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Professora relata impacto psicológico do diagnóstico de câncer de mama

31 de outubro de 2026
Professora relata impacto psicológico do diagnóstico de câncer de mama

Destaques

  • •Diagnóstico de câncer de mama trouxe à tona lembranças dolorosas e medo do tratamento para Simone Araújo, 48.
  • •Especialistas alertam que o medo pode atrasar a busca por atendimento, mas exames são cruciais para diagnóstico precoce.
  • •A história de Simone reforça a importância do acompanhamento médico e do cuidado com a saúde emocional.

A professora Simone Araújo, de 48 anos, compartilhou sua experiência com o diagnóstico de câncer de mama, recebido em fevereiro de 2022. O medo da doença, agravado pela perda recente da filha e da sogra para a mesma enfermidade, a levou a adiar a busca por atendimento médico. "Fiquei preocupada e com receio de fazer os exames e descobrir que estava com câncer", relatou Simone ao Metrópoles. Após a confirmação, ela passou por cirurgia, quimioterapia e radioterapia, e iniciou a hormonioterapia em janeiro de 2023, tratamento que segue diariamente.

O processo de tratamento trouxe à tona lembranças dolorosas da experiência da filha, levando Simone a se afastar do trabalho devido a dificuldades psicológicas. "Enfrentar a minha própria doença trazia à tona lembranças muito dolorosas e, junto delas, o medo de que o tratamento não apresentasse o resultado esperado", confessou. Apesar das adversidades, a professora encontrou forças na coragem demonstrada pela filha e na valorização da convivência familiar, do tempo e do afeto compartilhados.

O que dizem os especialistas

O oncologista Cristiano Resende, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, enfatiza que o medo não deve ser um impeditivo para a investigação de alterações suspeitas. "Não é o exame que faz a doença existir. Ele apenas nos permite descobrir o que está acontecendo e, se necessário, agir no momento certo", afirmou. Ele ressalta que nódulos na mama ou axila, retrações na pele ou mamilo, vermelhidão persistente e secreção espontânea (especialmente com sangue) requerem avaliação médica, mesmo que muitas alterações sejam benignas.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que o câncer de mama, embora acometa principalmente mulheres, também pode ocorrer em homens. A doença é caracterizada pela multiplicação desordenada de células mamárias, formando tumores. O prognóstico é geralmente bom quando diagnosticado e tratado precocemente, mas a enfermidade é responsável pelo maior número de óbitos por câncer na população feminina brasileira.

Sinais e diagnóstico precoce

Os principais sinais do câncer de mama incluem o aparecimento de nódulos endurecidos e geralmente indolores, alterações na pele ou mamilo, e saída espontânea de líquido. A mamografia é uma ferramenta crucial para a identificação precoce, permitindo detectar alterações como microcalcificações, que podem ser os primeiros sinais de lesões pré-cancerígenas ou tumores em estágio inicial, segundo o radiologista Gustavo Souza. Ultrassonografia e ressonância magnética podem complementar a investigação, e a biópsia é utilizada para confirmar o diagnóstico.

O autoexame é fundamental para a detecção precoce. Especialistas recomendam a avaliação em três momentos: em frente ao espelho, em pé durante o banho e deitada. Mulheres a partir dos 20 anos com histórico familiar da doença ou acima dos 40 anos sem histórico devem realizar o autoexame regularmente. O tratamento, que pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e terapia biológica, tem resultados mais eficazes quando o diagnóstico é feito no início.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista Estudos de Psicologia (Natal) em 2012 analisou o impacto psicológico do diagnóstico de câncer de mama a partir de relatos de pacientes em um grupo de apoio. A pesquisa, que envolveu 93 mulheres e 18 sessões, utilizou análise temática de conteúdo. Os resultados indicaram que o diagnóstico causou impacto psicológico importante em uma parcela expressiva das participantes, gerando experiências de surpresa e tensão, mas também motivações para aceitação, força, tentativas de explicação, redefinição de relacionamentos e intensificação da religiosidade. O estudo sugere que a compreensão dessas dimensões, positivas e negativas, pode aprimorar a assistência psicológica oferecida a essas pacientes.

Próximos passos

Simone Araújo mantém seu acompanhamento médico e afirma que sua saúde está sob controle. Ao compartilhar sua história, ela incentiva outras mulheres a buscarem apoio e a cuidarem também da saúde emocional, reforçando que "não precisamos ser fortes o tempo inteiro, e não estamos sozinhas nessa caminhada".

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