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Olhos Biônicos: Avanços Prometem Restaurar e Aprimorar a Visão Humana

03 de novembro de 2026
Olhos Biônicos: Avanços Prometem Restaurar e Aprimorar a Visão Humana

Destaques

  • •Pesquisadores desenvolvem olhos biônicos capazes de restaurar parte da visão perdida, com potencial para superar os limites naturais.
  • •Dispositivos como o Prima já restauram visão central em 81% dos pacientes com degeneração macular, sendo autorizados em 30 países europeus.
  • •Avanços futuros podem incluir visão noturna e infravermelha, mas desafios com biomateriais e a concorrência de terapias com células-tronco persistem.

A ficção científica de mundos como Star Trek e O Exterminador do Futuro, que imaginava a visão aprimorada por eletrônica, está se tornando realidade. Pesquisadores desenvolveram olhos biônicos capazes de restaurar parte da visão perdida, com potencial futuro para transcender os limites naturais, como enxergar além do espectro visível.

Até o momento, os implantes focam em problemas na retina, a camada de células sensíveis à luz na parte posterior do olho, essencial para a visão. Quando a retina falha, a perda total da visão pode ocorrer. Os trabalhos para tratar a cegueira retiniana com implantes começaram há mais de duas décadas.

Pioneirismo e Desafios Iniciais

Um dos primeiros dispositivos, da alemã Retina Implant AG, utilizava um chip sensível à luz implantado sob a retina. Conectado a células retinianas saudáveis remanescentes, o chip transmitia sinais visuais para o cérebro. A cirurgia era complexa, levando cerca de oito horas e exigindo um receptor de energia no crânio, conectado por um fio sob a pele.

O dispositivo oferecia uma visão rudimentar, com pacientes percebendo flashes de luz. Muitos implantes falhavam com o tempo, possivelmente por movimentos oculares ou corrosão. A empresa encerrou suas atividades em 2019 devido à falta de progresso médico.

Outro pioneiro, o Argus II, combinava uma câmera em óculos com um chip sobre a retina. A imagem era convertida em sinal e transmitida sem fio para o chip, que estimulava a retina por 60 eletrodos. Apesar da autorização da FDA em 2013, o Argus II também foi descontinuado em 2019 por resultados insuficientes.

Novas Abordagens e Resultados Promissores

Pesquisadores continuam a desenvolver a visão artificial. Uma abordagem recente usa uma câmera externa que transfere energia e dados de imagem sem fio para um chip implantado no córtex occipital, a região cerebral da visão. Essa técnica pode ajudar pacientes com problemas na retina ou no nervo óptico.

A empresa ReVision Implant, da Bélgica, lançará seu primeiro teste clínico em humanos em outubro de 2026 com essa abordagem. Outra opção são óculos que transmitem imagens e energia via sinal infravermelho para um chip sub-retiniano. O dispositivo Prima, que usa essa técnica, foi testado na degeneração macular relacionada à idade do tipo seco (DMRI).

Em um pequeno ensaio clínico, o Prima restaurou a visão central funcional em 81% dos pacientes, permitindo leitura. O dispositivo já é autorizado em 30 países europeus. Por ser mais atraente para investidores devido à maior incidência da DMRI, surgem questões éticas, pois pacientes com DMRI geralmente possuem boa visão periférica, tendo mais a perder em caso de falha cirúrgica.

Visão Sobre-Humana e o Futuro

A transmissão eletrônica de informações visuais abre portas para funcionalidades adicionais. Com o Prima, o zoom óptico já é possível, e algoritmos de aprimoramento de imagem foram propostos. No futuro, dispositivos poderão oferecer imagens térmicas e visão noturna, com testes em infravermelho já realizados em primatas.

No entanto, esses recursos avançados só se tornarão relevantes quando a visão artificial básica atingir um nível mais alto. Desafios com biomateriais e eletrônica ainda impedem a restauração completa e duradoura da visão. Uma concorrente biológica, as células-tronco, em estágios iniciais de testes em humanos, pode um dia superar os olhos biônicos se conseguir substituir células retinianas perdidas.

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