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Flávio Bolsonaro viaja aos EUA após questionar eleição e gerar polêmica

28 de outubro de 2026
Flávio Bolsonaro viaja aos EUA após questionar eleição e gerar polêmica

Destaques

  • •Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos após questionar o resultado das eleições presidenciais.
  • •A saída do país ocorre em meio a investigações e a um debate interno na direita sobre o distanciamento do bolsonarismo.
  • •O governo federal monitora casos de violência política e o Ministério do Trabalho repudia retaliações a eleitores de Lula.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) viajou aos Estados Unidos com a família, dias após questionar a legitimidade da eleição presidencial e ser intimado a entregar seus passaportes pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. A saída do país ocorre em meio a um inquérito que investiga suposta lavagem de dinheiro envolvendo o senador e seu amigo advogado Willer Tomaz, e reacende um dilema na direita brasileira sobre a aliança com o bolsonarismo.

Segundo o historiador Sidney Chalhoub, pesquisador de Harvard e professor da Unicamp, a direita democrática precisa decidir se a aliança com a extrema-direita é um bom negócio, visto que já acumula duas derrotas consecutivas na disputa pela Presidência. Para ele, romper com o bolsonarismo é condição para que esse campo político volte a ter chances de vencer, pois "sem expurgar o golpismo, a direita continuará a perder".

Divisões internas e o futuro do PL

A viagem de Flávio Bolsonaro gerou divisões internas no Partido Liberal (PL). Enquanto uma ala foi pega de surpresa, outra já esperava uma movimentação. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, estaria "chateado" com os acontecimentos e avalia que o PL precisará se reorganizar e adotar um tom mais moderado, distanciando-se do radicalismo do bolsonarismo. O pragmatismo de Costa Neto já mira a disputa pela presidência do Senado em 2027, com planos para viabilizar a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN).

Parlamentares do PL fizeram críticas internas a Flávio Bolsonaro, considerando sua decisão de deixar o Brasil "muito ruim para o partido" e negativa para a imagem da sigla. Havia a expectativa de que Flávio assumisse a liderança da oposição ao governo Lula a partir do Brasil, o que foi descartado com sua fuga. A análise interna sugere que outros setores da direita buscam assumir as rédeas da ala ideológica, apostando no enfraquecimento da família Bolsonaro.

Violência política e assédio eleitoral após a eleição

O governo federal informou que acompanha 45 casos de violência política registrados desde o sábado após a eleição, que deixaram 10 mortos, a maioria eleitores de Lula. Os episódios incluem atropelamentos intencionais, agressões físicas, disparos de arma de fogo e violência contra indígenas. Os estados com mais registros foram Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que os crimes "não ficarão impunes" e que o governo cobrará a punição dos responsáveis, com a Polícia Federal atuando em casos de competência federal.

Paralelamente, o Ministério do Trabalho e Emprego repudiou campanhas de retaliação que incentivam a demissão e o boicote a trabalhadores e empresários identificados como eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foram contabilizadas 530 denúncias de assédio eleitoral após o resultado do segundo turno, um volume que representa 21% do total de denúncias do tipo recebidas pelo órgão em todo o ano. O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, declarou que a escolha política do trabalhador não pode ser alvo de retaliação e que demitir por convicção política é ilegal.

A polarização política acentuou temas trabalhistas, com relatos de demissões e assédio em diversas cidades. Em Aquiraz (CE), uma empresária é acusada de assédio eleitoral após demitir funcionários que apoiavam Lula. Juridicamente, a demissão por preferência política pode ser considerada discriminatória, mesmo com o pagamento das verbas rescisórias, pois a liberdade de manifestação do pensamento e a proteção às convicções políticas devem ser respeitadas.

O futuro do bolsonarismo e a força da mobilização

Sidney Chalhoub avalia que o bolsonarismo "dificilmente voltará a ter a mesma força eleitoral que já alcançou", embora o PL tenha eleito a maior bancada na Câmara e a maior representação no Senado, mantendo-se como ator importante. Ele também considera prematuro concluir que o ciclo de reação conservadora, iniciado na última década, tenha chegado ao fim com a derrota de Flávio Bolsonaro.

A vitória de Lula é vista como um ponto de inflexão em um cenário internacional marcado pelo avanço das forças conservadoras. A mobilização digital, especialmente através do "Exército de Lula", criado pelo deputado André Janones, foi fundamental para a virada, reunindo milhões de seguidores e distribuindo tarefas para engajamento online. Essa capacidade de mobilização é considerada crucial para o governo Lula, diante de um bolsonarismo que deve seguir politicamente ativo e fazendo oposição no Congresso.

O historiador destaca que a vitória de Lula foi inédita, sendo o primeiro candidato a vencer o segundo turno após terminar em segundo lugar no primeiro. A virada foi explicada pela força histórica do PT, a retomada da mobilização nas ruas e a articulação com a militância digital, que resultou na menor queda de abstenção entre os turnos desde a redemocratização.

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