Dia de Finados movimenta economia e tradições na América Latina

Destaques
- •Celebrações de Finados na América Latina combinam rituais indígenas e católicos, impulsionando economias locais.
- •No México, a festa deve movimentar US$ 2,94 bilhões em 2026, com destaque para o cultivo de flores cempasúchil.
- •No Brasil, o setor de flores projeta crescimento de 5,2% nas vendas para o feriado, que representa 8% do faturamento anual.
As celebrações em torno do Dia de Finados, em 2 de novembro, na América Latina, revelam uma profunda conexão entre memória, tradições culturais e a economia local. Em diversos países, práticas indígenas ancestrais se mesclam ao calendário católico de Todos os Santos (1º de novembro) e dos Fiéis Defuntos, impulsionando setores como agricultura, panificação, comércio e floricultura.
A Forbes destaca como essas datas movimentam bilhões em negócios, com costumes que variam desde a culinária até a decoração de altares e túmulos.
México: Milho, flores e bilhões em negócios
No México, as comemorações do Dia dos Mortos, que se estendem de 25 de outubro a 2 de novembro, devem gerar 53 bilhões de pesos mexicanos (cerca de US$ 2,94 bilhões) em 2026, um aumento de 7% em relação a 2025, segundo a Concanaco-Servytur. A estimativa abrange alimentos, flores, comércio, hospedagem e transporte.
Reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, a festa indígena dos mortos marca o fim do ciclo anual do milho. Famílias preparam oferendas com tortillas, tamales, atole, frutas e o tradicional pan de muerto. A flor cempasúchil é amplamente utilizada para decorar túmulos e guiar simbolicamente as almas.
A produção de plantas para a data atingiu um recorde na Cidade do México, com 10 milhões de unidades cultivadas por 597 produtores de Xochimilco, um aumento de 53,8% em relação ao ano anterior.
Guatemala, Peru, Equador e Bolívia: Sabores e tradições regionais
Na Guatemala, o prato fiambre, que pode conter mais de 40 ingredientes como hortaliças, carnes e queijos, é o destaque do Dia de Todos os Santos. O preparo, que começa dias antes, foi declarado Patrimônio Cultural Intangível da Nação.
No Peru, as t’anta wawas, pães moldados em formatos de bebês e animais, são tradição nas regiões andinas, impulsionando a panificação artesanal. O Ministério da Cultura considera esses pães um elo com a memória familiar.
O Equador celebra com a colada morada, uma bebida espessa de milho escuro, frutas e especiarias, acompanhada pelas guaguas de pan, pães em formato de crianças. A tradição movimenta padarias e o comércio de ingredientes locais, como o mortiño, colhido em setembro e outubro.
Na Bolívia, as homenagens incluem t’antawawas em forma humana, escadas e animais, além de frutas e cana-de-açúcar. A produção de pães e oferendas mobiliza comerciantes, que enfrentam o aumento dos custos de farinha e açúcar.
Brasil: Finados e o mercado de flores
No Brasil, o Dia de Finados é marcado por visitas a cemitérios e missas, com forte ligação econômica com o setor de flores e plantas ornamentais. O Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor) prevê um crescimento de 5,2% nas vendas associadas ao feriado de 2026, em comparação com 2025.
A data representa cerca de 8% das vendas anuais do setor. Crisântemos, kalanchoes, antúrios, violetas e orquídeas são as plantas mais procuradas. Na Ceagesp, em São Paulo, a expectativa é comercializar 465.774 unidades de flores em outubro, com receita de R$ 8,96 milhões, um aumento em relação ao ano anterior.
“É um dos momentos de maior dinamismo e relevância econômica para o setor”, afirma João Gabriel Alves da Costa, analista de economia da Ceagesp. Em Ribeirão Preto (SP), a expectativa é de alta de 10% a 15% nas vendas de outubro.



