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Suinocultura brasileira avança em bem-estar animal, mas enfrenta desafios de transição

27 de outubro de 2026
Suinocultura brasileira avança em bem-estar animal, mas enfrenta desafios de transição

Destaques

  • •Relatório Observatório Suíno revela que 74,1% das matrizes de empresas participantes já estão em baias coletivas, mas a transição total ainda enfrenta obstáculos.
  • •Dificuldades de financiamento e precificação do produto final são os principais entraves para produtores rurais e compradores cumprirem metas de bem-estar animal.
  • •Acompanhamento de práticas como manejo de leitões e uso de antimicrobianos também é detalhado, com avanços e desafios persistentes.

A sétima edição do Observatório Suíno, divulgada pela Alianima nesta quarta-feira (21), aponta que a indústria brasileira de carne suína avança na substituição das celas individuais de gestação por baias coletivas, um compromisso com o bem-estar animal. O relatório de 2026 compila dados de 43 empresas, incluindo frigoríficos, cooperativas e redes de alimentação, e indica que 74,1% das matrizes entre os fornecedores participantes já são mantidas em sistemas coletivos. No entanto, a transição completa, com prazo estabelecido por muitas empresas para 2026, enfrenta ritmos distintos e desafios significativos.

Avanços e Desafios na Transição para Baias Coletivas

A implementação das baias coletivas, que permite maior expressão de comportamentos naturais e interação entre os suínos, exige investimentos consideráveis em novas instalações ou adequação das existentes. Cooperativas como Alegra Foods e Aurora Coop destacam a necessidade de financiamento e planejamento para essa conversão. O relatório revela que 80% das dez principais fornecedoras apontaram dificuldades de financiamento, 70% mencionaram a precificação do produto final e 60% citaram o planejamento das instalações como obstáculos para cumprir as metas.

A estimativa nacional da Alianima para 2026 indica que 45,1% das matrizes brasileiras estão em baias coletivas, um crescimento modesto de 0,2 ponto percentual em relação ao ano anterior. Essa proporção é inferior à registrada entre as empresas participantes do levantamento, que é de 74,1%, evidenciando a disparidade no avanço do setor.

Empresas e Seus Estágios de Transição

Algumas empresas já atingiram a meta de 100% de suas matrizes em baias coletivas, como JBS Brasil (via Seara) e Ecofrigo. Outras, como Pamplona (97%), Aurora Coop (87%), Frimesa (59%) e MBRF (57%), ainda estão em processo, com a Alianima avaliando que as últimas três podem ter dificuldades em cumprir os prazos estabelecidos para 2026.

A Alegra Foods e a Alibem apresentaram os maiores avanços percentuais nesta edição, com 12 pontos percentuais de aumento no alojamento coletivo. Em contrapartida, a Pif Paf Alimentos reduziu seu percentual em 11 pontos, para 48%, e adiou seu compromisso de transição de 2029 para 2045, alinhando-se à Instrução Normativa nº 113/2020.

Compradores e Outras Práticas de Bem-Estar Animal

O acompanhamento dos compradores (supermercados, restaurantes) mostra menor transparência, com apenas 41% respondendo ao questionário. A rede Bob’s informou 100% de carne suína adquirida de fornecedores com gestação coletiva, e o Grupo Madero declarou 72%. No entanto, Forno de Minas reduziu seu percentual de 80% para 30%, e Hippo Supermercados de 91% para 70%. Dificuldades como custo elevado e falta de fornecedores também são apontadas por 61,5% dos compradores que responderam.

O Observatório também monitora práticas com leitões, como idade de desmame (igual ou superior a 24 dias), eliminação da castração cirúrgica sem anestesia e desbaste de dentes. O corte de cauda ainda não tem compromisso de eliminação em oito das dez fornecedoras. No uso de antimicrobianos, seis fornecedoras eliminaram antibióticos promotores de crescimento, mas apenas três baniram o uso profilático.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado em 2023 na obra "Zootecnia: tópicos atuais em pesquisa - Volume 3" analisou as perspectivas do uso de gaiola individual ou baia coletiva na gestação de fêmeas suínas em relação à Instrução Normativa nº 113/2020. O trabalho destaca que, apesar da crescente preocupação com o bem-estar animal e a adoção de baias coletivas para permitir comportamentos naturais, estudos apresentam resultados contraditórios sobre os parâmetros produtivos. A normativa brasileira busca alinhar o país às normas internacionais para assegurar competitividade no mercado externo, mas a transição exige investimentos significativos e planejamento, com potenciais impactos econômicos sobre produtores.

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