Inteligência de Ameaças Pouco Orienta Orçamento de Cibersegurança

Destaques
- •Apenas 26% dos líderes de cibersegurança usam inteligência de ameaças para decisões de orçamento, apesar de 74% a aplicarem em operações.
- •Empresas gastam com múltiplas ferramentas de segurança, muitas vezes com sobreposição de funções ou subutilizadas, sem direcionamento estratégico claro.
- •O próximo investimento pode ser em capital humano e otimização de ferramentas existentes, em vez de novas tecnologias, com base em análise de riscos.
Apesar de 74% dos líderes de cibersegurança utilizarem Cyber Threat Intelligence (CTI), ou inteligência de ameaças, para orientar operações de segurança e atividades de Threat Hunting, apenas 26% aplicam esse conhecimento para embasar decisões de orçamento e priorização de investimentos. Essa discrepância revela uma dificuldade em traduzir informações sobre ameaças em alocações financeiras estratégicas.
Na prática, a CTI é eficaz para definir o que investigar e onde concentrar esforços de análise, mas falha em guiar a alocação de recursos para novas tecnologias. Exemplos práticos mostram organizações gastando milhões em soluções de segurança, mas com ferramentas duplicadas ou capacidades não configuradas, indicando ineficiência no uso dos recursos.
Onde a inteligência de ameaças deveria influenciar o orçamento
A inteligência de ameaças ajuda a entender quais adversários, técnicas e comportamentos são relevantes para um ambiente específico. Se essa informação já é usada para operações diárias do SOC (Security Operations Center), faz sentido que ela também influencie a definição do orçamento. Um investimento deve responder a um risco ou necessidade concreta, com evidências que justifiquem a alocação de recursos antes de outras capacidades.
A lógica comum de começar a discussão de orçamento pela ferramenta a ser comprada deve ser invertida. A prioridade deve ser identificar os riscos reais da organização, avaliar as capacidades existentes para enfrentá-los, verificar se estão configuradas e funcionando, e só então identificar lacunas que justifiquem um novo investimento.
O acúmulo de ferramentas e a necessidade de revisão
Sem essa análise, é comum perpetuar investimentos em soluções que já fazem parte da arquitetura ou do orçamento, ou adicionar novas para necessidades específicas que poderiam ser atendidas por tecnologias já contratadas. Isso leva ao acúmulo de produtos sem uma revisão frequente do valor que cada um entrega.
Uma pesquisa do Gartner com 162 grandes empresas indicou o uso médio de 45 ferramentas de cibersegurança. O número em si não é o problema, mas sim a dificuldade em explicar a razão de cada ferramenta, a qual risco ela responde, quais capacidades estão sendo utilizadas e onde ocorrem sobreposições.
O investimento humano e a otimização de recursos
O capital humano é apontado pelo SANS como a principal restrição ao financiamento de prioridades em cibersegurança. Orçamentos tecnológicos avançam mais facilmente do que contratações. Isso pode levar à aquisição de capacidade tecnológica sem o pessoal qualificado para implementá-la e utilizá-la adequadamente.
Portanto, o próximo investimento necessário pode não ser em novas licenças, mas sim em capacitação, integração de soluções existentes, revisão de processos, automação ou profissionais que extraiam mais valor das capacidades já disponíveis. Uma visão de portfólio é essencial, revisando continuamente o valor das ferramentas diante de um cenário de ameaças, arquitetura e negócios em constante mudança.
Um SOC estratégico deve entregar não apenas alertas e investigações, mas também contexto para a gestão. A inteligência sobre ameaças emergentes e exposições significativas pode guiar tanto as investigações futuras quanto as decisões de financiamento.
O desafio é demonstrar por que se investe em determinada capacidade e qual risco se espera reduzir com ela, utilizando a inteligência de ameaças para orientar tanto a vigilância quanto o investimento.


