CDI): R$ 3.726
- CDB (100% do CDI): R$ 3.758
- Tesouro Selic: R$ 3.761
- Poupança: R$ 3.851
Esses valores foram calculados com base nos contratos de DI futuro da B3, com fechamento em 20 de outubro de 2026. A projeção de queda dos juros implica que, se a Selic permanecesse em 13,75% ao ano, o aporte mensal seria cerca de R$ 36 menor, totalizando uma diferença de aproximadamente R$ 860 ao longo dos dois anos.
Isenção de IR impulsiona LCI e LCA
Apesar de pagarem um percentual menor que o CDI, as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) lideram a simulação devido à sua isenção de Imposto de Renda para pessoa física. Em contrapartida, CDBs e o Tesouro Selic estão sujeitos à tabela regressiva do IR, que varia de 22,5% a 15% para aplicações com mais de dois anos.
Na prática, uma LCI/LCA que paga 90% do CDI equivale a um CDB que rende cerca de 106% do CDI. Isso significa que, para atingir a meta, quem opta pelas letras de crédito precisa investir R$ 3.726 mensais, R$ 32 a menos que em um CDB.
CDB e Tesouro Selic em disputa acirrada
Entre os produtos tributados, a diferença de aporte é mínima. Um CDB que paga 100% do CDI e o Tesouro Selic exigem aportes mensais de R$ 3.758 e R$ 3.761, respectivamente. Embora o Tesouro Selic renda a taxa Selic, ligeiramente acima do CDI, a taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o saldo acima de R$ 10 mil por CPF anula essa pequena vantagem, segundo Oka.
Poupança exige aporte significativamente maior
Na ponta oposta, a caderneta de poupança se mostra a opção mais custosa. Para acumular os mesmos R$ 100 mil em 24 meses, é necessário um aporte mensal de R$ 3.851, o que representa R$ 125 a mais por mês em comparação com LCI/LCA. Ao longo de dois anos, essa diferença chega a cerca de R$ 3 mil.
Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Contudo, a TR tende a cair junto com a Selic, o que diminui ainda mais o rendimento da caderneta ao longo do tempo.



