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Moradores dos EUA relatam zumbido e fumaça de data centers de IA

23 de outubro de 2026
Moradores dos EUA relatam zumbido e fumaça de data centers de IA

Destaques

  • •Expansão de data centers para suportar IA causa incômodo a moradores nos EUA.
  • •Ruído constante, fumaça de diesel e preocupações com saúde e infraestrutura energética são relatados.
  • •Brasil discute incentivos fiscais para data centers, mas regulamentação sobre impacto local ainda é pendente.

A explosão da inteligência artificial (IA) está impulsionando uma corrida global pela construção de data centers, complexos essenciais para o armazenamento e processamento de dados. No entanto, a proximidade dessas instalações com áreas residenciais tem gerado preocupações significativas para os moradores, como evidenciado em uma reportagem do Fantástico sobre o condado de Loudoun, na Virgínia (EUA), que abriga o maior número de data centers do mundo.

Moradores relatam que a vida em bairros próximos a esses empreendimentos mudou drasticamente desde 2022. Em um dos casos, um complexo que opera com oito turbinas movidas a gás natural e dezenas de geradores a diesel para emergências emite um ruído permanente. "Você ouve esse zumbido? É constante", descreve uma residente. Além do barulho, a operação dos geradores libera fumaça escura, e moradores sentem o gosto de diesel no ar. Uma moradora chegou a se mudar temporariamente de casa devido ao funcionamento ininterrupto dos geradores.

Impactos ambientais e de saúde

Especialistas acompanham os potenciais impactos ambientais. Um estudo citado pela reportagem, de um pesquisador de Harvard, estima que a poluição gerada por um único data center pode acarretar custos anuais de até US$ 99 milhões em internações e mortes prematuras. A crescente demanda por energia elétrica para alimentar esses centros também levanta preocupações sobre a necessidade de investimentos em infraestrutura de transmissão e a construção de novas linhas de alta tensão, que dividem comunidades.

Vicky Woo, moradora há mais de duas décadas, lidera uma resistência contra a instalação de uma torre de transmissão a menos de 15 metros de sua casa. Ela questiona a segurança da estrutura e o impacto ambiental, ressaltando que o problema não é a existência dos data centers, mas sua localização próxima a áreas residenciais. "A gente não é contra data center. É que esse nunca deveria ter sido construído tão perto das casas", afirma.

O debate chega ao Brasil

A discussão sobre data centers também se estende ao Brasil. O país aprovou recentemente o programa Redata, que oferece incentivos fiscais para atrair investimentos no setor. A legislação prevê o uso de energia renovável ou de baixa emissão e a redução do consumo de água no resfriamento dos equipamentos.

Contudo, pontos cruciais como a definição de distância mínima de áreas residenciais, o controle de ruído e as emissões atmosféricas ainda dependem de regulamentação futura. Enquanto governos e empresas debatem o avanço da IA, moradores como os de Loudoun convivem diariamente com as consequências dessa transformação tecnológica, questionando o futuro que será deixado para as próximas gerações.

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