Líder de seita no Quênia é condenado a 200 anos de prisão por mortes de crianças
Destaques
- •Paul Mackenzie, líder de uma seita no Quênia, foi sentenciado a 200 anos de prisão por seu papel em um massacre que resultou na morte de 190 crianças por inanição.
- •A sentença inclui 100 anos por homicídio por inanição e 100 anos por homicídio doloso, com cúmplices recebendo penas de até 160 anos.
- •O caso, que veio à tona em abril de 2023 com a descoberta de corpos na Floresta de Shakahola, levanta preocupações sobre a vulnerabilidade de seguidores de seitas e a necessidade de proteção a grupos marginalizados.
O líder de seita Paul Mackenzie foi condenado nesta sexta-feira a 200 anos de prisão por um tribunal do Quênia, em um veredicto que abrange os assassinatos de 190 crianças que morreram de fome sob suas ordens. O caso, um dos massacres relacionados a seitas mais letais dos tempos modernos, resultou na descoberta de centenas de corpos em uma floresta no leste do país.
A juíza Diana Kavedza determinou que a sentença compreende 100 anos por homicídio por inanição e 100 anos por homicídio doloso. Mackenzie, que liderava uma igreja cristã apocalíptica, teria ordenado que seus seguidores e seus filhos morressem de fome para alcançar o paraíso antes do fim do mundo. A acusação detalhou que cúmplices ameaçavam e espancavam as vítimas para garantir o cumprimento das ordens, com corpos debilitados encontrados em covas rasas e latrinas, e alguns casos de enterro vivo.
O julgamento e a sentença
Paul Mackenzie, vestindo roupas casuais, não demonstrou reação à leitura da sentença. Ele havia negado as acusações, alegando que não forçou as vítimas a passar fome, mas o tribunal rejeitou sua defesa. Vinte e oito cúmplices também foram considerados culpados em julgamento no mês passado e receberam penas que variam de 10 a 160 anos.
O advogado de defesa, Lawrence Obonyo, que representou Mackenzie e a maioria dos condenados, anunciou que irá recorrer da decisão. A juíza Kavedza destacou que Mackenzie utilizou sua presença carismática na mídia para conquistar a confiança de seguidores indefesos e vulneráveis, explorando sua fé para impor ordens cruéis.
O caso e as vítimas
O caso veio à tona em abril de 2023, quando a polícia queniana começou a encontrar corpos na Floresta de Shakahola, próxima à cidade de Malindi. Embora o julgamento tenha focado nos casos de 190 crianças e uma vítima adulta, a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia estima que 448 corpos foram encontrados na floresta. Mackenzie também enfrenta acusações relacionadas à morte de outras 52 pessoas em um local diferente, elevando o número total estimado de vítimas para 500.
A juíza descreveu cenas chocantes, como crianças assistindo irmãos morrerem de fome e vítimas sendo espancadas e trancadas em locais de jejum. A exploração da vulnerabilidade e a manipulação psicológica foram centrais para a forma como Mackenzie operava, segundo a corte.
Próximos passos
A defesa de Paul Mackenzie e dos demais condenados já anunciou a intenção de recorrer da decisão. Enquanto isso, as investigações sobre o total de vítimas e a extensão da atuação da seita continuam, com a polícia buscando esclarecer todos os detalhes do massacre na Floresta de Shakahola.



