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Medicamento experimental reverte sinais de envelhecimento em ratos e reduz beta-amiloide

03 de novembro de 2026

Destaques

  • •Estudo em ratos idosos com cinaciguat reverteu envelhecimento celular no fígado.
  • •A substância reduziu pela metade a concentração de beta-amiloide no sangue e normalizou o colesterol LDL.
  • •Pesquisadores buscam entender se os efeitos podem ser replicados em humanos e se há proteção contra Alzheimer.

Um medicamento experimental, o cinaciguat, demonstrou reverter sinais de envelhecimento em células do fígado de ratos idosos e reduzir pela metade a concentração de beta-amiloide no sangue. A substância também normalizou os níveis de colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim, em animais idosos. Os resultados foram publicados em 26 de setembro no Journal of Biological Chemistry por pesquisadores da Escola de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos.

O estudo investigou como o envelhecimento afeta a capacidade do fígado de retirar substâncias da circulação sanguínea. A equipe tratou ratos idosos com cinaciguat durante duas semanas e observou mudanças em células que funcionam como filtros dentro do órgão, chamadas células endoteliais sinusoidais hepáticas. Com o envelhecimento, as aberturas microscópicas dessas células diminuem, prejudicando a filtragem do sangue.

Recuperação da função hepática e redução de beta-amiloide

Nos ratos tratados com cinaciguat, os pesquisadores observaram que as aberturas nas células endoteliais foram recuperadas, fazendo com que voltassem a funcionar de forma semelhante às de animais jovens. Após duas semanas de tratamento, os níveis de beta-amiloide no sangue caíram cerca de 50%.

A redução da beta-amiloide chamou a atenção dos cientistas porque essa proteína está associada à doença de Alzheimer, podendo se acumular no cérebro e formar placas características da doença. No entanto, os pesquisadores ressaltam que diminuir sua concentração no sangue não significa necessariamente reduzir essas placas ou prevenir o Alzheimer.

"Em vez de tentar levar um medicamento através da barreira hematoencefálica, o que é extremamente difícil, poderíamos direcioná-lo ao fígado", afirmou Sam de Leve, primeiro autor do estudo. A barreira hematoencefálica protege o cérebro e dificulta a entrada de algumas substâncias, inclusive medicamentos.

Comunicação celular explica efeito no colesterol

Outro resultado surpreendente foi a normalização dos níveis de colesterol LDL nos animais idosos, que atingiram valores semelhantes aos encontrados em ratos jovens. Inicialmente, os cientistas não esperavam essa resposta, pois as partículas de LDL são pequenas o suficiente para circular sem depender das aberturas das células endoteliais.

A investigação revelou que o medicamento também recuperou um mecanismo de comunicação entre dois tipos de células do fígado. O cinaciguat ativou uma enzima nas células endoteliais, que passaram a liberar uma substância chamada HB-EGF. Esse sinal age nos hepatócitos, estimulando-os a capturar mais beta-amiloide e LDL do sangue.

Para os pesquisadores, a descoberta pode orientar estudos sobre tratamentos que atuem no funcionamento do fígado. Ainda não se sabe, no entanto, se os mesmos efeitos seriam observados em seres humanos.

A equipe pretende continuar os testes em animais para investigar se a redução da beta-amiloide no sangue também traz alguma proteção contra alterações associadas ao Alzheimer. O cinaciguat ainda é experimental e não foi aprovado para esse uso.

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