iFood processa Keeta por concorrência desleal e preços predatórios

Destaques
- •iFood acusa a Keeta de usar subsídios da matriz chinesa para praticar preços predatórios e aliciar restaurantes exclusivos.
- •A Keeta rebate, afirmando que o iFood usa sua posição dominante para atacar um concorrente que busca um mercado mais competitivo.
- •A ação judicial pede perícia para verificar o volume de subsídios e a prática de concorrência desleal no setor de delivery.
O iFood protocolou uma ação judicial na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem de São Paulo contra a Keeta, braço da chinesa Meituan, alegando condutas anticompetitivas. A plataforma brasileira acusa a concorrente de praticar preços predatórios, com operações deficitárias financiadas por sua matriz, com o objetivo de atrair clientes e sufocar a concorrência no mercado de delivery.
Além disso, o iFood denuncia o que chama de “aliciamento ilícito” de restaurantes com contrato de exclusividade, utilizando incentivos para quebrar acordos e obter acesso a dados confidenciais. A empresa brasileira solicita uma perícia econômico-financeira para comprovar o volume de subsídios que mantêm os preços artificialmente baixos, caracterizando concorrência desleal.
Acusações de preços predatórios e aliciamento
Segundo o iFood, os subsídios da Keeta são direcionados para oferecer cupons e descontos considerados “irracionais” aos consumidores. Essa estratégia, de acordo com a empresa, estimula uma falsa demanda baseada em promoções insustentáveis a longo prazo. O resultado seria uma “bolha de cupons” que pode estourar quando os subsídios forem suspensos, afetando restaurantes, entregadores e consumidores.
“O que se discute na ação não é a existência de competição, mas qual resposta daremos aos restaurantes que, hoje, estão investindo na expansão de suas operações por acreditarem em uma demanda fictícia que deixará de existir quando os subsídios forem racionalizados, e como lidaremos com os entregadores quando a demanda pelo seu trabalho e a sua renda diminuírem“, afirmou Lucas Pittioni, vice-presidente Jurídico, de Políticas Públicas e M&A do iFood. Ele também alega que a Keeta possui uma participação de mercado “fictícia” e que criou uma equipe dedicada, com ex-funcionários do iFood, para abordar restaurantes exclusivos.
Keeta rebate e acusa iFood de monopólio
A Keeta, por sua vez, classificou a ação como uma “estratégia clara de plataforma monopolista” do iFood para manter sua posição dominante. A empresa chinesa alega que o iFood, com cerca de 80% do mercado brasileiro, consolidou sua posição por meio de cláusulas de exclusividade agressivas e que agora tenta minar a capacidade de uma empresa entrante de competir.
A Keeta afirma que o iFood tenta desviar a atenção das autoridades da investigação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) por descumprimento de um acordo sobre cláusulas de exclusividade. A empresa defende que traz tecnologia e experiência global para o mercado brasileiro, oferecendo mais oportunidades para restaurantes, entregadores e consumidores, e que o iFood suprime esses benefícios com um serviço mais caro e de menor qualidade.
Contexto e próximos passos
Esta não é a primeira denúncia formal do iFood contra a Keeta. Em agosto, a plataforma brasileira já havia pedido ao CADE uma intervenção contra a concorrente por práticas predatórias. Em 2023, o iFood firmou um acordo com o CADE que limita a 25% o volume de vendas atrelado a restaurantes exclusivos e proíbe bloqueios com marcas com 30 ou mais estabelecimentos.
A Keeta argumenta que o uso de cupons é uma prática comum de mercado, aplicada por todas as empresas, incluindo o próprio iFood, e que sua atuação, presente em 32 cidades, visa incentivar a experimentação e garantir uma opção de qualidade. A empresa defende a necessidade de um mercado justo e competitivo no Brasil.
Matérias originais
- iFood entra na Justiça contra Keeta por condutas anticompetitivas · infomoney.com.br
- iFood aciona Justiça contra Keeta por práticas predatórias · poder360.com.br



