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Emissões de debêntures incentivadas caem 61,3% em setembro, mas mercado secundário avança

29 de outubro de 2026
Emissões de debêntures incentivadas caem 61,3% em setembro, mas mercado secundário avança

Destaques

  • •Volume de emissões de debêntures incentivadas em setembro foi de R$ 6,3 bilhões, uma recuperação em relação a agosto, mas ainda 61,3% menor que no ano anterior.
  • •O mercado secundário de debêntures incentivadas registrou alta de 19,1% em setembro e 20,9% no acumulado do ano, impulsionado pela alta dos spreads.
  • •Debate sobre a possível tributação de ativos isentos, como debêntures incentivadas, volta a preocupar o mercado e pode influenciar futuras captações.

As emissões de debêntures incentivadas apresentaram uma recuperação em setembro, atingindo R$ 6,3 bilhões, um aumento significativo em relação aos R$ 170 milhões registrados em agosto. No entanto, este volume ainda representa uma queda de 61,3% em comparação com o mesmo mês de 2025, quando foram emitidos R$ 16,3 bilhões. No acumulado de janeiro a setembro, as ofertas totalizaram R$ 79,1 bilhões, uma retração de 30,5% em relação ao ano anterior, e a participação dessas debêntures no total de emissões caiu de 35,7% para 30,3%.

Apesar do desempenho no mercado primário, o mercado secundário de debêntures incentivadas mostrou um cenário mais positivo. As negociações somaram R$ 33,7 bilhões em setembro, um avanço de 19,1% sobre agosto e de 10,1% em relação a setembro de 2025. No acumulado do ano, o volume negociado cresceu 20,9%, alcançando R$ 309,8 bilhões. A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) destacou que as debêntures incentivadas foram o principal motor do mercado secundário de debêntures como um todo, respondendo por 45% do volume negociado no período.

Mercado secundário em alta

Erika Lacreta, gerente de Mercado de Capitais da Anbima, atribuiu o avanço no mercado secundário à alta dos spreads das debêntures incentivadas ao longo do ano, o que estimulou a compra e venda desses títulos. Ela ressaltou a capacidade do mercado secundário de absorver ajustes e manter a liquidez dos ativos, mesmo em cenários de maior volatilidade.

O mercado secundário de debêntures como um todo movimentou R$ 689 bilhões entre janeiro e setembro, um crescimento de 5,8%. A participação das debêntures incentivadas nesse volume subiu de 39,3% em 2025 para 45% em 2026, evidenciando sua importância para a liquidez do mercado.

Tributação volta ao radar

Os dados sobre o mercado de debêntures surgem em um momento de retomada do debate sobre a tributação de ativos isentos. A equipe econômica do governo estuda a possibilidade de cobrar IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas, que atualmente são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas e possuem alíquota zero de IOF. A mudança poderia ser feita por decreto, segundo o jornal O Globo, embora o governo tenha negado a intenção.

Profissionais do mercado expressam preocupação com o impacto de uma mudança abrupta na tributação, temendo o encarecimento do crédito para empresas e investidores. Uma tentativa anterior de tributar esses ativos em 2025 não avançou.

No subsetor de concessionárias de rodovias, a captação mudou significativamente. Em 2026, 71,5% das debêntures em circulação são papéis comuns atrelados ao CDI, enquanto as incentivadas representam 28,5%. Em 2025, a proporção era inversa, com 67,9% de incentivadas. A troca de instrumento reflete a piora dos fundos de infraestrutura e a anulação da vantagem da isenção pelo spread, segundo Fernando Tinoco, da Régia Capital.

Leopoldo Crippa, da Porto Asset, considera a captação via debêntures incentivadas positiva para empresas de capital intensivo, mas alerta para a volatilidade dos fundos incentivados. O subsetor de rodovias soma R$ 100,9 bilhões em debêntures em circulação, sendo que cerca de 72% desse saldo foi emitido de 2024 para cá, com as incentivadas ainda respondendo por 66% do estoque.

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