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Menopausa: EUA retira alerta grave de remédios e Brasil discute terapia hormonal

21 de outubro de 2026
Menopausa: EUA retira alerta grave de remédios e Brasil discute terapia hormonal

Destaques

  • •FDA removeu o mais severo alerta de segurança de medicamentos para sintomas da menopausa, incentivando discussão sobre a Terapia Hormonal da Menopausa (THM) no Brasil.
  • •Estudos recentes indicam que os riscos da THM são menores que os benefícios para a maioria das mulheres, apesar de persistir o medo instalado desde 2002.
  • •A THM é indicada para aliviar sintomas como ondas de calor e insônia, mas seu acesso no Brasil é limitado, com poucas mulheres recebendo a prescrição e medicamentos inacessíveis no SUS.

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, removeu em fevereiro deste ano o mais severo alerta de segurança (retângulo preto) de seis medicamentos utilizados para tratar sintomas da menopausa. A decisão, que retira os avisos sobre riscos de câncer de mama, doença cardiovascular e demência, visa dissipar o medo em torno da Terapia Hormonal da Menopausa (THM) e pode influenciar a percepção e o uso dessa terapia no Brasil.

A decisão americana é vista como um passo positivo por especialistas, como a professora titular de ginecologia da Unicamp, Lúcia Costa Paiva, que espera que a mudança traga mais segurança para mulheres buscarem o tratamento. No entanto, o endocrinologista Alexandre Hohl alerta para que não se generalize o uso, pois nem todas as mulheres se beneficiam e os hormônios podem ter riscos. A THM consiste na reposição de hormônios como estrogênio e progesterona, que caem na menopausa, aliviando sintomas como ondas de calor, suores noturnos, insônia e secura vaginal.

O medo instalado e a realidade dos riscos

O temor em relação à THM se intensificou após um estudo de grande porte publicado em 2002, que a associou ao câncer de mama. Contudo, investigações posteriores encontraram falhas no estudo original e inúmeros novos estudos concluíram que, em geral, os riscos da THM são menores do que seus benefícios, especialmente quando a terapia é indicada para aliviar sintomas significativos.

O endocrinologista Alexandre Hohl explica que o risco de câncer de mama associado à THM é muito baixo, sendo um caso extra para cada mil mulheres em um ano de uso. Ele ressalta que a contraindicação absoluta é para mulheres com câncer de mama ativo ou com histórico da doença. Outras contraindicações incluem doenças cardiovasculares recentes ou trombose. Casos de histórico familiar de câncer de mama não são contraindicação, mas exigem avaliação individualizada.

Baixo acesso e experiências diversas no Brasil

Apesar dos benefícios comprovados, o acesso à THM no Brasil é limitado. Um estudo de 2022 com 1.500 mulheres indicou que apenas 22,3% receberam prescrição de THM, e muitas não iniciam o tratamento devido ao custo dos medicamentos, que não são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

As experiências com a THM variam. Sônia Santos, 66 anos, teve a qualidade de vida transformada pela terapia, que a ajudou a controlar ondas de calor intensas e melhorar o sono. Por outro lado, Ucha Aratangy, 58 anos, teve uma experiência negativa com a THM, sofrendo com vômitos e mal-estar, optando por tratamentos alternativos como a amora.

Quando e como usar a terapia hormonal?

A indicação da THM foca na melhora dos sintomas da menopausa, como ondas de calor, sudorese, insônia, ressecamento vaginal e dor nas relações sexuais. A terapia também é indicada para mulheres que entram na menopausa precocemente. A chamada "janela de oportunidade" para iniciar o tratamento, antes considerada de até cinco anos após a menopausa, hoje é mais flexível, podendo ser reavaliada mesmo após dez anos, dependendo da avaliação individual de riscos e benefícios.

O momento de parar a THM é avaliado a cada consulta, considerando a resposta da paciente, a ausência de efeitos adversos e resultados de exames como mamografias. A terapia hormonal com fins estéticos, no entanto, é vista com preocupação por especialistas, que alertam para os riscos de seu uso indiscriminado.

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