Vida & SaúdeRelevância BR: 2/10

Combinação de medicamentos melhora sintomas de Parkinson em camundongos

26 de outubro de 2026

Destaques

  • •Nova terapia experimental com dois compostos reduziu dificuldades motoras em animais com Parkinson
  • •Tratamento visa equilibrar o oxigênio nas células cerebrais, afetadas pela doença
  • •Pesquisa abre caminho para novas avaliações em humanos, mas eficácia ainda não é comprovada

Uma combinação experimental de dois medicamentos demonstrou melhorar os movimentos de camundongos que apresentavam alterações semelhantes às da doença de Parkinson. A estratégia busca replicar os efeitos do ar rarefeito de montanhas, reduzindo a quantidade de oxigênio que chega aos tecidos, incluindo o cérebro. Os resultados foram publicados em nove de outubro na revista científica PNAS.

O tratamento foi iniciado quando os animais já exibiam dificuldades motoras. Após a administração dos compostos, os camundongos mostraram melhora em testes de avaliação motora, como descer mais rapidamente por uma haste e permanecer agarrados à tampa de uma gaiola por mais tempo.

Como a terapia funciona

A proposta terapêutica parte de um desequilíbrio associado ao funcionamento das mitocôndrias, as estruturas celulares responsáveis pela produção de energia a partir do oxigênio. Quando as mitocôndrias não operam adequadamente, a oferta de oxigênio pode exceder a capacidade de utilização celular, levando a danos teciduais.

No contexto da doença de Parkinson, o acúmulo da proteína alfa-sinucleína pode comprometer o funcionamento das mitocôndrias. A equipe de pesquisa investigou, então, uma forma de diminuir a entrega de oxigênio aos tecidos para que ela se aproxime da quantidade que as células conseguem consumir.

Os compostos e seus papéis

A combinação terapêutica reúne duas substâncias com funções complementares:

  • GBT601: aumenta a capacidade da hemoglobina, proteína do sangue, de reter oxigênio, o que resulta em menor liberação para os tecidos.
  • PT2399: limita a resposta compensatória do organismo, que poderia levar à produção de mais glóbulos vermelhos para intensificar o transporte de oxigênio.

Nos experimentos, a associação dos dois compostos conseguiu reduzir o oxigênio no tecido cerebral sem causar o aumento da hemoglobina que foi observado quando o GBT601 foi utilizado isoladamente.

Parkinson: o que é e como afeta

A doença de Parkinson é uma condição neurológica caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios que produzem dopamina. Esse processo pode afetar diversas áreas do cérebro, resultando em sintomas como tremores involuntários, perda de coordenação motora e rigidez muscular. Outros sintomas incluem lentidão de movimentos, contrações musculares e instabilidade postural.

Em estágios avançados, a doença pode também interferir na produção de acetilcolina, um neurotransmissor crucial para a memória, aprendizado e sono. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), embora a doença seja mais comum em idosos, cerca de 10% a 15% dos diagnosticados têm menos de 50 anos. Em jovens, a causa frequentemente está ligada a fatores genéticos, com progressão mais lenta dos sintomas e maior expectativa de vida.

Atualmente, o Parkinson não tem cura, mas os tratamentos disponíveis visam diminuir a progressão dos sintomas e melhorar a qualidade de vida, combinando medicamentos, acompanhamento multidisciplinar e, em alguns casos, cirurgia cerebral.

Resultados e próximos passos

Para induzir alterações semelhantes às do Parkinson, os cientistas injetaram agregados de alfa-sinucleína no cérebro dos camundongos. Após seis semanas, iniciaram a administração diária dos medicamentos por via oral, mantendo o tratamento por mais seis semanas.

Além da melhora motora, a combinação terapêutica resultou na redução do excesso de oxigênio cerebral e de um marcador de danos às gorduras no tecido. No entanto, um comportamento similar à ansiedade não apresentou melhora. Pesquisadores não identificaram sinais de hipertensão pulmonar nos animais de controle.

Os achados atuais demonstram efeitos promissores da combinação em modelos animais, abrindo caminho para futuras avaliações. Contudo, a eficácia da terapia para tratar pacientes humanos com Parkinson ainda precisa ser estabelecida em estudos clínicos.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas