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Chile: Desemprego recorde e queda na mineração afetam economia

21 de outubro de 2026
Chile: Desemprego recorde e queda na mineração afetam economia

Destaques

  • •O desemprego no Chile atingiu 9,6%, o maior nível em mais de cinco anos, em meio a uma desaceleração econômica.
  • •A queda de 17,4% na produção de cobre em agosto, principal exportação do país, e o aumento de 30% nos combustíveis impactaram a inflação e a confiança do consumidor.
  • •O governo implementa um plano de austeridade fiscal e uma reforma tributária, com expectativas de recuperação econômica a partir de 2027, mas enfrenta desafios para a população.

O Chile enfrenta um cenário econômico desafiador, com o desemprego atingindo o patamar de 9,6%, o mais alto em mais de cinco anos. A situação reflete uma desaceleração geral, com investimentos produtivos e demanda interna praticamente estagnados, além de uma inflação de 4,1% nos últimos 12 meses, impulsionada principalmente pela alta nos preços dos combustíveis. A produção mineradora, setor crucial para a economia chilena, também sofreu uma drástica redução de 17,4% em agosto, o menor nível em três décadas.

Impacto da alta nos combustíveis e mineração

A decisão do governo de não intervir nos preços dos combustíveis após o conflito no Oriente Médio levou a um aumento de cerca de 30% na gasolina e mais de 40% no diesel. Essa medida, conhecida como "gasolinaço", gerou manifestações e descontentamento popular, além de ter amplificado a inflação em toda a economia. Paralelamente, a queda na produção de cobre, principal commodity de exportação do país, impactou negativamente o crescimento. Especialistas preveem uma leve desaceleração nos preços globais de energia no próximo ano, o que pode contribuir para uma recuperação econômica a partir do primeiro trimestre de 2027.

Austeridade fiscal e reforma tributária

O governo do presidente José Antonio Kast, que assumiu em março, implementou um plano de austeridade fiscal com cortes de gastos e revisão de programas. Em paralelo, foi aprovada uma "megarreforma" tributária que reduz progressivamente os impostos sobre empresas, de 27% para cerca de 23%, e oferece invariabilidade tributária para grandes investimentos. O objetivo é estimular o crescimento e o emprego, mas há incertezas sobre a capacidade de compensar a queda na arrecadação fiscal e gerar o impacto desejado.

Dificuldades para a população e próximos passos

A população chilena tem sentido os efeitos da crise, com alta inflação e desemprego, levando a uma deterioração da percepção econômica. O Índice de Vendas de Supermercados fechou agosto em queda de 1,2% nos últimos 12 meses. Em resposta, o governo anunciou um plano de emprego de cerca de US$ 1,3 trilhão para criar mais de 100 mil postos de trabalho entre 2026 e 2027, através de obras públicas e subsídios. O Congresso discute a Lei Orçamentária para 2027, com um crescimento real de gastos públicos considerado austero, o que tem gerado questionamentos da oposição sobre programas sociais. A expectativa é de uma possível reversão de fatores de incerteza e efeitos positivos na economia a partir de 2027, caso as reformas se concretizem.

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