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Indígenas Guarani Kaiowá denunciam violência e ameaça de envenenamento após eleições

29 de outubro de 2026
Indígenas Guarani Kaiowá denunciam violência e ameaça de envenenamento após eleições

Destaques

  • •Denúncias de violência e ameaça de envenenamento da água surgem após resultado das eleições presidenciais no Mato Grosso do Sul.
  • •Ao menos cinco assassinatos de indígenas na região estão sob investigação, além de intimidações e um atropelamento proposital.
  • •Ministério Público Federal e Polícia Federal foram acionados para investigar os casos, incluindo uma ameaça de envenenamento de água em Tacuru.

Indígenas da etnia Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, denunciaram uma onda de violência e ameaças após o resultado das eleições presidenciais no último domingo. Os relatos incluem tentativas de assassinato, intimidações para impedir o voto e uma grave ameaça de envenenamento da água das comunidades.

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos cinco assassinatos de indígenas na região desde sábado (24) estão sendo investigados. O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, afirmou que as intimidações ocorreram com caminhonetes circulando pelos territórios e agressões diretas, com o objetivo de causar pânico e impedir a participação eleitoral. Ele ressaltou, contudo, que a violência contra a população indígena é uma realidade constante, não se limitando ao período pós-eleitoral, e que milícias do campo atuam permanentemente na região.

Violência e intimidação eleitoral

Matias Benno Rempel descreveu que a violência relatada durante o período eleitoral é um componente permanente de milícias do campo, e que os holofotes sobre a região se intensificam em momentos como este. As tentativas de assassinato e outras agressões, segundo ele, ocorrem com frequência contra a população Guarani Kaiowá.

Um dos casos investigados é um atropelamento proposital de um indígena na cidade de Coronel Sapucaia, localizada na fronteira com o Paraguai. A Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) já encaminharam pedidos formais ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF) para que os casos sejam apurados.

Ameaça de envenenamento da água

Outra denúncia grave que está sob investigação do MPF é a de uma ameaça de envenenamento da água potável das comunidades como retaliação ao resultado da eleição presidencial. Um áudio atribuído a um funcionário da prefeitura de Tacuru, no extremo sul do estado, sugere o envenenamento da água para "matar essas praga" por terem votado no candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ricardo Terena, coordenador do departamento jurídico da Apib, explicou que a escassez de água na região obriga as comunidades a dependerem de caminhões-pipa. Após a divulgação do áudio, muitos moradores passaram a evitar o consumo da água. O MPF de Mato Grosso do Sul concedeu um prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru se posicione, esclarecendo a veracidade dos áudios, identificando o autor das ameaças e detalhando as medidas que estão sendo tomadas.

Histórico de violência

De acordo com dados da Apib, entre 2022 e 2026, seis indígenas da etnia Guarani Kaiowá foram assassinados no estado de Mato Grosso do Sul. Este dado reforça a preocupação com a segurança e a continuidade da violência na região, que se manifesta de diversas formas, incluindo as ameaças pós-eleitorais.

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