Sarcófago romano em Westminster pode abrigar abade medieval, diz estudo

Destaques
- •Arqueólogos sugerem que um sarcófago romano descoberto há mais de 150 anos na Abadia de Westminster, Londres, contém os restos de um abade medieval, e não de Valério Amandino, a quem era originalmente dedicado.
- •Análise de ossos e uma cruz anglo-saxã indicam que o ocupante morreu entre 987 e 1052 d.C. e era uma figura de alto status, possivelmente o abade Ælfwig.
- •A reutilização de sarcófagos romanos era uma prática rara e considerada um 'prêmio' para indivíduos de grande importância no período saxão tardio.
Um sarcófago de pedra romano, descoberto há mais de 150 anos na Abadia de Westminster, em Londres, pode finalmente ter revelado a identidade de seu ocupante. Novas pesquisas arqueológicas sugerem que a figura dentro do túmulo, originalmente dedicado a Valério Amandino, é, na verdade, um respeitado abade medieval.
A descoberta original do sarcófago, datado do século IV, ocorreu em 1820. Uma inscrição latina indicava que ele era destinado a Valério Amandino, um provável residente importante de Londres. No entanto, uma cruz anglo-saxã tardia esculpida na tampa do caixão, feita séculos depois, levantou dúvidas sobre a identidade do esqueleto.
Identificação do Ocupante Medieval
O arqueólogo consultor da Abadia de Westminster, Warwick Rodwell, realizou uma nova análise dos restos mortais. Ele determinou que o ocupante era provavelmente um monge ou abade medieval. A datação por radiocarbono dos ossos situou o indivíduo entre 987 e 1052 d.C., com idade estimada entre 35 e 49 anos.
A análise esquelética revelou que o corpo estava cerca de 90% completo e que o crânio havia sido reconstruído após danos. A presença de uma mancha retangular de cal dentro do sarcófago indicou que o corpo esteve primeiramente em um caixão de madeira, que apodreceu completamente. A prática de cobrir corpos com cal era rara e reservada para sepultamentos de alto status na Idade Média.
Candidatos a Abade
A cruz anglo-saxã e a prática de sepultamento com cal levaram os pesquisadores a deduzir que o esqueleto pertencia a um homem de grande importância, possivelmente o abade de Westminster. Dois candidatos foram identificados para o período: Ælfwig (abade de 993 a cerca de 1020) e Wulfnoth (abade a partir de 1020).
Ælfwig é considerado um candidato ligeiramente mais forte, pois há registros de que ele foi monge em Westminster antes de se tornar abade, sugerindo uma ligação mais profunda com a igreja. A conclusão de Rodwell, publicada no Journal of the British Archaeological Association, foi baseada na ponderação de todas as evidências reunidas.
Reutilização de Sarcófagos
A questão de por que um abade seria enterrado em um sarcófago romano usado é explicada pela escassez de tais artefatos no final do período saxão. A indústria de fabricação de sarcófagos de pedra havia desaparecido, tornando a aquisição de um sarcófago usado um "prêmio" e uma demonstração de alto status.
Exemplos históricos de reutilização de sarcófagos romanos incluem um caso em Ely no século VII e um sarcófago elaborado nos Museus Vaticanos, que possivelmente abriga os restos de Helena, mãe do imperador Constantino. O Dr. Simon Roffey, da Universidade de Winchester, ressalta que mais pesquisas são necessárias para entender completamente a lógica por trás da reutilização de túmulos pagãos no período cristão medieval.
Embora Ælfwig não seja uma figura popularmente conhecida, a descoberta resolve um mistério acadêmico desde 1869 e preenche uma lacuna na história anglo-saxônica da Abadia de Westminster.



