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França: Greve nacional paralisa serviços e atinge pontos turísticos

05 de novembro de 2026
França: Greve nacional paralisa serviços e atinge pontos turísticos

Destaques

  • •Milhares de franceses aderiram a uma greve nacional e manifestações convocadas por sindicatos e estudantes.
  • •A mobilização causou o fechamento da Torre Eiffel, afetou o transporte e a produção de energia nuclear, e gerou confrontos entre manifestantes e polícia.
  • •Os protestos ocorrem em meio a crescentes preocupações com o custo de vida e a poucos meses das eleições presidenciais.

Milhares de franceses participaram nesta quinta-feira (5) de uma jornada nacional de greves e manifestações convocadas por sindicatos e grupos estudantis, ampliando a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron. A mobilização, que ocorre após semanas de tensão social e econômica, levou ao fechamento de importantes pontos turísticos, como a Torre Eiffel, e afetou o transporte público e a produção de energia nuclear no país.

As manifestações, que aconteceram em cerca de 260 cidades e municípios, foram impulsionadas por reivindicações por salários mais altos, melhores condições de aposentadoria e alívio diante do aumento do custo de vida, com foco especial nas preocupações de estudantes do ensino médio. A chefe da CGT, Sophie Binet, convocou a população a comparecer em grande número às ruas, destacando a união entre estudantes, aposentados, universitários e trabalhadores.

Impacto nos serviços e segurança

A greve e os protestos resultaram no fechamento da Torre Eiffel, que atrai cerca de 7 milhões de visitantes por ano, com o site do ponto turístico pedindo desculpas aos visitantes com ingressos eletrônicos. O transporte público sofreu impactos, embora nenhum problema significativo tenha sido registrado na rede. A produção de energia nuclear da França também foi reduzida devido à paralisação. O Ministério da Educação informou que pouco mais de 15% dos profissionais do ensino aderiram à greve, mas estudantes relatam preocupações com as condições escolares e a incerteza sobre o futuro.

As autoridades francesas mobilizaram cerca de 70 mil policiais em todo o país para conter os protestos, que em algumas cidades, como Lyon e Marselha, resultaram em confrontos entre manifestantes e a polícia de choque. O uso de gás lacrimogêneo foi registrado em Lyon, e em Paris, estudantes bloquearam ruas com lixeiras. Uma escola em Toulouse foi incendiada. O governo defendeu as táticas policiais, mas afirmou que eventuais abusos serão investigados.

Contexto político e econômico

Os protestos ocorrem em um cenário de crescente insatisfação social e econômica na França, com queixas sobre o aumento de combustíveis, alimentos, aluguel e energia, enquanto salários e aposentadorias não acompanham. Os sindicatos alertam que o país está à beira de uma recessão e que planos de demissão estão se multiplicando, exigindo que os desafios sociais e ambientais sejam enfrentados sem demora.

A onda de agitação civil ocorre a poucos meses das eleições presidenciais de maio de 2025, onde o presidente Emmanuel Macron, impedido de concorrer a um terceiro mandato, tem baixa popularidade. Candidatos como a de extrema direita Marine Le Pen e o de esquerda radical Jean-Luc Mélenchon buscam capitalizar politicamente a insatisfação popular. Analistas apontam uma sensação de frustração com a incapacidade do governo de funcionar, e quem vencer a eleição terá uma pilha de problemas para enfrentar.

Reunião do G7 transferida

Em decorrência das tensões e da sobrecarga das forças de segurança, uma reunião dos ministros das Relações Exteriores do G7, que estava programada para ocorrer em Marselha nos dias 9 e 10 de novembro, foi transferida de última hora para Paris. A mudança foi justificada por razões logísticas e operacionais, devido à necessidade de mobilização significativa de recursos para a segurança e organização do evento, que coincidia com o Fórum de Paz de Paris.

A França, que preside o G7 — grupo que inclui Reino Unido, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos, além da União Europeia — tem enfrentado grande sobrecarga nas forças de segurança desde setembro. Episódios de violência e saques foram registrados em 17 de outubro em várias cidades, com Marselha sendo palco de alguns dos incidentes mais graves.

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