Benzeno em carros: Boato sobre níveis perigosos é desmentido por estudos

Destaques
- •Boato viralizado afirma que carros acumulam benzeno em níveis perigosos, mas estudos recentes mostram concentrações muito baixas.
- •Pesquisas indicam que os níveis de benzeno em veículos são significativamente inferiores aos considerados perigosos para a saúde humana.
- •Especialistas e estudos científicos desmentem a relação entre o uso do ar-condicionado e o aumento de benzeno em carros.
Um boato que circula desde 2020, e que ressurgiu recentemente, afirma que carros fechados acumulam de 400 a 800 mg de benzeno à sombra e até 4 g sob o sol, substância cancerígena que exigiria a aeração do veículo por dois minutos. No entanto, estudos recentes e especialistas desmentem essas alegações, apontando que as concentrações de benzeno em veículos são muito baixas e não representam um risco à saúde.
Níveis de benzeno em veículos são baixos
Estudos recentes medem a concentração de benzeno em massa por volume. Em 2024, medições realizadas durante sete dias em um carro novo registraram apenas 1,5 micrograma (µg) de benzeno por metro cúbico (m³) de cabine. Para contextualizar, a agência de segurança no trabalho dos EUA considera perigosas concentrações acima de 300 µg/m³.
A provável origem da desinformação remonta a um estudo de 2003 que detectou de 400 a 800 µg/m³ de compostos orgânicos voláteis no total em carros fechados. O benzeno era apenas uma pequena fração desses compostos, e a unidade de medida era diferente daquela apresentada no boato.
O que dizem os especialistas e estudos
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) informou que não encontrou evidências científicas que sustentem os valores de concentração de benzeno em veículos fechados citados no boato, nem a necessidade de aguardar dois minutos com as janelas abertas para prevenir o câncer. Abrir as janelas pode ajudar na renovação do ar e na redução da temperatura interna, mas não é uma medida comprovada para evitar o câncer relacionado ao benzeno.
Especialistas e estudos científicos consultados pela AFP e outras agências de checagem indicam que as concentrações de benzeno no interior dos automóveis são muito baixas em comparação com os níveis considerados perigosos. Um professor de química da Universidade McGill, no Canadá, afirmou que, embora a concentração de benzeno em um carro possa atingir 560 mg por metro cúbico, esse valor é cerca de 100 vezes menor que a exposição mínima associada à leucemia. Ele concluiu que a suposta toxicidade do benzeno em um carro não é um problema.
Fontes de benzeno e riscos reais
O benzeno é, de fato, uma substância cancerígena reconhecida pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC). A exposição crônica pode afetar a medula óssea, a produção de células sanguíneas e aumentar o risco de cânceres hematológicos, como a leucemia. Uma exposição prolongada também pode causar aborto.
As principais fontes de exposição ao benzeno incluem a fumaça do tabaco, gases de escapamento de automóveis, emissões industriais e alguns produtos químicos como colas e tintas. Em postos de combustível, o benzeno está presente na gasolina e representa um risco ocupacional para frentistas e trabalhadores.
É importante notar que as montadoras têm aprimorado os materiais utilizados no interior dos veículos, utilizando colas, tecidos e plásticos com baixa emissão de compostos voláteis, além de seguir normas internacionais mais rigorosas. Carros mais antigos podem apresentar níveis ligeiramente mais altos de benzeno, especialmente nos primeiros meses de uso.
Matérias originais
- “Carro deixado no sol acumula até 4 g de benzeno.” Não é bem assim… · super.abril.com.br

