Menopausa: Dores articulares podem ser sinal de doenças reumatológicas

Destaques
- •Dores nas articulações durante a menopausa podem ser confundidas com alterações hormonais, mas podem indicar doenças como artrite reumatoide ou fibromialgia.
- •Sinais de alerta incluem inchaço, rigidez prolongada ao acordar, dor que interrompe o sono e fraqueza muscular importante.
- •A avaliação médica é crucial para diferenciar as causas e garantir o tratamento adequado, evitando atrasos diagnósticos.
Dores nas articulações, músculos e tendões são queixas comuns durante a menopausa, frequentemente atribuídas à queda nos níveis de estrogênio. No entanto, especialistas alertam que esses sintomas podem mascarar doenças reumatológicas, como artrite reumatoide, artrose, fibromialgia ou polimialgia reumática, que podem se manifestar ou agravar nesse período. A atribuição exclusiva das dores às alterações hormonais pode atrasar diagnósticos importantes e o início de tratamentos específicos.
O reumatologista Valderílio Feijó Azevedo, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), enfatiza a importância da avaliação especializada quando as dores persistem, limitam as atividades diárias ou vêm acompanhadas de outros sinais. A redução do estrogênio, de fato, afeta a mobilidade, a força e a qualidade de vida das mulheres, impactando músculos, ossos, articulações e tendões. Essas manifestações foram agrupadas em 2024 sob o termo "síndrome musculoesquelética da menopausa", embora a nomenclatura ainda não seja amplamente consolidada na comunidade científica.
Quando procurar um reumatologista?
Alguns sinais de alerta indicam que a dor pode ir além das alterações hormonais da menopausa. Segundo Azevedo, é fundamental investigar quando há:
- Inchaço, calor ou vermelhidão nas articulações.
- Rigidez prolongada ao acordar (mais de 30 a 60 minutos).
- Dor que interrompe o sono.
- Fraqueza muscular importante, dificultando atividades básicas.
- Dor intensa e rigidez nos ombros e quadris, de início recente e após os 50 anos.
- Sintomas associados como febre, perda de peso, cansaço excessivo, manchas na pele, olhos ou boca secos.
- Alterações em exames laboratoriais, como marcadores inflamatórios elevados.
- Fraturas após pequenos traumas ou perda de altura.
- Dor persistente que limita a rotina e não melhora com medidas iniciais.
A presença desses sinais não confirma uma doença reumatológica, mas sinaliza a necessidade de investigação para identificar a origem dos sintomas e diferenciar as manifestações hormonais de outras condições.
Diferenciando menopausa de doenças reumatológicas
O ginecologista Marcelo Luis Steiner, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que a menopausa, que ocorre em média aos 48 anos no Brasil, pode coincidir com o surgimento ou agravamento de doenças reumatológicas. A dificuldade diagnóstica reside no fato de que, nas manifestações musculoesqueléticas atribuídas à menopausa, os exames podem ser normais e não há sinais objetivos de inflamação articular. Já doenças como a artrite reumatoide apresentam inflamação, rigidez matinal prolongada (acima de uma hora) e alterações em exames. A artrose, por sua vez, piora com o uso e melhora com repouso, com rigidez matinal curta. A fibromialgia se caracteriza por dor generalizada e fadiga intensa, com exames normais, enquanto a polimialgia reumática, em mulheres acima de 50 anos, cursa com dores e rigidez em ombros e quadris, e elevação de marcadores inflamatórios.
Síndrome musculoesquelética da menopausa e tratamento
O termo "síndrome musculoesquelética da menopausa", proposto em 2024, busca agrupar as alterações causadas pela queda do estrogênio, que afetam cartilagens, músculos, ossos, tendões e ligamentos, podendo levar a inflamação de baixo grau, rigidez, perda de massa muscular e óssea, e aumento da sensibilidade à dor. O diagnóstico é clínico, baseado no histórico, exame físico e exclusão de outras doenças. Exames como densitometria óssea e avaliação muscular podem ser úteis. Fatores como sedentarismo, excesso de peso e sono ruim podem agravar os sintomas.
O tratamento foca na atividade física, especialmente treinamento de força, para preservar massa muscular e saúde óssea. Alimentação adequada, suplementação de vitamina D e cuidados com o sono também são essenciais. Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados para controle da dor, mas com cautela. A terapia hormonal pode ser considerada em casos selecionados, especialmente se associada a outros sintomas da menopausa, após avaliação individualizada de riscos e benefícios.



