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Ministério da Saúde prevê alta de até 40% em casos de dengue em 2027

05 de novembro de 2026
Ministério da Saúde prevê alta de até 40% em casos de dengue em 2027

Destaques

  • •Projeção aponta aumento de 20% a 40% nos casos de dengue em 2027, impulsionado pelo El Niño e queda na imunidade populacional.
  • •Ministério da Saúde busca retomar o uso da vacina Butantan-DV no SUS, aguardando análises de segurança após reações adversas graves.
  • •Aumento expressivo de casos é esperado em todas as regiões, com destaque para o Sul e Centro-Oeste, segundo relatório da Fiocruz.

O Ministério da Saúde projeta um aumento de 20% a 40% nos casos de dengue em 2027, um cenário impulsionado pela combinação do fenômeno climático El Niño e pela dinâmica epidemiológica da doença. O ministro Alexandre Padilha declarou que a pasta trabalha para a retomada do uso da vacina contra a dengue fabricada pelo Instituto Butantan no Sistema Único de Saúde (SUS).

A justificativa para a projeção de alta reside na expectativa de que o El Niño intensifique a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença. Além disso, a queda no número de casos nos dois anos anteriores deixou parte da população com menor imunidade contra os sorotipos circulantes do vírus, tornando-a mais suscetível. O ministro ressaltou que a doença pode ter intensidade maior em regiões como o semiárido e a Amazônia.

Situação da vacinação contra a dengue no SUS

A vacina Butantan-DV, do Instituto Butantan, teve seu uso suspenso em 8 de junho deste ano, após o registro de 42 casos de reações adversas graves, incluindo 2 mortes. Padilha informou que o Ministério da Saúde aguarda os resultados das análises de segurança do imunizante antes de decidir sobre a retomada de seu uso no SUS, sem citar um prazo específico, mas expressou o desejo de que a vacina esteja disponível para uso "pelo menos no ano que vem".

Atualmente, o SUS dispõe apenas da vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda, para a vacinação contra a dengue. Em 2024, o ministério adquiriu cerca de 10 milhões de doses da Qdenga por R$ 1,3 bilhão. O imunizante é oferecido na rede pública para pessoas de 10 a 14 anos, com registro da Anvisa para a faixa etária de 4 a 60 anos. Não há discussão sobre a ampliação do público-alvo na rede pública.

A Butantan-DV havia recebido aprovação da Anvisa em novembro de 2025 para aplicação em pessoas de 12 a 59 anos. Em dezembro do mesmo ano, o Ministério da Saúde assinou contrato para a compra de 3,9 milhões de doses por R$ 367,9 milhões. Havia expectativa de ampliar a produção para 60 milhões de doses em parceria com a empresa chinesa WuXi Vaccines, mas a fabricação dependia de autorização da Anvisa.

Projeções e impactos regionais

Um relatório da Fiocruz divulgado em outubro estimou cerca de 1,5 milhão de casos prováveis de dengue em 2027, mesmo sem considerar os efeitos do El Niño. Esse número é similar ao registrado em 2025, com 1,66 milhão de casos. No cenário de El Niño forte, o documento projeta aumentos mais expressivos entre setembro de 2026 e o início de 2027: 49,1% no Nordeste; 68,9% no Norte; 84,9% no Sudeste; 98,4% no Centro-Oeste; e 138,2% no Sul. O relatório não detalha projeções para o ano inteiro de 2027 com o fenômeno.

Mesmo sem os efeitos do El Niño, o número de casos em 2027 deve superar o de 2026. Desde janeiro de 2026, o Ministério da Saúde registra 489.197 casos prováveis. Em 2026, a dengue causou 368 mortes confirmadas, com outras 116 em investigação. A prioridade da vacinação em massa no SUS ganhou força após o pico de casos registrado em 2024, quando a dengue causou 6.321 mortes no país.

Em outra frente, Padilha anunciou que levará à COP31 dados sobre a resposta do SUS às mudanças climáticas, incluindo a construção de unidades de saúde e hospitais com maior capacidade de armazenamento de água. A conferência climática ocorrerá de 9 a 20 de novembro na Turquia.

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