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Papa Leão XIV recebe alta após cirurgia de câncer de pulmão

23 de outubro de 2026
Papa Leão XIV recebe alta após cirurgia de câncer de pulmão

Destaques

  • •Papa Leão XIV, de 71 anos, foi submetido a cirurgia para remover um nódulo canceroso no pulmão direito.
  • •O caso reforça o aumento de câncer de pulmão em não fumantes, com fatores como poluição e genética em investigação.
  • •Avanços em terapias-alvo oferecem novas esperanças para pacientes, incluindo aqueles sem histórico de tabagismo.

O papa Leão XIV, de 71 anos, recebeu alta do Hospital Gemelli em Roma no último sábado, quatro dias após uma cirurgia para remover o lobo inferior de seu pulmão direito, onde um nódulo canceroso foi detectado. O sumo pontífice agradeceu pelas orações e compartilhou sua experiência, afirmando que ela o fez vivenciar a proximidade com outros doentes. O caso do papa Leão XIV, que é praticante de esportes e nunca fumou, reforça uma tendência preocupante: o aumento de casos de câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram, que representam cerca de 20% dos diagnósticos e vêm crescendo, especialmente entre mulheres.

Causas e Diagnóstico em Não Fumantes

Embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco, a ciência investiga outras hipóteses para explicar o crescimento de câncer de pulmão em não fumantes. Entre elas estão a poluição do ar, o fumo passivo, a predisposição genética e a exposição ao radônio, um gás radioativo encontrado no solo e em materiais de construção. Estados como Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Paraná possuem áreas com a presença desse gás.

O câncer de pulmão é conhecido por não apresentar sintomas em seus estágios iniciais. Tosse com sangue e falta de ar geralmente surgem quando a doença já está disseminada, levando a que oito em cada dez pacientes descubram o quadro em estágio avançado, com menores chances de cura. Para o diagnóstico precoce em indivíduos de alto risco (homens e mulheres de 50 a 80 anos com histórico de tabagismo), a tomografia computadorizada de baixa dose é recomendada. No entanto, nódulos em não fumantes são frequentemente identificados acidentalmente durante exames realizados por outros motivos, como ocorreu com o papa. O aumento do acesso a exames de imagem tem contribuído para a detecção de tumores que antes poderiam passar despercebidos.

Tratamentos e Avanços Terapêuticos

Quando detectado cedo, o câncer de pulmão pode ser removido cirurgicamente, como no caso do pontífice. Para casos mais avançados, tratamentos como quimioterapia são utilizados. Nos últimos anos, uma nova classe de medicamentos, as terapias-alvo, tem se mostrado promissora, especialmente para tumores com mutações genéticas comuns em não fumantes. Essas terapias atacam alterações moleculares específicas do câncer, sendo mais eficazes que a quimioterapia e ampliando a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes.

A psicóloga Shirlei Meira de Miranda, de 55 anos, é um exemplo de paciente que se beneficia da terapia-alvo para um câncer de pulmão em estágio avançado, devido a uma mutação no gene EGFR. Ela relata que sua irmã faleceu da doença há trinta anos, quando tais tratamentos não existiam. Estudos recentes sugerem que a poluição do ar pode contribuir para mutações no DNA, especialmente em mulheres. Uma análise da OMS indicou que alterações genéticas como a do gene EGFR estão presentes em 50% dos tumores em mulheres asiáticas não fumantes e em quase 20% entre mulheres ocidentais que nunca fumaram.

Desafios e Recomendações

Um dos dilemas atuais é que as diretrizes de rastreamento da doença geralmente excluem o público não tabagista. Oncologistas defendem a expansão dos exames para populações de risco, como mulheres que não fumam e vivem em áreas poluídas. Embora não haja consenso oficial, pessoas com histórico familiar ou sintomas respiratórios persistentes são aconselhadas a procurar um especialista para avaliar a necessidade de uma tomografia de tórax. O caso do papa serve como um alerta sobre o crescimento da doença entre não fumantes e a importância da detecção precoce.

Em um congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), a oncologista espanhola Pilar Garrido destacou que a participação feminina em pesquisas clínicas sobre câncer de pulmão ainda é desigual, o que pode limitar o conhecimento sobre a doença e seus tratamentos nesse público. Ela ressaltou que mulheres podem ser mais suscetíveis aos efeitos carcinogênicos do cigarro e que os critérios de rastreamento atuais podem deixar de identificar mulheres sob risco que não se enquadram nos parâmetros de idade e carga tabágica. A pesquisa em câncer de pulmão em não fumantes, onde cerca de dois terços dos casos ocorrem em mulheres, é um desafio que exige maior atenção e inclusão de diferentes perfis de pacientes para aprimorar prevenção, diagnóstico e tratamento.

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