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Fed mantém juros nos EUA e sinaliza cautela com inflação e emprego

28 de outubro de 2026
Fed mantém juros nos EUA e sinaliza cautela com inflação e emprego

Destaques

  • •Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) decide por unanimidade manter a taxa básica de juros dos EUA no intervalo de 3,75% a 4,00%.
  • •Decisão reflete a necessidade de equilibrar a desaceleração do mercado de trabalho com a inflação persistente, agravada pelo choque geopolítico nos preços do petróleo.
  • •Impacto no Brasil: juros americanos altos por mais tempo pressionam o câmbio e limitam o espaço para cortes da Selic pelo Copom.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) dos Estados Unidos decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros do país inalterada no intervalo de 3,75% a 4,00%. A decisão, amplamente esperada pelo mercado financeiro, representa uma pausa estratégica no ciclo de aperto monetário promovido pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

A medida visa dar tempo para que o comitê avalie o impacto das elevações anteriores na economia, ao mesmo tempo em que monitora a persistência da inflação e a desaceleração do mercado de trabalho. A maioria dos analistas (90,6%) apostava na manutenção da taxa, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group.

Equilíbrio entre inflação e emprego

O cenário econômico dos EUA apresenta dados mistos, que desafiam a política monetária do Fed. Embora a economia continue mostrando vigor, com estimativas de crescimento de 3,6% para o terceiro trimestre, a inflação ao consumidor (CPI) acelerou para 3,7% em setembro, impulsionada principalmente pelos preços da gasolina. O núcleo do PCE, indicador preferido do Fed, também registrou alta.

Por outro lado, o mercado de trabalho mostra sinais de desaceleração. O relatório payroll de setembro registrou a criação de apenas 29 mil postos de trabalho, bem abaixo dos 90 mil esperados, e a taxa de desemprego está estacionada em 4,2%. Especialistas apontam que a disseminação da alta de preços para outros setores, como aluguel e serviços, é um ponto de atenção.

Riscos geopolíticos e o preço do petróleo

O mercado de energia é apontado como o principal vetor de risco para a desinflação global. O preço do petróleo Brent atingiu máximas recentes, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, como ataques a refinarias na Arábia Saudita e o risco de conflitos envolvendo o Irã. Esse cenário eleva os custos de transporte e manufatura, pressionando a inflação e as expectativas.

Analistas alertam que a continuidade desses choques de oferta pode prolongar o ciclo de aumentos de juros. O Goldman Sachs estima que o ciclo de altas poderia se estender até março de 2027, caso os conflitos se agravem. O economista-chefe da Blue3 Investimentos, Roberto Simioni, argumenta que o componente energético deixou de ser um evento passageiro e se tornou um fator de persistência inflacionária.

Impacto no Brasil: câmbio e Selic sob pressão

A política monetária americana tem reflexos diretos no Brasil. Atualmente, o diferencial entre a taxa Selic (13,5%) e os juros americanos (cerca de 4%) é de quase 10 pontos percentuais. No entanto, esse diferencial vem encolhendo com os cortes na Selic e a possibilidade de novas altas nos EUA.

A manutenção de juros altos nos EUA, combinada com a incerteza fiscal brasileira, pressiona o dólar, que tem operado acima de R$ 5. Um dólar mais alto encarece importados e combustíveis, o que pode contaminar as projeções de inflação (IPCA) e limitar a margem de manobra do Comitê de Política Monetária (Copom) para continuar o ciclo de cortes da taxa básica de juros. Especialistas avaliam que a interrupção do ciclo de cortes da Selic na próxima reunião é o cenário mais provável.

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