Usuários de Ozempic e Wegovy buscam suplementos para aliviar efeitos colaterais

Destaques
- •Medicamentos como Ozempic e Wegovy, eficazes contra obesidade e diabetes, causam efeitos colaterais gastrointestinais e fadiga.
- •Muitos usuários recorrem a suplementos alimentares, cujas vendas disparam nos EUA, para mitigar esses sintomas.
- •A falta de regulamentação prévia pela FDA e a promoção por influenciadores levantam preocupações sobre a segurança e credibilidade desses produtos.
Medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, revolucionaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, com projeções de atingir 25 milhões de norte-americanos até 2030. No entanto, seus efeitos colaterais, que incluem desconforto gastrointestinal, náuseas, vômitos, constipação, diarreia e fadiga intensa, têm levado muitos usuários a buscar alívio em suplementos alimentares. Um estudo recente indica que quase metade dos usuários de GLP-1 iniciou o uso de novas vitaminas e suplementos após o tratamento, com probióticos, proteínas e fibras sendo particularmente populares.
Suplementos: um mercado em expansão e pouco regulado
As vendas de suplementos nos Estados Unidos ultrapassaram US$74 bilhões em 2025, um crescimento impulsionado em parte pela crescente popularidade nas redes sociais. Usuários como Allison Vecchio, de 42 anos, relatam que um coquetel de suplementos, custando entre US$200 e US$300 por mês, ajudou a diminuir os sintomas adversos dos medicamentos. Terri Hart, 52 anos, também utiliza suplementos como magnésio, eletrólitos e vitamina B12, que custam cerca de US$110 mensais, para combater náuseas e fadiga.
Apesar da confiança dos consumidores, médicos e órgãos reguladores levantam alertas sobre a credibilidade científica e a segurança desses produtos. Nos EUA, vitaminas e suplementos não necessitam de aprovação prévia da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), o que dificulta a avaliação de sua eficácia e segurança. A falta de regulamentação prévia torna desafiador para os consumidores saberem exatamente o que estão ingerindo e quais riscos podem estar correndo.
O papel das redes sociais e a falta de regulamentação
Influenciadores digitais desempenham um papel cada vez maior na promoção de suplementos, com alguns pesquisadores médicos pedindo mais regulamentação sobre o marketing online desses produtos. Rob Fried, presidente-executivo da Niagen Bioscience, alertou que empresas podem usar influenciadores para fazer qualquer afirmação que ajude a vender seus produtos. Allison Vecchio, com 25 mil seguidores no TikTok, mantém contratos com três marcas e participa do programa HealthPro da TikTok Shop. Terri Hart, com mais de 12.000 seguidores, promove produtos que considera úteis, mas ressalta que não é profissional médica e incentiva os seguidores a consultarem médicos.
A TikTok Shop gerou mais de US$1 bilhão em vendas de suplementos alimentares em 2025. Pesquisas indicam que usuários de GLP-1 gastam cerca de 20% a mais em proteínas, fibras e colágeno do que antes de iniciarem o tratamento. A falta de regulamentação e a influência de marketing levantam preocupações sobre a segurança e a eficácia dos suplementos utilizados para mitigar os efeitos colaterais dos medicamentos para obesidade e diabetes.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado no Brazilian Journal of Biological Sciences em 2026, intitulado "Efeitos Colaterais em Pacientes Usuários de Agonistas de GIP e GLP1 para Emagrecimento", analisou os principais efeitos colaterais relatados por pacientes que utilizam agonistas de GIP e GLP-1 para perda de peso. A pesquisa, baseada em uma revisão da literatura, indica que os efeitos colaterais mais comuns afetam o trato gastrointestinal, com sintomas como náuseas, vômitos, constipação e diarreia, geralmente transitórios e dependentes da dose.
O estudo também aponta para eventos adversos menos frequentes, mas que exigem monitoramento clínico constante, como pancreatite, colelitíase, cetoacidose diabética e possíveis alterações psiquiátricas. Embora existam riscos identificados, as evidências sugerem que os benefícios terapêuticos dessas substâncias, na maioria das vezes, superam os efeitos colaterais, desde que o tratamento seja monitorado e individualizado adequadamente. A pesquisa destaca que essas terapias representam um avanço importante no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2, mas ainda demandam acompanhamento farmacológico.
Pesquisa citada
- Efeitos Colaterais em Pacientes Usuários de Agonistas de GIP e GLP1 para Emagrecimento
Brazilian Journal of Biological Sciences · 2026


