Vitória de Lula inspira esquerda e desafia direita no exterior

Destaques
- •Estratégia digital de campanha de Lula é vista como modelo por partidos europeus e ativistas americanos.
- •O "faz o L" se tornou símbolo internacional de resistência progressista, replicado em manifestações na Espanha e por políticos no México e França.
- •Aliados de Donald Trump usam resultado eleitoral brasileiro para questionar segurança de eleições nos EUA.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial brasileiro está reverberando no debate político internacional. Lideranças progressistas buscam replicar a estratégia de mobilização que garantiu a reeleição do petista, enquanto aliados de Donald Trump utilizam o resultado para alimentar questionamentos sobre a segurança das eleições americanas. A repercussão ganha força às vésperas das eleições legislativas dos Estados Unidos e durante a campanha eleitoral da Espanha.
Um dos principais articuladores dessa movimentação é o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reuniu mais de 10 milhões de participantes durante a campanha. A estratégia de mobilização digital, que incluiu compartilhamento de vídeos e mensagens, chamou atenção da imprensa internacional e despertou o interesse de partidos europeus. O jornal espanhol El País apontou a ação como um dos fatores que contribuíram para a recuperação eleitoral de Lula entre o primeiro e o segundo turno. Após a vitória, Janones recebeu agradecimento público do presidente reeleito.
Janonismo além das fronteiras
A experiência brasileira de organização digital tem sido acompanhada por integrantes da esquerda francesa e argentina. Ativistas americanos também discutem estratégias semelhantes para enfrentar o trumpismo. O deputado André Janones foi convidado a colaborar com a campanha de Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha, que enfrenta eleições em novembro. O contato teria ocorrido por intermediários, e a participação ainda depende de negociações.
Símbolo de resistência progressista
O mote de campanha petista “faz o L” ultrapassou as eleições brasileiras e, após a vitória de Lula, tem sido utilizado como símbolo internacional de resistência progressista. O símbolo foi replicado pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, ao comemorar a vitória de Lula. Desde então, o símbolo já foi visto sendo feito por manifestantes em Móstoles, na região de Madri, na Espanha, durante mobilização do grupo Frente Amplio. Na França, apoiadores de Jean-Luc Mélenchon passaram a utilizar referências à campanha brasileira em meio às discussões sobre a eleição presidencial de 2027.
Reação da direita e oposição
Para a direita, o resultado das urnas brasileiras representa uma interrupção na sequência de vitórias de seus aliados na América Latina. Aliados de Donald Trump, por sua vez, usam o resultado para questionar a segurança das eleições americanas, em um movimento que ganha força às vésperas das eleições legislativas dos Estados Unidos. O presidente do partido de Trump rejeitou declarações em que senadores questionam a vitória de Lula, em um encontro que ocorre em meio à disputa pela liderança da direita.
Um levantamento do Diap indica que Lula terá apoio fiel de apenas 1 em cada 4 deputados em seu quarto mandato, apontando dependência de acordos com o Centrão e avanço da oposição no Senado. No entanto, o estudo também indica espaço para o governo ampliar sua base parlamentar.



