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Copom: BC decide hoje se mantém Selic em 13,75% ou corta para 13,50%

04 de novembro de 2026
Copom: BC decide hoje se mantém Selic em 13,75% ou corta para 13,50%

Destaques

  • •Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne nesta quarta-feira para definir a taxa básica de juros.
  • •Mercado financeiro está dividido entre a manutenção da Selic em 13,75% ao ano e um corte para 13,50%, após deterioração das expectativas de inflação e incertezas fiscais.
  • •Decisão do Copom e o comunicado do BC serão acompanhados de perto em busca de pistas sobre a trajetória futura dos juros e a condução da política monetária.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (16) para decidir o futuro da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Após cinco cortes consecutivos, os economistas do mercado financeiro estão divididos: a maioria aposta em um novo corte de 0,25 ponto percentual, para 13,50% ao ano, mas uma parcela considerável prevê a manutenção da taxa no patamar atual.

A decisão do BC, que será anunciada após as 18h, ocorre em um cenário de maior complexidade para a condução da política monetária. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para mais um mandato presidencial trouxe incertezas sobre a condução das contas públicas, levando o mercado financeiro a elevar projeções de inflação e reduzir expectativas de crescimento econômico. Isso se refletiu na bolsa de valores, com o Ibovespa registrando uma queda de 18,12% na semana de 30 de outubro, e na perda de R$ 963 bilhões em valor de mercado para empresas listadas na B3.

Piora nas expectativas e cenário fiscal

A deterioração das expectativas de inflação e a incerteza sobre a política fiscal do próximo governo têm reduzido o espaço para novos cortes na Selic. O Banco Central atua com base no sistema de metas de inflação, e se as projeções de preços estão acima do esperado, o Copom tende a manter ou subir a taxa. A meta de inflação para 2025 foi fixada em 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.

O BC considera as projeções do mercado, que recentemente indicaram câmbio mais depreciado e inflação mais alta, mas também trabalha com suas próprias estimativas. A dívida bruta do governo atingiu 82,9% do PIB, o equivalente a R$ 11,1 trilhões, o que eleva a percepção de risco e a exigência de remuneração por parte dos investidores. Esse ciclo de dívida alta e juros elevados preocupa o mercado, pois encarece o financiamento e limita o crescimento econômico.

Opinião dos analistas sobre a decisão

A maioria dos analistas, como os do C6 Bank e Itaú BBA, projeta a manutenção da Selic em 13,75% ao ano. Eles argumentam que a piora do cenário prospectivo para a inflação e a incerteza fiscal reduzem o espaço para novos cortes. O Itaú BBA, por exemplo, espera que a taxa permaneça nesse patamar durante todo o próximo ano.

Por outro lado, economistas como Rafaela Vitória, do banco Inter, e Jeferson Bittencourt, do ASA, ainda consideram possível um último corte de 0,25 ponto percentual, levando os juros a 13,50%. Eles apontam a desaceleração da atividade econômica e a projeção de inflação próxima da meta como justificativas, mas reconhecem que a possibilidade de manutenção aumentou.

A decisão de manter os juros em 13,75% é vista como a mais prudente por alguns analistas, como Juliana Daitx, da Unicred Porto Alegre, diante da disparada do dólar, inflação acima da meta e falta de clareza fiscal. A redução dos juros, segundo ela, dependerá de uma melhora consistente das expectativas de inflação e da percepção sobre o risco fiscal.

Impacto no crédito e o que observar no comunicado

Enquanto o mercado discute a Selic, os efeitos dos juros elevados já pesam sobre famílias e empresas. O comprometimento da renda com dívidas atingiu o maior nível em 21 anos, e indicadores de inadimplência avançaram. Crédito mais caro e difícil de obter dificulta a reorganização de dívidas e a manutenção do consumo e investimentos.

Uma redução da Selic poderia aliviar esse quadro, mas o efeito não seria imediato. O comunicado do Copom será crucial para entender os próximos passos do Banco Central. Analistas buscam pistas sobre se o ciclo de cortes será apenas interrompido temporariamente ou se há espaço para retomada. Referências explícitas ao câmbio, expectativas de inflação e risco fiscal podem indicar que os juros permanecerão elevados por mais tempo.

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