Partidos Árabes de Israel se tornam 'Kingmakers' em eleição sem maioria clara

Destaques
- •Partidos árabes conquistaram número recorde de cadeiras no parlamento israelense, tornando-se decisivos na formação de governo.
- •Apesar do potencial de influência, tanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quanto seus opositores evitam negociar com o grupo, que também está dividido.
- •O cenário político fragmentado em Israel exige negociações complexas para formar uma coalizão governamental estável após a eleição.
Na eleição parlamentar de Israel, realizada nesta semana, os partidos árabes conquistaram um número recorde de 19 cadeiras no Knesset, o parlamento do país, emergindo como potenciais "criadores de reis" (kingmakers). Essa figura histórica é aquela capaz de definir impasses políticos e sustentar um dos lados em disputa pelo poder. Tradicionalmente, a formação de governo em Israel exige a maioria de 61 dos 120 assentos, algo que nenhum partido ou coalizão alcançou desde 1948, tornando as negociações cruciais.
O partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e seus aliados alcançaram um potencial de 53 cadeiras. Já os opositores, liderados pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, devem ter conquistado 48 assentos. O forte comparecimento dos árabes-israelenses, cerca de 80%, impulsionou os partidos árabes a esse patamar histórico.
Divisões internas e rejeição política
Apesar de seu poder de barganha recém-adquirido, os partidos árabes estão divididos. De um lado, o partido islamista Ra’am; do outro, uma lista conjunta que une o Hadash (árabe-judeu e comunista), o Balad (nacionalista palestino) e o Ta’al (nacionalista árabe). Essa fragmentação dificulta a formação de um bloco coeso para negociações.
O primeiro-ministro Netanyahu descartou qualquer possibilidade de incluir os partidos árabes em seu governo, alegando interferência estrangeira, como do Catar, para o desempenho do grupo, e exigindo investigação pelo Shin Bet, a agência de segurança israelense. Essa postura foi reforçada durante a campanha eleitoral.
Por outro lado, Gadi Eisenkot, embora tenha criticado Netanyahu por tentar deslegitimar a eleição, também enfrenta dificuldades para negociar abertamente com as forças árabes, sob o risco de perder apoio dentro de seu próprio grupo opositor.
Diferentes visões sobre a participação no governo
A política árabe em Israel está mais dividida do que nunca, segundo análise do professor Yusri Hazran, da Universidade de Tel-Aviv. Duas correntes principais disputam a visão sobre a participação política.
Uma delas foca na questão nacionalista como chave para normalizar as relações entre a sociedade árabe e o Estado. A outra corrente, representada pelo Ra’am, busca mudanças pragmáticas e demonstra disposição para se juntar a qualquer coalizão que avance os interesses locais da sociedade árabe. Essa vertente não nega a identidade nacional palestina, mas não a considera o fator decisivo nas relações com o Estado.
Um estudo do Programa Konrad Adenauer para Cooperação Judaico-Árabe indica que uma maioria significativa (73,2%) dos cidadãos árabes de Israel apoia a inclusão de um partido árabe no governo. Desses, 41,8% apoiam a entrada em qualquer governo formado, enquanto 31,4% preferem um governo de centro-esquerda.
Próximos passos
A formação de um governo em Israel agora depende de complexas negociações entre os partidos, com os partidos árabes em uma posição de influência sem precedentes, mas limitada por suas próprias divisões e pela relutância dos principais blocos políticos em incluí-los.
Matérias originais
- Partidos árabes crescem em eleição em Israel. O que isso pode significar? · infomoney.com.br



