Argentina prevê safra recorde de trigo com demanda brasileira impulsionada pelo El Niño

Destaques
- •Argentina projeta uma produção de trigo de 23,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, a segunda maior da história, impulsionada pela demanda brasileira.
- •O fenômeno El Niño causou chuvas intensas no sul do Brasil, afetando o volume e a qualidade da produção nacional, o que pode levar o país a importar quase 9 milhões de toneladas de trigo.
- •O mercado de trigo argentino também foi influenciado pela queda nos preços internacionais devido a sinais de menor tensão no conflito entre Rússia e Ucrânia.
A Argentina projeta uma safra de trigo de cerca de 23,5 milhões de toneladas na temporada 2026/27, o que a colocaria como a segunda maior da história do país. O volume, embora inferior ao recorde de 27,8 milhões de toneladas da safra anterior, é considerado expressivo e fundamental para o comércio exterior argentino, que posiciona o complexo tritícola em sétimo lugar em relevância, atrás apenas de soja, petróleo, milho, automóveis, ouro e prata, e carne bovina.
A demanda brasileira é apontada como um dos principais fatores que movimentam o mercado de trigo argentino. Tradicional importador do cereal, o Brasil tem sua produção afetada pelas chuvas intensas provocadas pelo fenômeno El Niño, especialmente nos estados do sul. Essas condições climáticas impactaram negativamente o volume e a qualidade do trigo nacional.
Impacto do El Niño na produção brasileira
O El Niño tem causado chuvas fortes no sul do Brasil, região onde se concentra a maior parte da produção nacional de trigo. Segundo analistas, o excesso de umidade no solo e as precipitações frequentes afetaram o desenvolvimento da cultura e a qualidade dos grãos.
Com a produção brasileira comprometida em volume e qualidade, a expectativa é de um aumento na demanda por importações. As projeções indicam que o Brasil pode importar quase 9 milhões de toneladas de trigo nesta safra, um volume significativamente maior do que as cerca de 6 milhões de toneladas importadas em anos anteriores.
Fatores internacionais e preços
Outro fator que influenciou o mercado de trigo foi a queda nos preços internacionais, atribuída a notícias sobre uma possível redução das tensões no conflito entre Rússia e Ucrânia. Ambos os países são grandes produtores mundiais de trigo, e qualquer sinal de normalização das exportações de seus portos afeta diretamente os preços globais.
Em meados de outubro, o trigo com entrega em dezembro era negociado na Argentina a US$ 207 por tonelada, uma queda em relação aos US$ 243 de setembro. Entre agosto e o início de outubro, os negócios giraram em torno de US$ 225 a US$ 230 por tonelada.
Perspectivas para a safra argentina
A Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BdeC) informou que a colheita de trigo na Argentina atingiu 6,7% da área nacional, com um leve atraso devido às chuvas recentes. Apesar disso, as condições gerais da safra são consideradas boas, com expectativas de produtividade de 4,3 toneladas por hectare na região núcleo.
A oferta total de trigo disponível na Argentina nesta safra é estimada em 27,57 milhões de toneladas, somando a produção de 23,40 milhões de toneladas e um estoque remanescente de 4,17 milhões de toneladas. Desse total, 7 milhões de toneladas devem ser destinadas à indústria moageira e 1 milhão para sementes, deixando um excedente exportável de 16 milhões de toneladas.



