Elegância na moda: como a identidade e a qualidade superam o preço e as marcas

Destaques
- •A percepção de sofisticação na moda contemporânea valoriza qualidade de tecidos, caimento e harmonia, em detrimento do preço elevado ou de logotipos de grifes.
- •Celebridades como Zendaya, Rihanna e Taís Araújo exemplificam como a moda pode ser uma ferramenta de comunicação e construção de identidade, com estilos que vão da ousadia à experimentação.
- •O conceito de 'quiet luxury' (luxo silencioso) reforça a tendência de valorizar o acabamento, a modelagem e a exclusividade, mesmo sem a ostentação de marcas.
A moda contemporânea redefine o conceito de sofisticação, deslocando o foco de grifes famosas e preços exorbitantes para a qualidade dos tecidos, a precisão do caimento, a harmonia das proporções e, fundamentalmente, a identidade de quem veste. Artistas como Zendaya, Rihanna e Taís Araújo ilustram essa transição, cada uma com sua interpretação única de elegância, demonstrando como a moda serve como ferramenta de comunicação e construção de imagem.
Maiara Kososki, PhD em Marketing, explica que a percepção de luxo evoluiu. "Uma peça não se torna elegante simplesmente porque custa caro ou carrega uma grife conhecida. Existe uma construção estética por trás disso, que envolve qualidade, proporção, acabamento e coerência com a identidade de quem está vestindo", afirma.
O que realmente faz uma produção parecer cara?
A associação entre preço elevado e sofisticação, comum no mercado de luxo, não é mais absoluta. O caimento perfeito, a qualidade do tecido e os acabamentos refinados são cruciais para que uma roupa valorize quem a veste, independentemente do custo. Combinações aparentemente simples, como uma camisa bem estruturada e uma calça de alfaiataria com corte preciso, podem transmitir grande refinamento.
"Uma roupa precisa funcionar no corpo de quem a veste. Às vezes, vemos uma peça caríssima que não valoriza a silhueta ou não conversa com a personalidade daquela pessoa. Por outro lado, uma roupa mais acessível, quando tem boa modelagem, está bem conservada e foi escolhida com critério, pode transmitir muita sofisticação. O preço não substitui o olhar estético", pontua Maiara.
Estilos que definem a elegância moderna
Zendaya utiliza a moda como narrativa, com produções conceituais que dialogam com referências cinematográficas e artísticas. Rihanna desafia convenções com ousadia e liberdade estética, combinando volumes e cores de forma expressiva. Taís Araújo exibe versatilidade, transitando entre o clássico e o contemporâneo com uma assinatura visual consistente.
"O que torna uma imagem interessante é a consistência. Elas não precisam simplesmente reproduzir uma tendência para serem reconhecidas pelo estilo. Existe uma assinatura visual, uma maneira particular de interpretar a moda. Isso é muito mais interessante do que apenas vestir aquilo que está em alta", analisa a especialista.
O "quiet luxury" e a discrição como novo código de status
O conceito de "quiet luxury", ou luxo silencioso, ganha espaço ao valorizar materiais de alta qualidade, cortes precisos e acabamento refinado, com menor exposição de marcas. Essa estética representa uma mudança na comunicação de valor e exclusividade, onde o luxo pode estar em detalhes sutis e na qualidade intrínseca da peça, não apenas no logotipo visível.
"Hoje, cresce também a valorização de elementos menos óbvios, como a qualidade do material, o acabamento e a exclusividade de uma modelagem. O luxo não desaparece quando o logotipo deixa de aparecer. Ele pode estar justamente naquilo que não precisa ser anunciado", explica Maiara.
Estilo próprio em um mundo de tendências aceleradas
Em um cenário de ciclos de tendências cada vez mais rápidos, impulsionados pelas redes sociais, desenvolver um estilo próprio torna-se essencial para um consumo mais consciente. A proposta é selecionar peças que se alinhem à personalidade e à rotina, priorizando a versatilidade e a durabilidade.
"Ter estilo não significa comprar tudo o que está em alta, nem construir um guarda-roupa inteiro de peças clássicas. Significa desenvolver repertório para fazer escolhas. Quando você entende quais cores, modelagens e proporções funcionam para sua identidade e sua rotina, deixa de depender tanto da aprovação externa e passa a consumir com mais intenção", destaca a especialista.
A verdadeira sofisticação, segundo Maiara, ocorre quando a pessoa incorpora referências sem perder sua essência. "A roupa precisa comunicar quem você é, e não apenas quanto você pode pagar por ela", conclui.
Matérias originais
- O que faz o look parecer caro? Zendaya e Taís Araújo redefinem luxo · cnnbrasil.com.br


