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Dólar em alta: Especialistas divergem sobre percentual ideal de patrimônio no exterior

02 de novembro de 2026
Dólar em alta: Especialistas divergem sobre percentual ideal de patrimônio no exterior

Destaques

  • •A disparada do dólar após a eleição presidencial reacendeu o debate sobre a alocação de patrimônio em moeda estrangeira.
  • •Especialistas divergem sobre a porcentagem ideal de investimentos no exterior, mas concordam que a decisão deve ser estratégica e não reativa ao pânico do mercado.
  • •A diversificação internacional é vista como um componente estrutural das carteiras, com diferentes abordagens sobre quais ativos e regiões priorizar.

A volatilidade do dólar, que atingiu R$ 5,44 na sexta-feira (30) após a reeleição do presidente Lula, reacendeu o debate sobre a porcentagem do patrimônio que deveria estar alocada em moeda americana. Gestores e casas de investimento ouvidos pelo InfoMoney divergem sobre a dose ideal, mas concordam que a decisão deve ser baseada em um plano de longo prazo, e não no humor do mercado.

O primeiro pregão após a eleição viu o dólar subir de menos de R$ 5 para R$ 5,40, registrando a quinta maior alta desde o Plano Real. Na sexta-feira seguinte, a moeda fechou em R$ 5,44, a maior cotação de 2026. Essa disparada gerou perdas para investidores que haviam comprado títulos prefixados antes do segundo turno e vendido durante o pânico.

Quanto ter em moeda estrangeira?

Especialistas como Bruno Shahini, da Nomad, sugerem focar no retorno de longo prazo, citando que o S&P 500 rendeu cerca de 79% em dólares nos últimos cinco anos. Luis Ferreira, do EFG Bank, concorda que uma cotação acima da pré-eleição não significa que o dólar esteja caro.

Por outro lado, Ian Cao, da Gama Investimentos, alerta que correr para o câmbio por susto configura um trade, não um investimento, e pode gerar prejuízos. Ele lembra que a moeda chegou a R$ 5,60 durante o pregão do dia 26.

A Nomad sugere entre 20% e 40% do portfólio para investidores moderados, podendo chegar a 50% ou 80% para os mais sofisticados. Cao considera que menos de 20% no exterior é um erro, pois simulações indicam melhor desempenho de carteiras com essa fatia. Ferreira é mais cauteloso, afirmando que o perfil moderado não é suficiente para definir o percentual, que depende de objetivos, liquidez, prazo e tolerância a perdas. Ele discute uma faixa de 25% a 50% para algumas famílias, mas sem regra geral.

O brasileiro investe pouco no exterior

Um estudo da FGVcef de setembro revelou que apenas 6,3% do patrimônio declarado ao Imposto de Renda está no exterior. Uma estimativa anterior do mesmo centro sugeria que ao menos 16% deveriam estar fora do país para neutralizar o efeito do dólar sobre o consumo, mas esse percentual é visto como ponto de partida.

Gustavo Farhat, do Sunstate Bank, aponta que essa concentração patrimonial no Brasil expõe o investidor a riscos econômicos, fiscais, políticos, regulatórios e cambiais simultaneamente.

A XP, em relatório, também classifica a diversificação internacional como um “componente estrutural” das carteiras, defendendo uma exposição gradual.

Como e quando investir no exterior

Especialistas evitam receitas prontas sobre o ritmo de entrada. Shahini sugere aportes mensais para diluir o preço médio e evitar a espera pela melhor cotação. Ferreira vê o escalonamento como organização da execução, enquanto Cao recomenda começar com pouco.

Os recursos podem vir de um rebalanceamento. Se o alvo é 20% no exterior e a carteira está abaixo, reduzir ativos brasileiros pode ser uma opção. Ferreira, no entanto, ressalva que a queda da Bolsa no dia 26 não deveria, por si só, motivar a venda de ações brasileiras.

Na escolha de ativos, Shahini prefere os EUA, com acesso a setores como IA e biotecnologia, além de renda fixa em dólar com taxas atrativas. Ferreira aponta outras regiões com valuations mais interessantes, como Ásia e Europa (indústria e defesa), alertando para a repetição de posições em fundos e ETFs. Cao foca em classes de ativos como private equity e hedge funds, buscando gestores com histórico de gerar alfa.

Imóveis no exterior também são citados como alternativa de diversificação, oferecendo renda de aluguel em dólar e planejamento sucessório, segundo Daniel Ickowicz, da Elite International Realty. A escolha deve considerar objetivos, localização, potencial de renda, liquidez, custos e tributação.

O erro mais comum, segundo Shahini, é escolher um percentual incompatível com a tolerância a risco. Ferreira alerta que a urgência não deve substituir o planejamento na diversificação.

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