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K-pop: Do fenômeno musical ao impacto econômico e cultural no Brasil

31 de outubro de 2026
K-pop: Do fenômeno musical ao impacto econômico e cultural no Brasil

Destaques

  • •K-pop se consolida como fenômeno global com forte engajamento no Brasil, impulsionado por estratégias de marketing e construção de comunidades de fãs.
  • •Fãs brasileiros demonstram alta intensidade afetiva e capacidade de mobilização, influenciando gastos com produtos e serviços relacionados à cultura sul-coreana.
  • •O futuro do K-pop depende de inovações em produção, conteúdo e engajamento ético com os fãs, equilibrando tecnologia e profundidade cultural.

O K-pop, abreviação de Korean pop, transcendeu suas origens sul-coreanas para se tornar um fenômeno cultural global, unindo entretenimento, marketing e consumo de forma intrínseca. No Brasil, o gênero demonstra uma força notável, sendo o 5º maior mercado do estilo na plataforma Spotify, com um crescimento expressivo de 1.208% no número de execuções desde 2014. Grupos como o BTS exemplificam esse alcance, com clipes ultrapassando 2 bilhões de visualizações no YouTube, um número que representa uma visualização para cada quatro habitantes do planeta.

O sucesso do K-pop é amplamente atribuído a um ecossistema cuidadosamente construído, que vai além da música. Segundo Hertz Wendell de Camargo, professor da UFPR e consultor de branding, o gênero desenvolveu uma união de experiências, narrativas, storytelling, símbolos e comunidade, criando uma febre e uma conexão cultural profunda, especialmente entre os jovens. Cada grupo é lançado com uma proposta estética e narrativa própria, com identidade visual, conceitos e performances elaboradas que diferenciam os artistas e aproximam o público.

O universo simbólico e a identidade de marca

A construção de um universo simbólico é fundamental para reforçar o vínculo entre os grupos e seus fãs. A mitologia da marca cria um senso de pertencimento e comunidade, incorporando símbolos e storytelling. Rituais de consumo e espetáculos fazem parte dessa ritualização, transformando a experiência do fã em algo mais profundo e engajador.

Essa estratégia se alinha com a expansão da cultura sul-coreana, que a Coreia do Sul passou a tratar como uma indústria capaz de gerar empregos, exportações e ampliar sua presença global a partir dos anos 1990. O apoio governamental, segundo Jeonghee Jeong, diretora do Centro Cultural Coreano no Brasil, segue o princípio de apoiar sem interferir, permitindo que o setor floresça.

Redes sociais e a força dos fandoms

Ao contrário de gerações anteriores de boy bands, que cresceram em mercados dominados por rádio e televisão, os artistas de K-pop apostaram na comunicação direta pela internet. As redes sociais foram cruciais para disseminar uma experiência completa, onde música, coreografia, estética visual e narrativas se tornam inseparáveis.

Os fãs, organizados em fandoms, vão além do consumo de conteúdo. Eles interagem, traduzem publicações, divulgam lançamentos e organizam eventos. Natália Barbosa, fã há 10 anos, destaca a importância das traduções feitas por fãs para a compreensão das letras e histórias dos álbuns. No Brasil, essa mobilização se manifesta na identificação afetiva com a música e a dança, combinada com uma grande capacidade de mobilização e criatividade.

O impacto no consumo e na economia

O interesse pela cultura coreana se traduz em gastos concretos. Uma pesquisa da Serasa revelou que 47% dos brasileiros interessados em cultura coreana gastam até R$ 250 por mês, e 18% ultrapassam os R$ 500 mensais. Quando um fã reconhece um artista como referência, os produtos associados ganham um significado de pertencimento.

Essa identificação pode influenciar a atenção a marcas, a preferência por produtos e a intenção de compra. O vínculo entre fã e artista se projeta no consumo. No Brasil, essa relação se estende a planos de viagem e à economia para realizar sonhos ligados à Coreia do Sul, como assistir a um show ou morar no país.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na Advances in Economics, Management and Political Sciences em 2025, intitulado "Marketing and Development of K-pop under New Consumer Trends", investiga as estratégias de marketing e desenvolvimento do K-pop em resposta a novas tendências de consumo. A pesquisa aponta que, com a ascensão da Geração Z e Alpha, a indústria enfrenta desafios como homogeneização de conteúdo e declínio da lealdade dos fãs. Em resposta, o setor explora inovações como modelos de ídolos virtuais e impulsionados por IA, criação de conteúdo baseado em valores e estratégias de merchandise participativo.

O estudo argumenta que o futuro sustentável do K-pop reside em três princípios centrais: sustentabilidade emocional, autenticidade narrativa e cocriação ética. O artigo sugere que o equilíbrio entre inovação tecnológica, profundidade cultural e confiança dos fãs é essencial para que o K-pop evolua de uma tendência comercial para uma força cultural globalmente ressonante e responsável.

Pesquisa citada

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