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Anthropic planeja IPO bilionário e enfrenta críticas por práticas de mercado

02 de novembro de 2026
Anthropic planeja IPO bilionário e enfrenta críticas por práticas de mercado

Destaques

  • •Anthropic, criadora do Claude, busca IPO com valuation entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões.
  • •Empresa reporta receita de US$ 16,3 bilhões no 1º semestre de 2026, mas com perdas operacionais.
  • •Clientes e concorrentes criticam a Anthropic por expansão agressiva e falta de flexibilidade.

A Anthropic, desenvolvedora do chatbot Claude, está se preparando para uma oferta pública inicial (IPO) que pode ser uma das maiores da história, com um valuation estimado entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões. A empresa busca justificar investimentos massivos em infraestrutura e poder computacional, com compromissos de gastos que chegam a US$ 1 trilhão nos próximos 20 anos. No primeiro semestre de 2026, a Anthropic reportou uma receita de US$ 16,3 bilhões, mas também sofreu perdas operacionais de US$ 693 milhões.

A expansão agressiva da Anthropic tem gerado tensões com clientes e parceiros. Startups que dependem de seus modelos de IA de ponta relatam sentir-se em uma posição delicada, temendo que a empresa possa lançar produtos concorrentes. O CEO da Spellbook, Scott Stevenson, exemplificou essa situação ao ser pego de surpresa pelo lançamento do Claude for Legal, que competia diretamente com seus serviços. Ele mencionou que a empresa transferiu investimentos para a OpenAI após o ocorrido.

A dinâmica é comparada à da Amazon, que lançou produtos concorrentes aos de seus fornecedores. O caso da Figma também ilustra essa tensão: dias após a renúncia de um executivo da Anthropic ao conselho da Figma, a desenvolvedora de IA lançou o Claude Design, um rival direto do software da Figma. O CEO da Figma, Dylan Field, criticou a falta de transparência da Anthropic em suas comunicações.

Domínio de mercado e precificação

A Anthropic tem se consolidado como uma gigante no mercado de IA, com sistemas frequentemente superando os da OpenAI em avanços tecnológicos. A empresa ostenta 300 mil clientes corporativos e uma taxa de retenção de receita líquida de 900%. No entanto, seus modelos de IA são considerados caros, e a empresa tem sido criticada por sua falta de flexibilidade em negociações de preço e descontos por volume. Uma startup de segurança focada em IA declarou que focar apenas nos modelos da Anthropic impediria a geração de lucro.

Alguns clientes cancelaram contratos (churn) devido ao custo inviável do Claude, migrando para alternativas como os sistemas da chinesa DeepSeek. Embora a Anthropic tenha expandido seu programa Claude Startups com benefícios, muitas organizações estão optando por modelos open-weight (de pesos abertos) mais baratos e personalizáveis. O presidente da Fireworks, George Hu, notou um sentimento anti-Anthropic no mercado, com empresas relutantes em financiar a expansão da companhia.

Controvérsias e postura sobre IA

A Anthropic também enfrentou controvérsias em sua jornada para o IPO. Em fevereiro, a empresa recusou-se a remover travas de segurança em seu contrato com o Departamento de Defesa dos EUA, que proibiam o uso do Claude para armas letais autônomas e vigilância em massa. Como retaliação, o Pentágono classificou a empresa como um “risco para a cadeia de suprimentos”, uma decisão que, apesar de parcialmente revertida por um juiz, foi mantida por um tribunal de apelações.

A postura da Anthropic em relação à IA de pesos abertos também gerou críticas. Enquanto a comunidade de tecnologia defendia a IA de código aberto, a Anthropic foi a única grande empresa do setor a não assinar uma carta conjunta em defesa dessa arquitetura. A empresa argumentou que esses sistemas carecem de controles de segurança adequados e podem ser mal utilizados. Investidores como David Sacks e Bill Gurley criticaram essa posição, vendo-a como uma forma de “captura regulatória” para dificultar a concorrência de modelos de código aberto.

Executivos como Mike Schroepfer (ex-CTO da Meta) e Jensen Huang (CEO da Nvidia) também questionaram os alertas existenciais da Anthropic sobre riscos à humanidade, considerando-os alarmistas e uma forma de favorecer seus próprios interesses comerciais. No dia a dia, startups reclamam da restrição em integrar aplicativos de terceiros na interface do Claude, algo possível em plataformas como o ChatGPT.

Pesquisa sobre IA em contratos

Um estudo publicado na ULP Law Review em 2021, intitulado "A Inteligência Artificial nos Contratos: Uma Hipótese Possível?", analisou a viabilidade de inserir sistemas de Inteligência Artificial (IA) em contratos privados no contexto brasileiro. Os autores exploraram os conceitos de IA e contrato, destacando as vantagens do uso da IA para fixação de preços e flexibilidade, visando reduzir custos de transação. O estudo citou a possibilidade de a IA auxiliar no controle de cláusulas de adaptação automática e em casos de reajustes significativos, como o do IGPM em contratos de locação no final de 2020.

A pesquisa, inspirada por trabalhos anteriores, propôs ir além ao analisar outros tipos de contratos. A ideia central é que a IA poderia oferecer um instrumento para ajustar termos contratuais de forma dinâmica, adaptando-se a eventos supervenientes e proporcionando maior eficiência e previsibilidade nas relações jurídicas privadas.

Próximos passos

A Anthropic planeja listar suas ações na Nasdaq sob o código ANT. A empresa também busca levantar até US$ 3,5 bilhões no Japão como parte de sua oferta pública inicial. A aprovação para listagem ainda não foi obtida. Paralelamente, a empresa continua a expandir seus programas de incentivo para startups e a negociar com investidores, enquanto o mercado aguarda o desfecho de uma das IPOs mais aguardadas do setor de tecnologia.

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