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Brasileira morre em Portugal após reação alérgica a camarão

24 de outubro de 2026
Brasileira morre em Portugal após reação alérgica a camarão

Destaques

  • •Enfermeira brasileira morre em Portugal após reação alérgica grave a camarão, levantando preocupações sobre anafilaxia.
  • •Alergias alimentares afetam cerca de 5% da população brasileira, mas o acesso à adrenalina autoinjetável, tratamento de emergência, é limitado no país.
  • •Especialistas alertam para a imprevisibilidade da gravidade das reações e a importância do diagnóstico, prevenção e plano de emergência.

A enfermeira brasileira Amanda Marinho Nascimento morreu em Portugal na quarta-feira (21) após sofrer uma reação alérgica grave, conhecida como anafilaxia, possivelmente desencadeada pelo consumo de camarão. O caso reacende o debate sobre os riscos das alergias alimentares, especialmente em viagens internacionais, e a dificuldade de acesso a tratamentos de emergência no Brasil.

Amanda, que morava no Distrito Federal e trabalhava em um hospital particular em Taguatinga, passou mal cerca de duas horas após almoçar em um restaurante em Portugal. Segundo familiares, ela era alérgica a frutos do mar e teria sido informada de que o prato continha apenas peixe. A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica que pode afetar múltiplos órgãos e exige tratamento imediato com adrenalina para evitar complicações graves, como queda da pressão arterial e estreitamento das vias respiratórias, que podem levar à parada cardiorrespiratória e morte.

O que é anafilaxia e por que é perigosa?

A anafilaxia ocorre quando o sistema imunológico identifica erroneamente uma substância, como proteínas do camarão, como uma ameaça. Isso desencadeia a liberação de substâncias químicas, como a histamina, que causam uma série de sintomas. Em casos graves, a reação pode levar à queda acentuada da pressão arterial, inchaço da garganta e língua, e redução do fluxo sanguíneo para órgãos vitais. A velocidade de progressão é um dos fatores mais alarmantes, podendo evoluir em minutos.

A administração rápida de adrenalina é crucial para reverter os efeitos mais perigosos da anafilaxia. Sem tratamento imediato, o quadro pode evoluir para choque anafilático e óbito. A gravidade das reações alérgicas é imprevisível; pessoas que tiveram sintomas leves no passado podem desenvolver quadros graves em exposições futuras, e o consumo prolongado de um alimento sem problemas não garante imunidade.

Riscos e prevenção no Brasil

No Brasil, estima-se que cerca de 5% da população tenha algum tipo de alergia alimentar com risco de anafilaxia. O camarão é a principal causa de alergia alimentar em adultos no país, enquanto em crianças o leite e o ovo são mais comuns. Um dos grandes desafios no Brasil é o acesso à adrenalina autoinjetável, conhecida como caneta de adrenalina. Esses dispositivos precisam ser importados e não estão disponíveis nas farmácias, o que eleva os custos e dificulta a reposição para pacientes que necessitam deles.

O perigo não se limita a pratos que contêm o crustáceo como ingrediente principal. O contato cruzado, que ocorre quando alimentos são preparados na mesma chapa, fritos no mesmo óleo ou manipulados com utensílios compartilhados, pode contaminar pratos aparentemente seguros. Não existe uma quantidade mínima segura de alimento alergênico para pessoas altamente sensíveis.

Sinais de alerta e tratamento de emergência

Os sinais de alerta para uma reação alérgica grave incluem dificuldade para respirar, tosse persistente, rouquidão, sensação de garganta fechando, inchaço da língua, tontura intensa, fraqueza súbita, desmaio e vômitos repetidos. É importante notar que entre 10% e 20% dos episódios de anafilaxia podem ocorrer sem manifestações cutâneas visíveis, como manchas ou coceira.

Em caso de suspeita de anafilaxia, a adrenalina autoinjetável é o medicamento de primeira escolha. Ela deve ser administrada na parte externa da coxa e seguida imediatamente pelo acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo número 192. Antialérgicos e corticoides não substituem a adrenalina em emergências graves. Mesmo com a melhora dos sintomas após a aplicação, a busca por atendimento médico de emergência é fundamental.

A alergia a camarão não é diretamente hereditária, mas pode haver uma predisposição familiar a doenças alérgicas. Fatores genéticos, ambientais e a resposta individual do sistema imunológico influenciam o desenvolvimento da condição. A avaliação por um alergista e testes específicos são recomendados para um diagnóstico preciso e a definição de um plano de ação individualizado.

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