Vida & SaúdeRelevância BR: 9/10

Creatina: Suplemento seguro para rins e músculos, dizem especialistas

04 de novembro de 2026
Creatina: Suplemento seguro para rins e músculos, dizem especialistas

Destaques

  • •Evidências científicas e especialistas apontam que a creatina, quando consumida nas doses recomendadas, é segura para pessoas sem doenças renais.
  • •O suplemento atua no abastecimento de energia muscular e cerebral, com benefícios comprovados para desempenho físico e, potencialmente, para a cognição em idosos.
  • •Novos estudos investigam os efeitos preventivos contra doenças neurodegenerativas e a segurança em populações com comprometimento renal prévio.

Popular entre praticantes de atividades físicas, a creatina é um dos suplementos mais estudados pela ciência esportiva mundial. Apesar do uso amplo, dúvidas sobre possíveis danos aos rins e retenção de líquidos ainda geram receio em novos usuários. No entanto, evidências científicas e especialistas afirmam que o consumo nas doses recomendadas é seguro para pessoas sem doenças renais e traz benefícios que vão além do desempenho na academia.

A creatina atua diretamente no abastecimento de energia das células do corpo. Segundo o professor de educação física Wilson Brasil, da D’stak Academia, o composto fica armazenado na musculatura para regenerar o trifosfato de adenosina (ATP), molécula responsável por gerar força no organismo. O estoque celular de ATP dura apenas cerca de 2 a 3 segundos, e a creatina doa rapidamente um grupo fosfato para o ADP (Adenosina Difosfato), regenerando o ATP em frações de segundo para manter a força máxima e a explosão.

Outra dúvida recorrente envolve o inchaço provocado pelo suplemento. O professor esclarece que o acúmulo de líquido gerado pelo produto ocorre exclusivamente dentro da célula muscular. Como a água fica guardada dentro do músculo, ela não causa inchaço subcutâneo que deixa a definição muscular “embaçada”. Pelo contrário, essa hidratação aumenta o volume do músculo, deixando-o mais cheio e firme.

Segurança renal e o marcador creatinina

O medo de que a creatina provoque lesões renais surge a partir de alterações comuns identificadas em exames laboratoriais de rotina. A substância se converte naturalmente em creatinina, um marcador eliminado pelos rins que costuma subir na corrente sanguínea de quem suplementa. O médico nutrólogo Alexandre Duarte, especialista em fisiologia metabólica do Instituto Avantgarde, pontua que a alteração no teste de sangue não indica dano ao órgão em pessoas saudáveis.

Uma revisão publicada em 2026, que reuniu 26 estudos e 1.036 participantes, identificou o aumento da creatinina no sangue, mas não encontrou redução significativa da taxa de filtração quando ela foi medida por um método independente desse marcador. Essa diferença ajuda a explicar por que um exame pode parecer alterado sem que exista dano renal, segundo Duarte.

O especialista ressalta, no entanto, que indivíduos com diagnósticos prévios de problemas nos rins não devem ingerir o produto por conta própria. A segurança observada em pessoas com rins saudáveis não pode ser transferida automaticamente para quem já tem comprometimento da função renal. A decisão depende do diagnóstico, da função dos rins e dos medicamentos em uso.

Benefícios para idosos e cognição

Os benefícios do suplemento chegam também à população idosa e a quem busca proteger as funções cognitivas. No combate à sarcopenia — perda natural de massa e força muscular no envelhecimento —, a combinação do produto com exercícios de resistência apresenta resultados favoráveis. Uma revisão com oito ensaios clínicos apontou aumentos adicionais expressivos na massa magra e na força de idosos que treinam e utilizam o composto.

Na saúde cerebral, revisões científicas recentes indicam que o produto atua na regeneração do ATP nas células do cérebro. Estudos demonstraram ganhos em testes de memória em adultos de até 60 anos, embora pesquisas adicionais ainda sejam necessárias para validar o efeito preventivo contra doenças neurodegenerativas em faixas etárias mais avançadas.

Para obter os resultados demonstrados nos testes científicos, os especialistas orientam a ingestão diária constante entre 3 e 5 gramas da versão monohidratada, considerada a forma padrão-ouro da substância. Variantes mais dispendiosas no mercado não demonstraram eficácia ou absorção superiores.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas