Canal "Exército do Lula" mobilizou 10 milhões de apoiadores em campanha eleitoral

Destaques
- •Canal no WhatsApp criado por André Janones reuniu mais de 10 milhões de pessoas com missões de engajamento em redes sociais.
- •A estratégia de mobilização, que usava termos militares e gamificação, foi crucial para a virada de Lula no segundo turno.
- •O desafio agora é transpor a mobilização para o campo institucional e manter o engajamento em um cenário sem inimigo comum.
Criado em 15 de abril de 2026, seis meses antes das eleições presidenciais, o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, idealizado pelo deputado federal André Janones (REDE), mobilizou mais de 10 milhões de pessoas com mensagens, áudios e vídeos acompanhados de “missões” de engajamento nas redes sociais. O canal ganhou força após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro (PL) liderou com 47,03% contra 45,16% de Lula (PT). No segundo turno, a mobilização foi decisiva para a vitória de Lula, que obteve 51,79% dos votos válidos.
O sucesso da mobilização e a estratégia de Janones
Com bordões como “pessoal, urgente” e “explode”, Janones utilizou termos militares, chamando os seguidores de “soldados” e o presidente de “general”. Ele monitorava a “ofensiva inimiga” para se referir às estratégias da campanha rival e instruía os seguidores sobre como compartilhar conteúdos e recrutar novos “soldados”. Diante de materiais negativos, a orientação era aplicar a “espiral do silêncio”, evitando comentar ou repostar para não aumentar o alcance. As missões promoviam um clima de gincana, incentivando a participação ativa.
A consultora e professora de marketing político Marcelo Vitorino, da ESPM, destaca que as estratégias de mobilização eram claras, incluindo o compartilhamento de conteúdos e o incentivo à votação de eleitores indecisos ou ausentes. Ele ressalta que o susto com o resultado do primeiro turno, diferente das pesquisas, foi um fator crucial para a força do “Exército do Lula”.
O desafio de transpor a mobilização para o institucional
Com o fim da eleição, o objetivo do canal se torna incerto. Marcelo Vitorino explica que é difícil levar a mobilização para a política institucional, pois os elementos não são mais tão tangíveis quanto a eleição de um candidato. A vitória de Lula, segundo ele, não pode ser atribuída apenas ao “Exército do Lula”, citando também o descrédito em escândalos e medidas governamentais importantes, como o aumento do Bolsa Família.
Dani Arrais, fundadora da Contente e do InstaMission, concorda que o susto do primeiro turno foi decisivo e que o campo progressista nunca havia se mobilizado dessa forma. Ela percebe uma “ressaca eleitoral”, mas também otimismo, com os “soldados” se sentindo agentes de mudança. Sua tia, com mais de 80 anos, expressou saudade e perguntou qual seria a próxima missão.
O futuro da mobilização digital e institucional
Marcelo Vitorino sugere que o governo precisa melhorar sua comunicação online, com mais impulsionamento de conteúdos e melhor indexação de informações. Ele critica o tom “engraçadinho” de algumas páginas institucionais, que atraem audiência não alinhada a assuntos sérios, prejudicando a comunicação de temas importantes. Ele defende um mix de canais, incluindo WhatsApp, Instagram e Kwai, sem abrir mão do offline.
As fundadoras da Contente, Dani Arrais e Luiza Voll, apostam que a mobilização reacendeu a chama por soluções coletivas e abriu a possibilidade para pautas antes consideradas difíceis. Elas acreditam que os “soldados” não apenas engajarão para o governo, mas também o cobrarão. Arrais afirma que a sensação de que a vitória também é pessoal traz responsabilidade, e Voll prevê que a estratégia será replicada em âmbitos menores e em outros países, mantendo-se em teia e necessitando de iniciativas simultâneas com estratégia clara.
Matérias originais
- Pessoal, urgente! A próxima missão de mobilização do ‘Exército do Lula’ · mittechreview.com.br



