Congresso: Disputa pela presidência da Câmara e Senado em 2027 se intensifica

Destaques
- •Presidente Lula busca apoio de Hugo Motta e Davi Alcolumbre para reeleição nas presidências da Câmara e Senado em 2027.
- •PL concentra esforços para conquistar o Senado com Rogério Marinho e avalia acordo na Câmara, buscando influência na Mesa Diretora e comissões.
- •A definição das presidências impactará a agenda econômica e a relação entre Executivo e Legislativo, com negociações de cargos e apoio parlamentar.
A disputa pelas presidências da Câmara e do Senado para a posse em fevereiro de 2027 já movimenta os bastidores políticos, com estratégias distintas delineadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo PL. Enquanto Lula busca a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Senado, o PL concentra esforços para conquistar o Senado e cogita um acordo com Motta na Câmara. A movimentação ocorre após uma eleição que ampliou a representação da direita, com o PL obtendo as maiores bancadas no Legislativo.
Cenário na Câmara: Motta consolida apoio
Na Câmara dos Deputados, o cenário é considerado mais consolidado para Hugo Motta. O atual presidente já reuniu o apoio de 15 partidos, incluindo o PT, que formalizou sua adesão. O PL chegou a considerar lançar um candidato próprio, mas a hipótese perdeu força diante da ampla aliança construída por Motta. Uma ala do PL defende a negociação por participação na Mesa Diretora e comissões, em vez de arriscar uma disputa com poucas adesões.
Dirigentes do PL avaliam que um acordo com Motta poderia garantir maior influência sobre a tramitação de projetos e a fiscalização do governo. A legenda ainda não anunciou uma decisão definitiva, e uma reunião de lideranças na terça-feira (3) terminou sem consenso.
Confronto principal no Senado: Marinho oficializa candidatura
O Senado se tornou o centro da estratégia do PL com a oficialização da candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência. O senador terá o apoio do PL e busca reunir uma aliança com o Novo e parlamentares de centro-direita para enfrentar Davi Alcolumbre. O PL terá 29 dos 81 senadores, e com o apoio do Novo, forma um grupo inicial de 32 votos, precisando de pelo menos 41 para vencer.
Rogério Marinho busca votos em outros partidos, especialmente PP, Republicanos e centro-direita. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também mantém sua pré-candidatura, buscando apoio entre parlamentares ligados ao agronegócio e da bancada feminina. A negociação já gerou atritos, com integrantes do PP incomodados com ataques a Tereza Cristina.
Relação com o Executivo e agenda econômica
O presidente Lula assegurou a Motta e Alcolumbre o apoio da base governista à suas reeleições, em troca da manutenção de canais de negociação para aprovar prioridades legislativas. O Planalto espera construir uma base mais estável para o próximo mandato e discute oferecer participação no ministério a legendas que sustentem o governo. A escolha dos aliados terá consequências para a agenda econômica, exigindo negociação de medidas de ajuste fiscal com um Congresso com forte presença da direita.
Alcolumbre aposta em relações construídas com senadores de diferentes partidos e no apoio de Lula para permanecer no cargo. Ele tem defendido, em conversas com senadores, uma solução política para a situação de Jair Bolsonaro, como indulto ou anistia. O tema também é prioridade para Marinho, que defende anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.
A disputa pela presidência das Casas impactará a distribuição de poder, incluindo a análise de indicações para tribunais superiores e pedidos de impeachment de ministros do STF. O acordo com Motta e Alcolumbre poderá facilitar a construção de maiorias em um Legislativo com forte presença da direita, mas não garante a aprovação automática das medidas do Executivo.
Matérias originais
- Quem vai comandar o Congresso em 2027? Entenda a disputa entre Lula e PL · infomoney.com.br



